The China Mail - Entre disputas de poder, Bolívia se afunda no caos

USD -
AED 3.672502
AFN 65.500465
ALL 80.507244
AMD 365.859852
ANG 1.789991
AOA 916.999689
ARS 1492.0015
AUD 1.416029
AWG 1.8
AZN 1.689175
BAM 1.695263
BBD 2.013964
BDT 122.737142
BGN 1.694378
BHD 0.377053
BIF 2989.524961
BMD 1
BND 1.279801
BOB 11.724171
BRL 5.205096
BSD 0.999918
BTN 95.385656
BWP 13.460347
BYN 3.007294
BYR 19600
BZD 2.011025
CAD 1.39407
CDF 2275.000008
CHF 0.811835
CLF 0.023211
CLP 913.479922
CNY 6.74385
CNH 6.744505
COP 3142.79
CRC 448.992151
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.576349
CZK 20.98535
DJF 178.066518
DKK 6.477185
DOP 58.525
DZD 132.994024
EGP 50.181404
ERN 15
ETB 161.748658
EUR 0.86644
FJD 2.21295
FKP 0.740201
GBP 0.740385
GEL 2.610348
GGP 0.740201
GHS 11.129554
GIP 0.740201
GMD 74.000011
GNF 8784.026836
GTQ 7.628599
GYD 209.201938
HKD 7.847195
HNL 26.806912
HRK 6.527301
HTG 130.788467
HUF 314.859039
IDR 17852
ILS 2.962965
IMP 0.740201
INR 95.40265
IQD 1309.878261
IRR 1374625.000193
ISK 123.190404
JEP 0.740201
JMD 158.197428
JOD 0.708999
JPY 159.2435
KES 129.24956
KGS 87.449825
KHR 4047.014363
KMF 427.999667
KPW 900.000217
KRW 1417.705001
KWD 0.30873
KYD 0.833341
KZT 465.334992
LAK 22560.653208
LBP 89543.419564
LKR 333.32611
LRD 181.491161
LSL 16.13092
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.369156
MAD 9.261974
MDL 17.358291
MGA 4307.049554
MKD 53.333911
MMK 2099.846019
MNT 3597.969266
MOP 8.082069
MRU 40.07073
MUR 47.149646
MVR 15.460129
MWK 1733.944716
MXN 17.05589
MYR 4.086498
MZN 63.905751
NAD 16.13078
NGN 1360.099624
NIO 36.795139
NOK 9.50345
NPR 152.617049
NZD 1.70848
OMR 0.38451
PAB 0.999922
PEN 3.374231
PGK 4.424951
PHP 61.303023
PKR 277.552126
PLN 3.73175
PYG 5967.781779
QAR 3.635016
RON 4.541901
RSD 101.639002
RUB 83.823944
RWF 1472.957921
SAR 3.793913
SBD 8.064941
SCR 13.713083
SDG 600.499613
SEK 9.55321
SGD 1.27984
SHP 0.740866
SLE 24.550139
SLL 20969.502631
SOS 571.473149
SRD 37.722501
STD 20697.981008
STN 21.236115
SVC 8.749355
SYP 13001.99939
SZL 16.135114
THB 33.153963
TJS 9.239471
TMT 3.5
TND 2.934571
TOP 2.40776
TRY 47.774865
TTD 6.780822
TWD 32.0967
TZS 2645.503019
UAH 44.697729
UGX 3712.41966
UYU 40.062929
UZS 11944.334892
VES 765.448038
VND 26075
VUV 118.594628
WST 2.730779
XAF 568.573014
XAG 0.015429
XAU 0.000229
XCD 2.70255
XCG 1.802131
XDR 0.707585
XOF 568.570549
XPF 103.373104
YER 237.149954
ZAR 16.16779
ZMK 9001.201015
ZMW 18.798892
ZWL 321.999592
Entre disputas de poder, Bolívia se afunda no caos
Entre disputas de poder, Bolívia se afunda no caos / foto: © AFP

Entre disputas de poder, Bolívia se afunda no caos

Margarita Ávila, uma comerciante de 66 anos, observa com resignação as barracas fechadas dos seus colegas em um mercado em La Paz. "Tivemos anos lindos (...). Sabíamos o quanto íamos ganhar, o quanto íamos investir", lembra.

Tamanho do texto:

Agora, a escassez de dólares, o clima de protestos e o descrédito das autoridades mergulharam a Bolívia em uma incerteza contínua.

"Não sei mais dos dólares. Não há o que economizar. Tudo é para o dia a dia", reclama Ávila diante de seus produtos não vendidos. "Perdi capital. As coisas sobem de preço da noite para o dia. E como estão brigando, não se importam mais conosco", afirma, aludindo às disputas entre o ex-presidente Evo Morales e seu sucessor, o presidente Luis Arce.

Há mais de um ano, Morales trava uma batalha pelo controle da esquerda com Arce, seu ex-ministro da Economia, a quem acusa de querer "bani-lo" da corrida presidencial de 2025 usando o sistema judicial.

Ambos pertencem ao partido governista Movimento ao Socialismo (MAS), que agora está dividido entre "evistas" e "arcistas".

"É uma crise múltipla (…). Provavelmente a maior delas é a crise política, que aprofundou todas as outras", diz Daniel Valverde, professor de Ciências Políticas da Universidade Gabriel René Moreno da Bolívia.

Na quinta-feira, La Paz tornou-se palco de uma manifestação na qual vários milhares de comerciantes, motoristas, artesãos, profissionais da saúde, trabalhadores têxteis, donas de casa e moradores exigiram que o governo fornecesse uma solução para a crise econômica e instaram-no a tomar medidas dentro de um prazo de 15 dias.

- Gerar "repúdio" -

Em plena crise, o Ministério Público anunciou uma investigação contra Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, pelos supostos abusos de uma menor com quem teria tido uma filha durante o seu mandato.

O caso teve altos e baixos. O Ministério Público emitiu um mandado de prisão que foi anulado e depois anunciou outro que nunca se concretizou. Na semana passada, a procuradora responsável disse ter "algumas pistas", sem especificar quais, e que iria "dar uma surpresa".

Apoiadores do líder cocaleiro bloquearam importantes estradas do país durante 23 dias para exigir o fim da "perseguição judicial". Embora a crise econômica já estivesse em curso, os bloqueios dispararam ainda mais a inflação e a escassez de combustíveis.

Independentemente de os fatos relatados serem verdadeiros ou não, a forma como o caso Morales é tratado "faz parte da instrumentalização da justiça", explica Valverde. "Mais do que processá-lo ou prendê-lo, acho que desejam expô-lo para gerar maior condenação à sua figura. E estão conseguindo", afirma.

Nos últimos dias, o Tribunal Constitucional também fechou o caminho para Morales concorrer a uma nova candidatura, limitando a dois o número máximo de reeleições possíveis.

"É a cultura política boliviana, na qual as instituições funcionam em função dos interesses políticos", explica Ana Lucía Velasco, cientista política que pesquisa a polarização na Bolívia.

"É uma desinstitucionalização aberta e cínica (...). A novidade é que agora algumas instituições respondem aos interesses" de uma facção do MAS, enquanto outras obedecem ao outro lado do partido, afirma.

- Eleições judiciais -

A população desconfia do sistema de justiça. A Bolívia foi o primeiro país do mundo a eleger as suas autoridades judiciais máximas por voto popular, sob o argumento de favorecer a imparcialidade.

Em 2011, na primeira eleição, 60% puniu a medida com voto nulo.

As próximas eleições judiciais serão em 15 de dezembro. O Tribunal Constitucional suspendeu as eleições em cinco dos nove departamentos da Bolívia porque as candidaturas foram contestadas, o que reacende a desconfiança no sistema.

De acordo com o World Justice Project, a Bolívia ocupa a 131ª posição entre 142 países analisados em termos de aplicação da lei.

Os aspirantes a juízes passam por um filtro inicial do Parlamento, processo que "é muito propício para que o Legislativo apresente candidatos em uma pré-seleção que obedece a interesses partidários", observa Gustavo Flores-Macías, pesquisador da Universidade Cornell.

Uma nova composição dos tribunais superiores poderia reverter as decisões que hoje afetam Morales.

X.Gu--ThChM