The China Mail - Da radiação à invasão: as duas guerras de um trabalhador de Chernobyl

USD -
AED 3.672496
AFN 63.501861
ALL 82.78735
AMD 368.501999
ANG 1.790403
AOA 917.000443
ARS 1471.017197
AUD 1.445379
AWG 1.80125
AZN 1.69651
BAM 1.718856
BBD 2.018008
BDT 123.091796
BGN 1.69088
BHD 0.377018
BIF 2985
BMD 1
BND 1.297974
BOB 6.938524
BRL 5.199597
BSD 1.001973
BTN 94.864877
BWP 13.624819
BYN 2.814079
BYR 19600
BZD 2.015116
CAD 1.421025
CDF 2268.999834
CHF 0.809755
CLF 0.023222
CLP 913.970076
CNY 6.7905
CNH 6.79209
COP 3430.69
CRC 454.535468
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.906446
CZK 21.275697
DJF 177.719974
DKK 6.567825
DOP 58.644918
DZD 133.63704
EGP 49.723502
ERN 15
ETB 161.535521
EUR 0.878602
FJD 2.2442
FKP 0.754878
GBP 0.75755
GEL 2.644999
GGP 0.754878
GHS 11.246649
GIP 0.754878
GMD 72.999997
GNF 8779.291769
GTQ 7.644241
GYD 209.623413
HKD 7.84095
HNL 26.807458
HRK 6.619595
HTG 131.00145
HUF 312.239502
IDR 17929.4
ILS 2.99632
IMP 0.754878
INR 95.18395
IQD 1312.563167
IRR 1374999.999704
ISK 126.519725
JEP 0.754878
JMD 157.717811
JOD 0.708994
JPY 161.557501
KES 129.450092
KGS 87.449563
KHR 4021.248643
KMF 431.00039
KPW 900.00035
KRW 1534.634982
KWD 0.30896
KYD 0.834996
KZT 487.384102
LAK 22188.337654
LBP 89725.095575
LKR 335.228721
LRD 182.352683
LSL 16.522564
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.429642
MAD 9.377774
MDL 17.639408
MGA 4185.964758
MKD 54.153433
MMK 2099.387374
MNT 3579.000015
MOP 8.091488
MRU 39.79664
MUR 47.960121
MVR 15.459547
MWK 1737.391847
MXN 17.55055
MYR 4.149104
MZN 63.902755
NAD 16.522564
NGN 1370.119875
NIO 36.867777
NOK 9.794005
NPR 151.78296
NZD 1.764215
OMR 0.38444
PAB 1.001977
PEN 3.39166
PGK 4.394272
PHP 61.389497
PKR 278.668893
PLN 3.763396
PYG 6107.983882
QAR 3.652503
RON 4.609897
RSD 103.152936
RUB 74.499974
RWF 1469.343633
SAR 3.755291
SBD 8.065041
SCR 13.385015
SDG 600.508288
SEK 9.73616
SGD 1.296697
SHP 0.746601
SLE 24.74989
SLL 20969.503664
SOS 572.656446
SRD 37.482993
STD 20697.981008
STN 21.530796
SVC 8.767412
SYP 110.532098
SZL 16.517116
THB 33.272971
TJS 9.293141
TMT 3.51
TND 2.965857
TOP 2.40776
TRY 46.4755
TTD 6.803181
TWD 31.714904
TZS 2624.997992
UAH 44.976754
UGX 3667.442985
UYU 40.189832
UZS 12038.49365
VES 616.865275
VND 26325
VUV 118.758526
WST 2.756325
XAF 576.48558
XAG 0.01617
XAU 0.000243
XCD 2.70255
XCG 1.805774
XDR 0.716966
XOF 576.48558
XPF 104.811706
YER 238.649684
ZAR 16.53634
ZMK 9001.1971
ZMW 17.97425
ZWL 321.999592
Da radiação à invasão: as duas guerras de um trabalhador de Chernobyl
Da radiação à invasão: as duas guerras de um trabalhador de Chernobyl / foto: © AFP

Da radiação à invasão: as duas guerras de um trabalhador de Chernobyl

Nikolai Soloviov travou sua "primeira guerra", contra a radiação, em 1986, na usina nuclear de Chernobyl. Quatro décadas depois, a "outra guerra", desta vez contra a invasão russa da Ucrânia, lhe tirou um filho.

Tamanho do texto:

Este fã de rock pesado ainda conserva o cabelo comprido da juventude, agora grisalho.

Na noite do pior acidente nuclear da história, em 26 de abril de 1986, Soloviov era "mecânico de turbinas" na unidade 2, a centenas de metros do reator 4, que explodiu durante um teste, conta com precisão à AFP.

"Senti como se fosse um terremoto. As turbinam continuavam girando, um barulho muito forte, e eu não ouvi a explosão", descreve este homem de 67 anos.

Os alarmes soaram. Então, ele se dirigiu ao reator número 4. No caminho, cruzou com um colega irradiado que vomitava, com outro que era transportado em uma maca e com mais um desabado sobre seu computador, com a cabeça entre os braços.

Todos morreram pouco depois.

A magnitude da catástrofe era óbvia. Ele viu "o céu" através do buraco causado pela explosão. Nos corredores, torrentes de água jorravam dos tubos rompidos.

Os bombeiros intervieram no reator fumegante. "Não deixaram que o fogo se propagasse", conta Soloviov.

Quase todos estes socorristas morreram, queimados pela radiação.

Ao amanhecer, falou com seus companheiros sobre o tempo de vida que ainda lhes restava. "Duas semanas", disse um. Então Nikolai Soloviov voltou a fumar: "um charuto cubano".

Ele havia parado cinco meses antes, mas "melhor morrer jovem e bonito", brinca agora.

- "Agradar os soviéticos" -

Na manhã de 26 de abril de 1986, terminou seu turno. A equipe matutina assumiu o comando. Foi de ônibus para Pripiat, a cidade onde os funcionários estavam alojados, a três quilômetros da usina.

Nas ruas, as pessoas continuavam com sua rotina. A única coisa diferente eram os caminhões que borrifavam as calçadas com um "detergente" espumoso.

Ao chegar, ele disse à esposa para se trancar dentro de casa.

Durante dias, as autoridades soviéticas ocultaram a catástrofe que enfraqueceu a URSS mais do que já estava.

Nikolai Soloviov permaneceu na central durante a "liquidação", a construção do primeiro sarcófago e, posteriormente, do segundo, danificado em 2025 por um ataque com drone russo.

Também esteve em 1991, durante um grave incêndio na unidade 2.

A usina produziu eletricidade até o ano 2000 e, desde então, várias equipes trabalham em seu interior para garantir a segurança.

Soloviov se tornou engenheiro. Ficou porque o trabalho era "interessante", com salários altos e "muitas férias".

Na sua opinião, o teste de 1986 era "perigoso", mas a direção insistiu em realizá-lo para agradar as autoridades soviéticas.

Ele considera que "apenas a URSS" tinha os meios para realizar as operações de "liquidação", nas quais participaram centenas de milhares de pessoas e outras tantas foram evacuadas.

Soloviov viu dezenas de conhecidos morrerem de câncer.

De sua equipe da noite, apenas quatro funcionários, de um total de 22, continuam vivos.

Em 2005, um polêmico relatório da ONU estimou em 4 mil o número de mortos confirmados ou futuros na Rússia, Ucrânia e Belarus. Um ano depois, a ONG Greenpeace calculou que 100 mil pessoas morreram.

- "Guerra atômica" -

Nikolai esteve exposto a fortes doses de radiação. Ele atribui a sua sobrevivência à "boa saúde", à prática de esporte, ao seu caráter sereno e aos seus genes.

"Tenho que agradecer a Deus e aos meus pais por terem me dado bons genes", declara.

Vive em sua casa de campo perto de Slavutich, uma cidade fundada em 1986, a 120 quilômetros de Kiev, para acolher os deslocados.

No museu local dedicado a Chernobyl são exibidos restos de drones russos derrubados.

"Isso é a outra guerra", comenta Nikolai Soloviov.

Na praça central de Slavutich, ele fala da sua primeira guerra "atômica" contra o veneno invisível e inodoro da radiação.

"Aqui, as pessoas dizem 'antes ou depois da guerra' ao se referirem a 26 de abril de 1986. E agora dizem que já estamos vivendo a segunda guerra da nossa geração", explica.

Na madrugada de 23 para 24 de fevereiro de 2022, ele partiu em direção à central. Nunca chegou porque as duas pontes que levavam até lá estavam destruídas.

O exército russo tomou Chernobyl e a ocupou durante um mês.

O filho mais novo de Nikolai Soloviov se alistou nas forças ucranianas. Em setembro de 2023, foi dado como desaparecido na frente de batalha.

Soloviov ficou sem forças para trabalhar e se aposentou.

W.Cheng--ThChM