The China Mail - Revés legislativo de Milei adiciona incertezas à crise na Argentina

USD -
AED 3.672502
AFN 65.50415
ALL 80.507244
AMD 365.01064
ANG 1.789879
AOA 917.000095
ARS 1492.519411
AUD 1.418078
AWG 1.8
AZN 1.689513
BAM 1.695263
BBD 2.013964
BDT 122.737142
BGN 1.695588
BHD 0.377053
BIF 2989.524961
BMD 1
BND 1.279801
BOB 11.724171
BRL 5.1819
BSD 0.999918
BTN 95.385656
BWP 13.460347
BYN 3.007294
BYR 19600
BZD 2.011025
CAD 1.394935
CDF 2275.000054
CHF 0.81266
CLF 0.023222
CLP 913.970338
CNY 6.74385
CNH 6.74491
COP 3148.12
CRC 448.992151
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.576349
CZK 21.005302
DJF 178.066518
DKK 6.481599
DOP 58.525
DZD 132.927353
EGP 50.278399
ERN 15
ETB 161.748658
EUR 0.86704
FJD 2.21445
FKP 0.740201
GBP 0.741185
GEL 2.609656
GGP 0.740201
GHS 11.129554
GIP 0.740201
GMD 73.999606
GNF 8784.026836
GTQ 7.628599
GYD 209.201938
HKD 7.84695
HNL 26.806912
HRK 6.531898
HTG 130.788467
HUF 314.595996
IDR 17857
ILS 2.981155
IMP 0.740201
INR 95.40865
IQD 1309.878261
IRR 1374625.000306
ISK 123.289894
JEP 0.740201
JMD 158.197428
JOD 0.709025
JPY 159.327499
KES 129.339769
KGS 87.449743
KHR 4047.014363
KMF 427.999933
KPW 899.999851
KRW 1420.455019
KWD 0.30877
KYD 0.833341
KZT 465.334992
LAK 22560.653208
LBP 89543.419564
LKR 333.32611
LRD 181.491161
LSL 16.13092
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.369156
MAD 9.261974
MDL 17.358291
MGA 4307.049554
MKD 53.333911
MMK 2099.846019
MNT 3597.969266
MOP 8.082069
MRU 40.07073
MUR 47.149994
MVR 15.45993
MWK 1733.944716
MXN 17.05351
MYR 4.087009
MZN 63.898097
NAD 16.13078
NGN 1360.390081
NIO 36.795139
NOK 9.525403
NPR 152.617049
NZD 1.71103
OMR 0.384506
PAB 0.999922
PEN 3.374231
PGK 4.424951
PHP 61.309713
PKR 277.552126
PLN 3.732265
PYG 5967.781779
QAR 3.635016
RON 4.546989
RSD 101.700985
RUB 84.076121
RWF 1472.957921
SAR 3.793913
SBD 8.064941
SCR 13.712904
SDG 600.501194
SEK 9.562105
SGD 1.28006
SHP 0.740866
SLE 24.549903
SLL 20969.503586
SOS 571.473149
SRD 37.669903
STD 20697.981008
STN 21.236115
SVC 8.749355
SYP 13002.000116
SZL 16.135114
THB 33.1355
TJS 9.239471
TMT 3.5
TND 2.934571
TOP 2.40776
TRY 47.77525
TTD 6.780822
TWD 32.13899
TZS 2645.502953
UAH 44.697729
UGX 3712.41966
UYU 40.062929
UZS 11944.334892
VES 765.391543
VND 26075
VUV 118.594628
WST 2.730779
XAF 568.573014
XAG 0.015361
XAU 0.000228
XCD 2.70255
XCG 1.802131
XDR 0.707585
XOF 568.570549
XPF 103.373104
YER 237.15012
ZAR 16.11924
ZMK 9001.201104
ZMW 18.798892
ZWL 321.999592
Revés legislativo de Milei adiciona incertezas à crise na Argentina
Revés legislativo de Milei adiciona incertezas à crise na Argentina / foto: © AFP

Revés legislativo de Milei adiciona incertezas à crise na Argentina

O revés parlamentar do pacote de reformas do presidente argentino, Javier Milei, após a retirada do apoio de deputados aliados, adiciona incertezas em relação à governabilidade e empurra a Argentina para uma nova crise socioeconômica, afirmam analistas.

Tamanho do texto:

A lei de reformas que o presidente de extrema direita ambicionava já tinha sido dizimada quando Milei retirou o capítulo fiscal e dezenas de artigos a fim de conseguir a aprovação do texto amplo na Câmara dos Deputados.

Mas, apesar disso não conseguiu evitar o naufrágio do projeto no debate por artigos na terça-feira e tudo voltou à estaca zero em uma situação parlamentar inédita.

"Milei se arriscou ao não negociar, houve imperícia parlamentar, mas também uma decisão política porque tem um profundo desprezo pela negociação e pelo acordo político. Dessa forma não se pode governar", disse à AFP Sergio Morresi, pesquisador e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP).

Outro pacote de reformas e desregulamentações econômicas impostas pelo mega-decreto em vigor desde 30 de dezembro está sob análise da Justiça, que já declarou inconstitucional a parte relativa ao trabalho e analisa dezenas de pedidos de suspensão do restante, em um caminho que pode chegar à Suprema Corte.

De Israel, onde está em visita, Milei se referiu aos deputados como um "conjunto de delinquentes" e os acusou de "esquartejar" a lei. Por isso "dei a ordem de suspender o projeto", afirmou em coletiva de imprensa.

- Decreto ou plebiscito? -

O fracasso legislativo e as objeções legais ao 'decretaço' expõem a fragilidade política do presidente e acendem um alerta sobre a governabilidade, avaliou Morresi.

"Isto leva a uma estagnação política e a uma situação muito delicada", advertiu. "Milei havia dito que ia impor suas leis e se não saíssem, iriam por decreto ou convocaria um plebiscito. Mas o decreto tem limites constitucionais e a consulta popular não é vinculante", explicou.

Se decidir convocar um plebiscito e vencer, "pode forçar o apoio do Congresso; se perder, é um governo em crise absoluta", advertiu.

Consultado a respeito, o porta-voz presidencial, Manuel Adorni, disse, nesta quarta, que tanto um decreto quanto um plebiscito "estão em avaliação".

"Enquanto isso, o caminho econômico segue como se nada tivesse acontecido", assegurou.

A incerteza em uma sociedade sufocada por uma inflação que não cede (211% em 2023) "não dá margem", alertou o cientista político Rosengo Fraga.

"A pobreza está em mais de 50% e 63% dos jovens estão mal alimentados, esta é a realidade que coloca um limite" na discussão política, afirmou.

Para o economista Pablo Tigani, Milei "sofreu uma derrota muito dura" e por isso, a governabilidade "é chave".

"Vai ter muitos problemas se pretender governar como uma tirania. Vai ter que ser flexível porque a política é negociação e estratégia", afirmou.

- Todo-poderoso -

O ministro do Interior, Guillemo Francos, se disse favorável, nesta quarta, à busca de consensos "para avançar nas modificações que o presidente pretende", em uma tentativa de reconstruir pontes com o Parlamento.

"Não se deve dinamitar nada (...) Deve-se buscar um caminho de encontro para destravar isto no Congresso", expressou.

O revés surpreendeu o governo, que estava "com uma sensação toda-poderosa de acreditar que as coisas seriam impostas pela vontade de Milei", afirmou o cientista político e analista econômico do Centro de Economia Política Argentina (CEPA), Martín Epstein.

"Os mercados olham com receio porque há uma grande interrogação sobre se vão voltar a discutir a lei no Congresso ou vão retirá-la diretamente", disse. A incerteza "pode piorar se o Congresso decidir rejeitar o decreto e, visto o que ocorreu com a lei, pode acontecer", acrescentou.

Na opinião do analista e cientista político Artemio López, as condições do acordo com o Fundo Monetário Internacional por uma dívida de 44 bilhões de dólares (cerca de R$ 200 bilhões), contraída em 2018 pelo ex-presidente Mauricio Macri também influenciam.

"O modelo socioeconômico tutelado pelo FMI e as mudanças legislativas que implicam tornam muito difícil que obtenham a legitimidade parlamentar", destacou López ao lembrar que o governo tem 38 dos 252 deputados e 7 dos 72 senadores, e por isso depende de seus aliados nas duas Câmaras.

"Só estamos certos de que o ajuste brutal da renda familiar que está sendo feito a uma velocidade inédita vai causar grande angústia e dor à sociedade", afirmou.

Segundo seus cálculos, a velocidade do ajuste econômico "levará a pobreza a 55% em junho, os mesmos níveis deixados pela tão conhecida em nível mundial 'crise del 2001'. Enfim, uma nova catástrofe econômica se avizinha na Argentina", concluiu.

L.Kwan--ThChM