The China Mail - Febre do lítio na Argentina ofusca preocupação ambiental

USD -
AED 3.672501
AFN 65.50184
ALL 81.380142
AMD 377.970482
ANG 1.79008
AOA 916.497584
ARS 1416.381103
AUD 1.41179
AWG 1.8
AZN 1.701015
BAM 1.646747
BBD 2.012849
BDT 122.13779
BGN 1.67937
BHD 0.376983
BIF 2956
BMD 1
BND 1.268203
BOB 6.920331
BRL 5.194196
BSD 0.999352
BTN 90.600003
BWP 13.170436
BYN 2.880286
BYR 19600
BZD 2.009919
CAD 1.35625
CDF 2214.999948
CHF 0.767199
CLF 0.0216
CLP 852.870541
CNY 6.922499
CNH 6.917015
COP 3670.01
CRC 495.427984
CUC 1
CUP 26.5
CVE 93.350281
CZK 20.34935
DJF 177.720401
DKK 6.27632
DOP 62.650185
DZD 129.39301
EGP 46.866625
ERN 15
ETB 154.950401
EUR 0.84011
FJD 2.1906
FKP 0.735168
GBP 0.73093
GEL 2.689798
GGP 0.735168
GHS 11.010336
GIP 0.735168
GMD 73.496736
GNF 8760.502918
GTQ 7.666239
GYD 209.083408
HKD 7.815475
HNL 26.470214
HRK 6.329502
HTG 131.056026
HUF 316.483001
IDR 16803
ILS 3.0824
IMP 0.735168
INR 90.77575
IQD 1310.5
IRR 42125.000158
ISK 121.759852
JEP 0.735168
JMD 156.313806
JOD 0.708967
JPY 156.187014
KES 129.000569
KGS 87.449683
KHR 4033.000214
KMF 414.00022
KPW 899.993603
KRW 1458.690272
KWD 0.30686
KYD 0.832814
KZT 493.541923
LAK 21477.49267
LBP 85549.999959
LKR 309.311509
LRD 186.375012
LSL 16.097378
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.319733
MAD 9.12875
MDL 16.974555
MGA 4434.999905
MKD 51.780764
MMK 2099.674626
MNT 3566.287566
MOP 8.045737
MRU 39.850294
MUR 45.98025
MVR 15.4602
MWK 1736.999664
MXN 17.208302
MYR 3.927499
MZN 63.760521
NAD 16.102755
NGN 1361.970582
NIO 36.709798
NOK 9.585495
NPR 144.959837
NZD 1.65274
OMR 0.384501
PAB 0.999356
PEN 3.358502
PGK 4.291999
PHP 58.457021
PKR 279.649878
PLN 3.53527
PYG 6589.344728
QAR 3.64125
RON 4.276102
RSD 98.619009
RUB 77.002306
RWF 1455
SAR 3.750572
SBD 8.054878
SCR 14.03018
SDG 601.501393
SEK 8.927595
SGD 1.266315
SHP 0.750259
SLE 24.524993
SLL 20969.499267
SOS 571.512449
SRD 37.971503
STD 20697.981008
STN 20.875
SVC 8.744817
SYP 11059.574895
SZL 16.099323
THB 31.17979
TJS 9.359244
TMT 3.5
TND 2.845014
TOP 2.40776
TRY 43.589399
TTD 6.770456
TWD 31.5731
TZS 2583.597002
UAH 43.079799
UGX 3557.370493
UYU 38.318564
UZS 12334.999772
VES 384.79041
VND 25910
VUV 119.675943
WST 2.73072
XAF 552.310426
XAG 0.012164
XAU 0.000198
XCD 2.70255
XCG 1.801105
XDR 0.689856
XOF 552.496975
XPF 100.500113
YER 238.350084
ZAR 15.909145
ZMK 9001.189964
ZMW 18.893454
ZWL 321.999592
Febre do lítio na Argentina ofusca preocupação ambiental
Febre do lítio na Argentina ofusca preocupação ambiental / foto: © AFP

Febre do lítio na Argentina ofusca preocupação ambiental

"O lítio é ruim e ao mesmo tempo bom", diz Anahí Jorge, que trabalha em uma empresa que extrai o metal e, aos 23 anos, ganha um salário quatro vezes maior que o de um funcionário municipal de seu povoado, Susques, na província argentina de Jujuy.

Tamanho do texto:

"Nos prejudica o problema da água, mas é bom para as pessoas que estão trabalhando hoje em dia", explica à AFP.

Susques, um povoado com menos de 4.000 habitantes a 3.800 metros acima do nível do mar, é um dos mais próximos ao Salar de Olaroz, no norte, onde funcionam dois dos quatro empreendimentos de extração de lítio em fase de produção no país: Salares de Jujuy e Exar.

Argentina, Chile e Bolívia formam o "triângulo do lítio", uma região que pode conter mais da metade das reservas desse mineral no mundo, segundo especialistas.

Em 2023, a Argentina ocupou a quarta posição no ranking mundial de produção do metal, atrás de Austrália, Chile e China, de acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Elemento essencial para a transição energética, o lítio é fundamental nas baterias de automóveis elétricos, mas os métodos de extração em salares consomem uma grande quantidade de água, recurso que é escasso no planalto.

No entanto, em um país com cerca de metade da população abaixo da linha da pobreza e desemprego crescente, as preocupações ambientais podem ser ofuscadas pelas necessidades imediatas.

"É muito difícil recusar", diz Anahí Jorge, contando que, antes da chegada das mineradoras, as jovens de seu povoado iam para a capital da província trabalhar como empregadas domésticas por salários muito menores.

- Reféns da economia -

Entre as casas de adobe e barro de Susques começam a surgir construções com revestimento e tijolos vazados. Seus habitantes, muitos descendentes de comunidades indígenas quechuas ou kollas, usam uniformes com faixas refletivas fornecidas pelas empresas.

Alguns trabalham há anos nas mineradoras e, após obterem bons lucros, iniciaram seus próprios empreendimentos: transporte do pessoal da mina e pequenos hotéis.

"60% da população está trabalhando na mineração", conta Benjamín Vázquez, de 41 anos, membro da comissão municipal de Susques. Ele ressalta que as transformações não impactaram "a infraestrutura da comunidade", como esgoto ou tubulações de gás.

A cientista política especializada em meio ambiente, Melisa Argento, considera que a atividade mineradora provoca "conflitos intercomunitários" entre os povos nos quais se desenvolve e aqueles ficam à margem, e também "intracomunitários" entre os habitantes que conseguem acessar empregos nas empresas e os que não conseguem.

O preço da tonelada de lítio caiu de quase 70.000 dólares (R$ 384,3 mil na cotação atual) em 2022 para pouco mais de 12.000 (R$ 66 mil na cotação atual) em 2024, e esse tipo de flutuação resulta em suspensões de trabalhadores nas empresas: "As populações ficam atreladas às variações do mercado internacional", afirma Argento à AFP.

"A maioria dos jovens daqui te diz 'termino o quinto ano e vou trabalhar na mineradora'", relata Camila Cruz, de 19 anos, que vive em Susques e estuda medicina a distância.

"Não percebem que a mineração não é um trabalho que vai durar para sempre. Você vai gerar renda, mas uma vez que acabar, se não tiver estudado, não vai encontrar outro emprego", observa à AFP.

- "Não há água" -

"Venho do campo e não há água", diz à AFP Natividad Bautista Sarapura, uma camponesa de 59 anos, enquanto cozinha uma sopa de lhama no pátio de sua casa. "Antes, com dois ou três metros, você conseguia água, agora (é preciso buscar) cada vez mais profundo", comenta.

Cruz também se preocupa com o uso da água: "Nossos avós têm sua terra perto da mineradora e uma vez que eles exportam o lítio, deixam tudo um deserto", afirma.

Na fase de extração de empreendimentos como os do Salar de Olaroz, entre 1 e 2 milhões de litros de água salobra evaporam para cada tonelada de lítio, e outros 140.000 litros de água doce são usados para purificá-lo, segundo dados da Câmara Empresarial de Meio Ambiente da Argentina (CEMA).

"Atualmente, não se sabe a quantidade exata de água utilizada, não há controles eficazes", observa Vázquez.

Em seu relatório sobre água de 2024, a ONU adverte que a extração de lítio pode "ter um impacto negativo nos suprimentos de água, no meio ambiente e na população local".

"A mineração não é para toda a vida", reflete Sarapura em seu rancho: "Se você souber respeitar nossa Pachamama (mãe terra), teremos para toda a vida".

M.Zhou--ThChM