The China Mail - Lucrecia Martel em Veneza: 'cinema é algo muito poderoso em época de desesperança para humanidade'

USD -
AED 3.67315
AFN 63.498275
ALL 82.650415
AMD 377.19471
ANG 1.790083
AOA 917.000229
ARS 1377.505902
AUD 1.436111
AWG 1.80225
AZN 1.701294
BAM 1.686202
BBD 2.015182
BDT 122.789623
BGN 1.709309
BHD 0.379025
BIF 2967.5
BMD 1
BND 1.279061
BOB 6.913944
BRL 5.229898
BSD 1.000522
BTN 94.115213
BWP 13.635619
BYN 2.965482
BYR 19600
BZD 2.012485
CAD 1.379739
CDF 2277.502679
CHF 0.790703
CLF 0.023154
CLP 914.269798
CNY 6.892699
CNH 6.90198
COP 3706.14
CRC 465.236584
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.375
CZK 21.115896
DJF 178.186662
DKK 6.45292
DOP 60.000173
DZD 132.290034
EGP 52.479301
ERN 15
ETB 157.49948
EUR 0.86359
FJD 2.24525
FKP 0.747226
GBP 0.747235
GEL 2.704982
GGP 0.747226
GHS 10.934981
GIP 0.747226
GMD 73.498776
GNF 8777.491204
GTQ 7.657854
GYD 209.347342
HKD 7.818102
HNL 26.520293
HRK 6.5016
HTG 131.207187
HUF 333.452993
IDR 16855
ILS 3.11639
IMP 0.747226
INR 93.76695
IQD 1310
IRR 1313024.999795
ISK 123.660217
JEP 0.747226
JMD 157.605908
JOD 0.708983
JPY 159.115502
KES 129.69594
KGS 87.449203
KHR 4009.999988
KMF 425.999541
KPW 900.014346
KRW 1498.609943
KWD 0.306096
KYD 0.833829
KZT 482.773486
LAK 21574.999721
LBP 89549.999921
LKR 314.680461
LRD 183.650407
LSL 17.050185
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.370113
MAD 9.326012
MDL 17.495667
MGA 4160.000087
MKD 53.209766
MMK 2100.167588
MNT 3569.46809
MOP 8.057787
MRU 40.129468
MUR 46.490528
MVR 15.460178
MWK 1735.999991
MXN 17.753905
MYR 3.965053
MZN 63.910271
NAD 17.050345
NGN 1381.549601
NIO 36.72028
NOK 9.686675
NPR 150.586937
NZD 1.71826
OMR 0.384501
PAB 1.000578
PEN 3.458501
PGK 4.311505
PHP 59.943
PKR 279.074975
PLN 3.69062
PYG 6510.184287
QAR 3.6445
RON 4.398796
RSD 101.422005
RUB 81.020779
RWF 1459
SAR 3.751543
SBD 8.041975
SCR 13.646466
SDG 600.999912
SEK 9.31405
SGD 1.27975
SHP 0.750259
SLE 24.601206
SLL 20969.510825
SOS 571.499295
SRD 37.3405
STD 20697.981008
STN 21.47
SVC 8.755292
SYP 110.948257
SZL 17.049844
THB 32.559758
TJS 9.58109
TMT 3.51
TND 2.902056
TOP 2.40776
TRY 44.3549
TTD 6.803525
TWD 31.926009
TZS 2570.058989
UAH 43.92958
UGX 3702.186911
UYU 40.504889
UZS 12205.000225
VES 458.87816
VND 26350
VUV 119.508072
WST 2.738201
XAF 565.560619
XAG 0.013743
XAU 0.00022
XCD 2.70255
XCG 1.803352
XDR 0.702492
XOF 564.51917
XPF 103.450284
YER 238.593347
ZAR 16.922695
ZMK 9001.193009
ZMW 18.736367
ZWL 321.999592
Lucrecia Martel em Veneza: 'cinema é algo muito poderoso em época de desesperança para humanidade'
Lucrecia Martel em Veneza: 'cinema é algo muito poderoso em época de desesperança para humanidade' / foto: © AFP

Lucrecia Martel em Veneza: 'cinema é algo muito poderoso em época de desesperança para humanidade'

A cineasta Lucrecia Martel reivindica em 'Nuestra tierra', seu documentário apresentado no Festival de Cinema de Veneza, os direitos dos indígenas e denuncia novamente o racismo em sua Argentina natal, com um filme que fala sobre dominação, memória e migração.

Tamanho do texto:

Partindo do julgamento dos suspeitos do assassinato de Javier Chocobar, ocorrido em Tucumán em 2009, Martel traça um retrato da comunidade Chuschagasta, ameaçada de ser despojada das terras que habita, e conta uma história muito mais ampla que aborda temas como a memória e o racismo.

O assassinato foi gravado em vídeo e, quando Martel o encontrou, percebeu que "era um cara que tinha ido filmar e tinha um revólver, e me pareceu extremamente pertinente, como pessoa que trabalha com imagens e som, investigá-lo", explica a cineasta argentina durante uma entrevista à AFP em Veneza.

"E também porque tinha exatamente a ver com o que me preocupa muito: o racismo na Argentina", enfatiza Martel, de 58 anos, natural de Salta, no noroeste do país.

Sem narrador e com uma infinidade de imagens de arquivo, são os próprios membros da comunidade Chuschagasta que contam sua história.

Homens e mulheres que um dia migraram para Buenos Aires em busca de uma vida melhor e outros que ficaram, reivindicando seus direitos sobre a terra onde nasceram, a terra de seus ancestrais.

- A identidade, "uma armadilha"-

No entanto, conseguir que as pessoas se manifestassem era, por vezes, um desafio. Uma das participantes levou dez anos para confiar nela e mostrar-lhe suas fotos.

Trata-se de "pessoas que foram decepcionadas por todos os governos, de todos os signos políticos; pela universidade, pelos acadêmicos, pelos hippies", justifica a também diretora de 'Zama'.

"Com todas as decepções que têm do mundo urbano, por que confiaria em mim?", questiona.

Outro desafio que teve de enfrentar ao realizar 'Nuestra tierra', fora de competição na Mostra, foi o dos seus próprios "preconceitos".

"Muitas vezes eu estava preocupada em conseguir documentos e fotos, sem compreender bem que se trata de uma pessoa, uma família que perdeu um membro, sem ter delicadeza com isso", reconhece.

Com seu relato, os membros da comunidade destacam uma história não contada e amplamente ignorada pelas instituições.

"Todos os presidentes, desde [Raúl] Alfonsín até hoje, têm alguma frase (...) em que dizem que a Argentina é formada por imigrantes. Como sempre, esquecem-se dos povos indígenas", observa Martel.

Mesmo assim, ela não pretendia abordar o tema da identidade, embora ele esteja presente no filme, ressalta.

"Eu não acredito na identidade, acho que é uma armadilha que obriga as pessoas a fazer algo que elas não sabem", afirma. "A identidade não é nada fixo, é um fenômeno mais complexo do que esse nome que lhe demos e da maneira como a definimos", acrescenta.

Martel levou mais de quinze anos para realizar este documentário e admite que pode ter cometido "erros". Mas, pelo menos, diz, o material documental permanecerá para sempre. E isso já é muito.

"Suponhamos que o filme seja um erro absoluto, que não sirva para nada, que eu não tenha compreendido de forma alguma os problemas da comunidade. Pelo menos, as fotos e os documentos foram digitalizados; estão organizados e guardados em um disco", observa.

Antes de concluir, Martel reitera um apelo aos seus colegas mais jovens, para que "não percam a força nem a fé no que fazemos: o cinema é algo muito poderoso em uma época de desesperança da humanidade".

I.Ko--ThChM