The China Mail - Sebastião Salgado, o fotojornalismo elevado ao status de obra de arte

USD -
AED 3.672504
AFN 66.503991
ALL 80.629676
AMD 365.091035
AOA 917.000367
ARS 1491.937897
AUD 1.417435
AWG 1.80125
AZN 1.70397
BAM 1.691649
BBD 2.00813
BDT 123.418242
BHD 0.375989
BIF 2985.079791
BMD 1
BND 1.277602
BOB 11.849673
BRL 5.083304
BSD 0.997016
BTN 94.875232
BWP 13.457596
BYN 2.968819
BYR 19600
BZD 2.00519
CAD 1.39515
CDF 2262.50392
CHF 0.80949
CLF 0.023206
CLP 913.315746
CNY 6.747604
CNH 6.743285
COP 3142.844787
CRC 453.228387
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.372573
CZK 20.982104
DJF 177.546166
DKK 6.46804
DOP 58.20179
DZD 132.308956
EGP 49.555853
ERN 15
ETB 160.923669
EUR 0.86495
FJD 2.20855
FKP 0.74148
GBP 0.742583
GEL 2.610391
GGP 0.74148
GHS 11.700039
GIP 0.74148
GMD 73.503851
GNF 8756.649224
GTQ 7.607144
GYD 208.588851
HKD 7.842304
HNL 26.723176
HRK 6.518804
HTG 130.363707
HUF 314.060388
IDR 17801
ILS 2.99985
IMP 0.74148
INR 95.210504
IQD 1306.058902
IRR 1375550.000352
ISK 123.340386
JEP 0.74148
JMD 158.335856
JOD 0.70904
JPY 157.80604
KES 129.014401
KGS 87.450384
KHR 4049.647537
KMF 426.00035
KRW 1407.860383
KWD 0.30866
KYD 0.830861
KZT 467.275008
LAK 22510.919863
LBP 89282.792025
LKR 334.420274
LRD 179.959348
LSL 16.197552
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.341738
MAD 9.29222
MDL 17.337716
MGA 4254.638239
MKD 53.219738
MMK 2099.549369
MNT 3595.852714
MOP 8.056654
MRU 40.080439
MUR 47.070378
MVR 15.450378
MWK 1728.841413
MXN 17.380378
MYR 4.090104
MZN 63.905039
NAD 16.197552
NGN 1364.860377
NIO 36.690741
NOK 9.51237
NPR 151.800372
NZD 1.701115
OMR 0.382693
PAB 0.997016
PEN 3.376465
PGK 4.406003
PHP 60.705038
PKR 276.796523
PLN 3.719205
PYG 5928.296501
QAR 3.644596
RON 4.536304
RSD 101.492021
RUB 81.598409
RWF 1466.072741
SAR 3.744756
SBD 8.065696
SCR 14.449077
SDG 600.503676
SEK 9.480804
SGD 1.269504
SLE 24.603667
SOS 569.822255
SRD 37.866504
STD 20697.981008
STN 21.191022
SVC 8.723782
SZL 16.194265
THB 33.050369
TJS 9.197509
TMT 3.51
TND 2.929032
TRY 47.697504
TTD 6.757774
TWD 32.250604
TZS 2639.622886
UAH 44.653894
UGX 3714.050945
UYU 40.133201
UZS 11924.058297
VES 755.762404
VND 26204.5
VUV 118.557141
WST 2.733716
XAF 567.363231
XAG 0.015731
XAU 0.00023
XCD 2.70255
XCG 1.796912
XDR 0.705618
XOF 567.363231
XPF 103.152705
YER 238.403589
ZAR 16.14632
ZMK 9001.203584
ZMW 18.818492
ZWL 321.999592
Sebastião Salgado, o fotojornalismo elevado ao status de obra de arte
Sebastião Salgado, o fotojornalismo elevado ao status de obra de arte / foto: © AFP

Sebastião Salgado, o fotojornalismo elevado ao status de obra de arte

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, falecido, nesta sexta-feira (23), aos 81 anos, imortalizou durante cinco décadas o pior e o melhor do planeta: dos remotos tesouros naturais às calamidades humanas, com um estilo inconfundível que aliou beleza e engajamento.

Tamanho do texto:

Autodidata, Salgado, que também tinha a nacionalidade francesa, deixa um testemunho icônico de centenas de viagens, publicado tanto em grandes revistas, como "Life" e "Time", quanto exibido em museus de capitais como Paris, onde viveu boa parte de sua vida.

De Ruanda à Guatemala, passando por Indonésia e Bangladesh, o brasileiro fotografou situações de fome, guerras, êxodos e exploração do trabalho no Terceiro Mundo, com um olhar empático e não condescendente "de quem vem da mesma parte do mundo", como costumava dizer.

Seu universo em preto e branco, de estética elegante, também foi uma celebração das paisagens mais belas, como os 'rios voadores' da Amazônia, e ao mesmo tempo um alerta da necessidade de protegê-las diante da emergência climática.

Salgado recebeu prêmios de prestígio, como o Príncipe de Astúrias e o Prêmio Internacional da Fundação Hasselblad, e foi protagonista do documentário indicado ao Oscar "O Sal da Terra", de Wim Wenders, sobre suas viagens a locais remotos como o Círculo Polar Ártico e Papua Nova Guiné, que alimentaram seu livro, "Gênesis" (2013).

- África, Reagan e minas -

Nascido em 8 de fevereiro de 1944 na cidade de Aimorés, zona rural de Minas Gerais, Salgado criou-se com sete irmãs na fazenda de seu pai, um criador de gado. Da infância em uma terra onde visitar um amigo demandava dias de viagem, ele disse ter aprendido a paciência, primordial para um fotógrafo que deve saber esperar "a fração de segundo" que quer captar.

Iniciou estudos em direito, mas em seguida mudou para Economia, com mestrado na Universidade de São Paulo. Militante de esquerda, mudou-se para a França em 1969, fugindo da ditadura no Brasil, ao lado de quem seria sua companheira de vida, Lélia Wanick.

Trabalhando na Organização Internacional do Café, Salgado viajava frequentemente para a África, onde começou a fotografar, após experimentar pela primeira vez em 1970 uma câmera que Lélia tinha comprado.

"Me dei conta de que as fotos davam mais prazer do que os informes econômicos", confessou.

Salgado descartou, então, uma polpuda oferta de trabalho no Banco Mundial, em Washington, para se dedicar à fotografia. Enquanto isso, Lélia criaria praticamente sozinha os dois filhos do casal: Juliano Ribeiro e Rodrigo, nascido com síndrome de Down.

A África, onde se sentia "em casa" pelo peso cultural do continente no Brasil desde os tempos da escravidão, foi tema de suas primeiras reportagens sobre secas e episódios de fome em países como Níger e Etiópia, o que lhe abriu as portas da lendária agência Magnum em 1979.

Com ela, foi em uma ocasião fotógrafo de uma 'breaking news' mundial: a tentativa de assassinato de Ronald Reagan em 1981, um evento que presenciou enquanto cobria um ato do presidente em um hotel, tendo tirado 76 fotos em 60 segundos.

Mas foi com seu primeiro livro, "Outras Américas" (1984), um retrato dos povos indígenas, que ele alcançou a fama, consagrada dois anos depois com as fotos da Serra Pelada (Pará), a maior mina de ouro do mundo a céu aberto, onde durante 35 dias conviveu com milhares de homens cobertos de lama e em condições desumanas.

Seguiu-se outra obra antológica, "Êxodos" (2000), sobre migrações forçadas em 40 países.

Alguns críticos o acusaram de adotar a "estética da miséria", mas Salgado os ignorou, mantendo a fé em seu trabalho.

- Bolsonaro na mira -

Antes de bater a foto, "é preciso estar ligado ao fenômeno", explicava Salgado, justificando o tempo dedicado a seus personagens, os quais retratava com as três câmeras Leica que levava penduradas no pescoço.

A fotografia é "minha maneira de vida. O que fotografo corresponde à minha ideologia, ao meu comportamento, à minha atividade humana e política, vai tudo junto", admitiu à AFP em 2022, ao apresentar em São Paulo sua exposição, "Amazônia", fruto de um trabalho de sete anos na maior floresta tropical do mundo.

Comprometido com a causa ambiental, Salgado foi um crítico ferrenho do ex-presidente ultradireitista Jair Bolsonaro (2019-2022) por sua política de abrir a Amazônia a atividades como a agricultura e a mineração.

Em seu estado natal, fundou ainda o Instituto Terra para regenerar as florestas e a biodiversidade, desaparecidas com o desmatamento, um projeto bem sucedido ao qual até 2022 tinham aderido cerca de 3.000 proprietários de terras.

Perguntado sobre o que aprendeu durante seu périplo planetário, Salgado resumiu em 2016: "Que existe uma coisa artificial que se chama fronteiras. Em todas as partes vi o mesmo ser humano. O estrangeiro não existe".

S.Davis--ThChM