The China Mail - Adolescentes se tornam 'escravos' do narcotráfico na França

USD -
AED 3.67315
AFN 62.496392
ALL 82.902813
AMD 377.320391
ANG 1.790083
AOA 916.999786
ARS 1397.456097
AUD 1.430602
AWG 1.80225
AZN 1.701457
BAM 1.687977
BBD 2.01456
BDT 122.73608
BGN 1.709309
BHD 0.37751
BIF 2967.5
BMD 1
BND 1.279846
BOB 6.926967
BRL 5.249699
BSD 1.000203
BTN 93.723217
BWP 13.705842
BYN 2.961192
BYR 19600
BZD 2.011712
CAD 1.37645
CDF 2277.497352
CHF 0.788185
CLF 0.023228
CLP 917.15978
CNY 6.892698
CNH 6.893675
COP 3705.42
CRC 466.057627
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.375022
CZK 21.051902
DJF 177.720393
DKK 6.436198
DOP 60.000393
DZD 132.398006
EGP 52.569199
ERN 15
ETB 157.490528
EUR 0.861325
FJD 2.220304
FKP 0.74705
GBP 0.745915
GEL 2.705021
GGP 0.74705
GHS 10.935007
GIP 0.74705
GMD 73.498559
GNF 8777.49346
GTQ 7.659677
GYD 209.341164
HKD 7.82775
HNL 26.519988
HRK 6.492804
HTG 131.152069
HUF 336.463502
IDR 16888.55
ILS 3.12535
IMP 0.74705
INR 94.05385
IQD 1310
IRR 1313024.999887
ISK 123.880039
JEP 0.74705
JMD 157.845451
JOD 0.709023
JPY 158.700503
KES 129.693065
KGS 87.448494
KHR 4010.000161
KMF 425.999653
KPW 899.971148
KRW 1498.369856
KWD 0.306479
KYD 0.833571
KZT 482.866057
LAK 21575.000162
LBP 89549.999827
LKR 314.407654
LRD 183.650171
LSL 17.049912
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.369698
MAD 9.325968
MDL 17.4948
MGA 4159.999918
MKD 53.105008
MMK 2099.628947
MNT 3568.971376
MOP 8.061125
MRU 40.130066
MUR 47.874953
MVR 15.460338
MWK 1735.999659
MXN 17.748014
MYR 3.956501
MZN 63.90965
NAD 17.050462
NGN 1379.720037
NIO 36.719796
NOK 9.693804
NPR 149.95361
NZD 1.713256
OMR 0.384446
PAB 1.000203
PEN 3.458499
PGK 4.311498
PHP 59.930159
PKR 279.074978
PLN 3.67955
PYG 6526.476592
QAR 3.644501
RON 4.388602
RSD 101.162791
RUB 80.500172
RWF 1459
SAR 3.753872
SBD 8.041975
SCR 14.891243
SDG 600.999619
SEK 9.307115
SGD 1.278202
SHP 0.750259
SLE 24.595264
SLL 20969.510825
SOS 571.502171
SRD 37.339918
STD 20697.981008
STN 21.575
SVC 8.752314
SYP 110.977546
SZL 17.049478
THB 32.539929
TJS 9.597587
TMT 3.51
TND 2.902008
TOP 2.40776
TRY 44.345795
TTD 6.795811
TWD 31.915501
TZS 2570.000074
UAH 43.928935
UGX 3745.690083
UYU 40.762429
UZS 12205.000212
VES 458.87816
VND 26357
VUV 119.458227
WST 2.748874
XAF 566.134155
XAG 0.014018
XAU 0.000224
XCD 2.70255
XCG 1.802694
XDR 0.704159
XOF 564.503248
XPF 103.44991
YER 238.591881
ZAR 16.98248
ZMK 9001.200215
ZMW 18.929544
ZWL 321.999592
Adolescentes se tornam 'escravos' do narcotráfico na França
Adolescentes se tornam 'escravos' do narcotráfico na França / foto: © AFP

Adolescentes se tornam 'escravos' do narcotráfico na França

"Olá. A rede nos sequestrou. Por favor, chamem a polícia". Esta mensagem angustiante, recebida por clientes de um ponto de venda de drogas em Marselha, sul da França, expõe a dificuldade das autoridades do país em conter o recrutamento de adolescentes por redes de narcotráfico.

Tamanho do texto:

Segundo o promotor de Marselha, Nicolas Bessone, menores são frequentemente vítimas de violência extrema.

"Com frequência temos menores vítimas de violência muito grave, sequestrados, multados, que já não conseguem sair das redes", afirmou à AFP. No entanto, "a lei do silêncio se impõe, ninguém denuncia", acrescentou, ao dizer que já não hesita em tratar esses casos como tráfico de seres humanos.

Nos últimos anos, a França registrou um aumento da violência ligada ao tráfico de drogas. Apenas em 2024, foram 110 mortos e 341 feridos. Marselha, na costa do Mediterrâneo, tornou-se o símbolo desse cenário.

Desde pouco antes da pandemia de covid-19, centenas de adolescentes passaram a atuar nesses pontos de venda. Muitos entram em conflito com as famílias e são recrutados pelas redes sociais. Alguns vêm de outras regiões do país.

Uma ativista afirma que os jovens são atraídos por falsas promessas. "Eles fazem acreditar que é o trabalho dos sonhos, mas 100 euros (cerca de 630 reais) por vigiar das 10h00 à meia-noite é exploração", disse, sob condição de anonimato. O receio aumentou após o assassinato, em novembro, do irmão de um militante contra o narcotráfico.

- Estupros -

Hakim, nome fictício, viveu essa experiência. No fim de 2020, deixou a região de Paris e foi para Marselha. Seu caso é um dos poucos que resultaram em ações judiciais, já que as vítimas quase nunca denunciam.

Poucos dias após sua chegada à cidade, ele abordou policiais que patrulhavam o bairro da Busserine, na empobrecida zona norte de Marselha, e pediu que o retirassem dali.

Apesar de ter ido à cidade por conta própria, o adolescente de 15 anos perdeu o celular logo ao chegar. Foi obrigado a dormir na casa de uma proprietária descrita como "muito mesquinha", onde tinha apenas uma bacia de água para seu asseio e um biscoito para dividir, segundo relato aos investigadores.

Sua função era vigiar e gritar quando a polícia chegasse. Acusado de falhar em um alerta, passou a sofrer agressões.

O encarregado do ponto de venda de drogas, um pouco mais velho, o ameaçou com uma faca e perguntou: "O que você estaria disposto a fazer para continuar vivo? Estaria disposto a me chupar?".

Hakim foi estuprado. Disseram-lhe que o abuso havia sido filmado para garantir seu silêncio.

Outro caso semelhante deve chegar aos tribunais no início de fevereiro. Em 2022, no bairro de Frais-Vallon, dois adolescentes foram acusados de dar um desfalque de 500 euros (cerca de 3,2 mil reais) no caixa.

Eles passaram a inserir bilhetes nas embalagens entregues aos clientes: "Olá. A rede nos sequestrou. Por favor, chamem a polícia. Nos obrigam a vender de graça há 1 mês e nos espancam com barras. Por favor, chamem a polícia, precisamos de ajuda (temos 15 anos)".

Os dois pularam do segundo andar do prédio onde eram mantidos cativos em um apartamento para fugir. Os bombeiros chegaram após a ligação de um pedestre.

Segundo o diretor de uma instituição que acolhe menores infratores, a violência agora se estende às famílias. Ele afirma que parentes, inclusive uma "irmã", chegam a ser estuprados para forçar pagamentos ou aumentar a carga de trabalho.

- Mudança de abordagem -

Diante desse cenário, a Justiça passou a rever sua abordagem. Em vez de tratar esses jovens apenas como delinquentes, passou a considerá-los vítimas de exploração por organizações criminosas.

Para Isabelle Fort, responsável pelo polo de crime organizado da Promotoria de Marselha, muitos entram nas redes sem compreender o que os espera. "Eles chegavam voluntariamente dizendo, ‘Vou entrar em uma rede’, e logo se desiludiam, pois na verdade eram tratados como escravos", afirmou.

Em julho, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) alertou que "é contrário ao direito internacional que crianças vítimas de exploração criminosa continuem sendo alvo de processos e sanções penais na França, em vez de serem consideradas e atendidas como vítimas".

O organismo lembra que, em países como Bélgica e Reino Unido, leis recentes determinam "que as vítimas do tráfico não devem ser punidas por delitos cometidos sob coerção".

Em janeiro, o ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, recomendou que esses casos sejam tratados "sob o ângulo da repressão ao tráfico de seres humanos", conceito geralmente aplicado a situações de exploração sexual e mendicância forçada.

A Promotoria de Marselha informou à AFP que abriu cerca de dez investigações com esse enfoque.

A promotora adjunta Céline Raignault, no entanto, alerta para o risco de "desresponsabilizar completamente os jovens que viriam ao sol de Marselha porque se paga melhor do que em outros lugares".

Sem alternativas concretas para afastá-los do narcotráfico, a eficácia dessa mudança ainda é incerta.

Para o diretor da instituição, o caminho passa por reconstruir rotinas básicas. "Seria preciso levá-los para o campo e voltar a considerá-los como crianças", disse, citando atividades simples como jogos de tabuleiro e cozinhar, a fim de romper com um cotidiano marcado pela violência.

D.Peng--ThChM