The China Mail - Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil

USD -
AED 3.672498
AFN 65.539919
ALL 80.54488
AMD 365.41986
AOA 916.999966
ARS 1498.394201
AUD 1.415609
AWG 1.8
AZN 1.698106
BAM 1.694779
BBD 2.013492
BDT 123.412607
BHD 0.376953
BIF 2988.500767
BMD 1
BND 1.280399
BOB 11.871596
BRL 5.105703
BSD 0.99964
BTN 95.359579
BWP 13.493759
BYN 2.963804
BYR 19600
BZD 2.010589
CAD 1.39385
CDF 2270.489175
CHF 0.810302
CLF 0.023226
CLP 914.089779
CNY 6.747601
CNH 6.74547
COP 3140.65
CRC 453.296822
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.549018
CZK 21.00805
DJF 178.021949
DKK 6.478175
DOP 58.292137
DZD 132.878956
EGP 50.244107
ERN 15
ETB 161.703184
EUR 0.86645
FJD 2.210998
FKP 0.739377
GBP 0.740755
GEL 2.60957
GGP 0.739377
GHS 11.761546
GIP 0.739377
GMD 73.496617
GNF 8778.915352
GTQ 7.626417
GYD 209.364696
HKD 7.846302
HNL 26.795146
HRK 6.530702
HTG 130.708873
HUF 315.816045
IDR 17835
ILS 2.99898
IMP 0.739377
INR 95.346497
IQD 1309.601695
IRR 1374724.999854
ISK 123.229815
JEP 0.739377
JMD 158.160856
JOD 0.70897
JPY 159.208997
KES 129.319836
KGS 87.449748
KHR 4050.20732
KMF 426.000595
KRW 1412.459821
KWD 0.30899
KYD 0.833091
KZT 466.225877
LAK 22555.166094
LBP 89521.713323
LKR 334.293748
LRD 180.439596
LSL 16.222753
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.375134
MAD 9.261838
MDL 17.364592
MGA 4301.50388
MKD 53.309532
MMK 2099.437721
MNT 3594.800745
MOP 8.079358
MRU 39.95702
MUR 47.040015
MVR 15.44994
MWK 1733.426342
MXN 17.12158
MYR 4.092102
MZN 63.904957
NAD 16.222753
NGN 1362.590125
NIO 36.784617
NOK 9.506398
NPR 152.571674
NZD 1.700695
OMR 0.384494
PAB 0.99964
PEN 3.379592
PGK 4.486077
PHP 61.156991
PKR 277.487208
PLN 3.723275
PYG 5952.262319
QAR 3.644233
RON 4.54103
RSD 101.679833
RUB 82.450336
RWF 1472.511189
SAR 3.745856
SBD 8.065696
SCR 13.690902
SDG 600.50286
SEK 9.50018
SGD 1.28014
SLE 24.596721
SOS 571.309732
SRD 37.750502
STD 20697.981008
STN 21.230227
SVC 8.746853
SZL 16.213312
THB 33.104496
TJS 9.212099
TMT 3.51
TND 2.93523
TRY 47.739835
TTD 6.770423
TWD 32.246095
TZS 2645.502975
UAH 44.853663
UGX 3719.189092
UYU 40.250777
UZS 11886.327301
VES 755.762402
VND 26136.5
VUV 118.84778
WST 2.733733
XAF 568.412889
XAG 0.015321
XAU 0.000228
XCD 2.70255
XCG 1.801749
XDR 0.706586
XOF 568.412889
XPF 103.343544
YER 238.394877
ZAR 16.17969
ZMK 9001.196617
ZMW 18.744124
ZWL 321.999592
Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil
Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil / foto: © AFP/Arquivos

Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil

O petróleo pode servir para custear o seu próprio fim e financiar a transição energética? É nisso que acredita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende a exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma região situada próxima da Foz do Rio Amazonas.

Tamanho do texto:

Para Lula, esse objetivo não é incompatível com suas ambições de transformar o maior país da América Latina em uma referência mundial na luta contra a mudança climática, faltando um mês para a COP30, que será realizada em Belém, no Pará.

"O mundo ainda não está preparado para viver sem o petróleo", disse o presidente em um podcast.

"Eu sou contra o combustível fóssil, quando a gente puder prescindir dele. Enquanto a gente não puder [...] É com o dinheiro do petróleo que a gente vai conseguir fazer o biocombustível, o etanol, o hidrogênio verde e outras coisas mais", afirmou ele no início deste ano.

O Brasil é o oitavo maior produtor global de petróleo e Lula quer que a Petrobras seja "a maior empresa de petróleo do mundo".

Além disso, insta os líderes mundiais a intensificarem a luta contra o aquecimento e prometeu desmatamento zero até 2030.

Os críticos dizem que a posição do presidente é contraditória. Outros a consideram pragmática.

"Cada vez mais está ficando claro que os países emergentes [...] não poderão contar com os países desenvolvidos para financiarem a agenda de adaptação à mudança do clima", disse Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB).

"É muito mais difícil você impor a um país como o Brasil, ele não retirar um petróleo [...], do que você falar a mesma coisa para Noruega, que já ficou rica", acrescentou.

Para Arbache, a pergunta deveria ser como usar esse petróleo "e dentro de que parâmetros ambientais".

- 'Equívoco histórico' -

O paradoxo fica especialmente evidente no litoral norte do país, onde um braço com centenas de quilômetros de água doce e barrenta do Amazonas, o rio mais caudaloso do mundo, desemboca no Oceano Atlântico, um encontro que é visível do espaço.

Depois que uma licença para a exploração de petróleo nessa região foi negada em 2023, a Petrobras superou recentemente uma prova-chave exigida pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

A companha afirmou em comunicado que espera receber logo a autorização, mesmo se for necessário reformular parcialmente o seu plano de proteção da fauna em caso de um derramamento de petróleo.

A Petrobras espera encontrar novas jazidas na Margem Equatorial, uma enorme área marítima próxima da Foz do Amazonas e onde a Guiana emergiu como um importante produtor de petróleo em menos de uma década, após a descoberta de grandes reservas.

A gigante estatal estima que seria "improvável" um vazamento de petróleo nessa região alcançar a costa e que não haveria "impacto direto" nas comunidades indígenas.

"Não existe petróleo sustentável, ponto", indicou à AFP Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e coordenadora da ONG Observatório do Clima.

"A gente está em plena crise climática, com um monte de eventos extremos e a opção por continuar indefinidamente aumentando a produção de petróleo é um grande equívoco, um equívoco histórico", frisou.

- Exportar o problema -

Se a Petrobras encontrar petróleo na Foz do Amazonas, o novo bloco poderia demorar uma década para entrar em produção.

A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) prevê uma queda na demanda de petróleo a partir de 2030, por isso, seguir perfurando é economicamente arriscado, estimou Suely Araújo.

Ademais, as receitas provenientes do petróleo não demonstraram ser capazes de solucionar os "problemas sociais" do país, ressaltou.

O Tribunal de Contas da União (TCU) advertiu este ano sobre "severas disfunções" na distribuição dos royalties das receitas do petróleo, que se multiplicaram por 40 entre 2000 e 2022.

O Brasil é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa, embora sua matriz energética seja predominantemente renovável.

Quase metade das emissões se devem ao desmatamento e outros 25% à indústria agropecuária, disse Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do Instituto de Energia e Ambiente.

Segundo cálculos de Shigueo Watanabe Jr., especialista do Instituto ClimaInfo, a queima das reservas estimadas na Margem Equatorial poderia representar lançamento de mais 2,5 bilhões de toneladas de CO₂ na atmosfera, mais que as emissões brasileiras de todo um ano.

É uma "incoerência falar de uma transição aliada à destruição", opinou a ambientalista Neidinha Suruí, que dedicou décadas à proteção das terras indígenas.

"O que o presidente está fazendo é ajudando a pressionar o clima e a destruição do Planeta. Espero que ele mude a atitude", disse ela à AFP.

U.Feng--ThChM