The China Mail - Agroecologia, uma arma contra a desertificação na Caatinga

USD -
AED 3.672503
AFN 63.49797
ALL 81.650307
AMD 368.209597
ANG 1.790403
AOA 917.49205
ARS 1436.769904
AUD 1.416621
AWG 1.8
AZN 1.6841
BAM 1.685177
BBD 2.015096
BDT 122.817901
BGN 1.69088
BHD 0.377102
BIF 2991
BMD 1
BND 1.281762
BOB 6.938712
BRL 5.088297
BSD 1.000526
BTN 94.560525
BWP 13.406112
BYN 2.76997
BYR 19600
BZD 2.012252
CAD 1.39983
CDF 2320.000079
CHF 0.791555
CLF 0.022506
CLP 885.760482
CNY 6.757449
CNH 6.75729
COP 3434.66
CRC 455.716489
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.349852
CZK 20.80085
DJF 177.72003
DKK 6.436145
DOP 58.593742
DZD 132.87952
EGP 50.225702
ERN 15
ETB 158.374997
EUR 0.86105
FJD 2.233703
FKP 0.744874
GBP 0.744965
GEL 2.645016
GGP 0.744874
GHS 11.30349
GIP 0.744874
GMD 73.000415
GNF 8777.498454
GTQ 7.626359
GYD 209.290102
HKD 7.83335
HNL 26.700271
HRK 6.487802
HTG 130.666299
HUF 300.78402
IDR 17738.85
ILS 2.9195
IMP 0.744874
INR 94.41075
IQD 1310
IRR 1374999.999848
ISK 124.32987
JEP 0.744874
JMD 158.238482
JOD 0.709026
JPY 160.312498
KES 129.579773
KGS 87.449836
KHR 4012.515223
KMF 424.999598
KPW 900.00035
KRW 1511.704985
KWD 0.30819
KYD 0.8338
KZT 487.920041
LAK 22030.000246
LBP 89550.000235
LKR 335.185855
LRD 182.149916
LSL 16.201861
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.374992
MAD 9.244973
MDL 17.459223
MGA 4199.999875
MKD 53.086638
MMK 2099.401411
MNT 3576.563972
MOP 8.072446
MRU 40.079636
MUR 47.129947
MVR 15.460119
MWK 1736.000101
MXN 17.20405
MYR 4.065798
MZN 63.894512
NAD 16.18737
NGN 1358.31011
NIO 36.610277
NOK 9.468895
NPR 151.295881
NZD 1.718195
OMR 0.384501
PAB 1.000526
PEN 3.41251
PGK 4.38775
PHP 60.350504
PKR 278.303608
PLN 3.64881
PYG 6105.515298
QAR 3.640495
RON 4.5059
RSD 101.064972
RUB 72.500958
RWF 1488
SAR 3.751894
SBD 8.061424
SCR 14.114719
SDG 600.501142
SEK 9.355501
SGD 1.281825
SHP 0.746601
SLE 24.749703
SLL 20969.503664
SOS 571.498782
SRD 37.332011
STD 20697.981008
STN 21.4
SVC 8.754244
SYP 110.532098
SZL 16.199887
THB 32.532969
TJS 9.274765
TMT 3.51
TND 2.91175
TOP 2.40776
TRY 46.3171
TTD 6.796543
TWD 31.561499
TZS 2627.985032
UAH 44.808889
UGX 3701.565583
UYU 40.393596
UZS 12005.000147
VES 596.036399
VND 26320
VUV 118.866954
WST 2.741216
XAF 565.192704
XAG 0.014222
XAU 0.000231
XCD 2.70255
XCG 1.803205
XDR 0.703697
XOF 564.999808
XPF 103.250198
YER 238.624966
ZAR 16.189701
ZMK 9001.196617
ZMW 17.684109
ZWL 321.999592
Agroecologia, uma arma contra a desertificação na Caatinga
Agroecologia, uma arma contra a desertificação na Caatinga / foto: © AFP

Agroecologia, uma arma contra a desertificação na Caatinga

"Se as leis não cuidam, nós cuidamos. É isso o que vai mudar o Brasil" em questões ambientais, diz Alcides Peixinho Nascimento, agricultor determinado a salvar a terra onde nasceu, na Bahia, da ameaça da desertificação.

Tamanho do texto:

Em sua busca, esse senhor de 70 anos opta por práticas agroecológicas para recuperar a vegetação nativa e ao mesmo tempo produzir alimentos para seu sustento.

A semiárida Caatinga perdeu mais de 40% do seu território original, segundo a rede MapBiomas.

As secas cada vez mais severas, relacionadas, segundo os especialistas, à mudança climática e à expansão do agronegócio, aumentam a pressão sobre esta região, a mais pobre do país.

No norte da Bahia, um dos dez estados que abrigam a Caatinga, foi recentemente identificada a primeira zona árida do Brasil.

Ao contrário da Amazônia, cuja preservação preocupa o mundo inteiro, o declínio desse bioma não chama a atenção, apesar de também ajudar a capturar as emissões de dióxido de carbono.

"Manter a Caatinga em pé e manter a vida", resume Alcides, com um facão na cintura, enquanto percorre suas terras na Serra da Canabrava, no município baiano de Uauá.

Há quarenta anos, diz ele, era impossível imaginar tal degradação. Agora, o impacto do aquecimento é percebido "com muita facilidade".

Até 2060, nove em cada 10 espécies de flora e fauna da Caatinga poderão desaparecer, alertou um estudo recente publicado na revista científica Global Change Biology.

- Guardiãs -

Para recuperar o bioma ou "recaatingar", Alcides planta o mandacaru, cacto que pode medir até seis metros e cujo fruto serve de alimento para animais e humanos.

Além disso, seus espinhos espantam os predadores, sendo ideal para cercar terras com cultivos de outras espécies nativas e alimentos, como o feijão.

O excedente da produção do mandacaru é vendido como insumo para uma empresa francesa de cosméticos. Isso garante autonomia alimentar e ao mesmo tempo dá ao solo uma vegetação que o protege do clima extremo.

"Onde tem Caatinga em pé ainda hoje, é onde tem comunidades tradicionais presentes" que utilizam estas práticas, explica Luís Almeida Santos, do Instituto Regional de Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), ONG que promove esta forma de convivência com o entorno.

"Elas são, de fato, as guardiãs da Caatinga", acrescenta, em uma área em recuperação na comunidade rural de Baixinha, próximo a Uauá.

- Até a última gota -

O IRPAA também ensina as comunidades a dosar o uso da água para que dure inclusive durante os períodos mais críticos da seca.

Segundo projeções oficiais, 38 milhões de brasileiros poderão sofrer os efeitos da desertificação, que ameaça 140 milhões de hectares, uma superfície maior que a do Peru.

Em seu terreno em Malhada da Areia, subúrbio rural da cidade de Juazeiro, Maria Silvânia Gonçalves dos Santos, de 60 anos, mostra o caminho que a água da chuva percorre desde o momento em que é coletada em uma placa de concreto até chegar ao tanque, alguns metros adiante.

"Aqui toda a água é reaproveitada", diz ela, que dá como exemplo o uso de água filtrada para irrigação de pastagens para animais.

Para fazer a água durar, Gonçalves tem uma lata, uma régua escolar e um caderno: é uma espécie de pluviômetro caseiro com o qual ela calcula o conteúdo restante de sua cisterna de 16 mil litros instalada pelo governo.

Quase um milhão de cisternas como esta foram instaladas desde 2003. Após uma redução drástica no governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), a iniciativa foi reativada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- "Voltar para contribuir" -

Além de assessorar diretamente as famílias, o IRPAA possui um centro de formação em Tourão, próximo à cidade de Juazeiro, onde até o momento já formou cerca de 200 jovens nessas práticas para que possam transmiti-las às suas comunidades.

É o caso de Anderson Santos de Jesus, de 20 anos, que veio da comunidade quilombola de Curral da Pedra, a 200 km de distância, para estudar.

"É muito gratificante, porque a gente que vem do campo não tem muita oportunidade, a gente tem que se deslocar da nossa região pra outra pra buscar o conhecimento. Fico muito feliz por estar conseguindo e saber que algum dia eu vou voltar e poder contribuir", afirma.

Z.Huang--ThChM