The China Mail - Portugal, terra de acolhida aos imigrantes, na contramão da fortaleza europeia

USD -
AED 3.672501
AFN 65.476319
ALL 80.577087
AMD 365.860022
ANG 1.789783
AOA 917.000049
ARS 1491.641402
AUD 1.41719
AWG 1.80125
AZN 1.697547
BAM 1.696734
BBD 2.015728
BDT 122.843622
BGN 1.696366
BHD 0.377075
BIF 2998
BMD 1
BND 1.280933
BOB 11.734342
BRL 5.209199
BSD 1.000794
BTN 95.468406
BWP 13.472141
BYN 3.009929
BYR 19600
BZD 2.012779
CAD 1.393785
CDF 2273.000256
CHF 0.813435
CLF 0.023231
CLP 914.290229
CNY 6.743198
CNH 6.745195
COP 3125.44
CRC 449.393362
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.097828
CZK 21.014198
DJF 178.218681
DKK 6.484485
DOP 58.508892
DZD 132.931669
EGP 50.176501
ERN 15
ETB 161.890385
EUR 0.86745
FJD 2.21445
FKP 0.740201
GBP 0.741685
GEL 2.610218
GGP 0.740201
GHS 11.074982
GIP 0.740201
GMD 73.501678
GNF 8774.999914
GTQ 7.628599
GYD 209.38434
HKD 7.84715
HNL 26.830633
HRK 6.535402
HTG 130.904201
HUF 315.257502
IDR 17864
ILS 2.962965
IMP 0.740201
INR 95.43215
IQD 1311.025996
IRR 1374587.497717
ISK 123.34037
JEP 0.740201
JMD 158.336044
JOD 0.708968
JPY 159.5095
KES 129.495898
KGS 87.449705
KHR 4047.49823
KMF 426.999894
KPW 900.000294
KRW 1418.620493
KWD 0.30861
KYD 0.834053
KZT 465.738688
LAK 22580.225386
LBP 89621.102036
LKR 333.612392
LRD 181.645463
LSL 16.144844
LTL 2.95274
LVL 0.604889
LYD 6.374682
MAD 9.270009
MDL 17.373275
MGA 4310.91697
MKD 53.37538
MMK 2099.846019
MNT 3597.969266
MOP 8.08894
MRU 40.105493
MUR 47.149798
MVR 15.460087
MWK 1735.471585
MXN 17.04444
MYR 4.086397
MZN 63.900861
NAD 16.144914
NGN 1360.849945
NIO 36.82706
NOK 9.513135
NPR 152.752101
NZD 1.71006
OMR 0.384513
PAB 1.000794
PEN 3.377159
PGK 4.42879
PHP 61.374501
PKR 277.795321
PLN 3.7389
PYG 5973.01084
QAR 3.635016
RON 4.547598
RSD 101.752974
RUB 83.076096
RWF 1474.223003
SAR 3.743113
SBD 8.064941
SCR 14.023536
SDG 600.498289
SEK 9.568698
SGD 1.28072
SHP 0.740866
SLE 24.550085
SLL 20969.499227
SOS 571.973887
SRD 37.722498
STD 20697.981008
STN 21.254723
SVC 8.756946
SYP 13001.999906
SZL 16.149252
THB 33.194033
TJS 9.247366
TMT 3.5
TND 2.934571
TOP 2.40776
TRY 47.773796
TTD 6.786763
TWD 32.126993
TZS 2645.502939
UAH 44.737671
UGX 3715.737009
UYU 40.062929
UZS 11954.697077
VES 765.397601
VND 26075
VUV 118.594628
WST 2.730779
XAF 569.073676
XAG 0.015463
XAU 0.000229
XCD 2.70255
XCG 1.803702
XDR 0.707757
XOF 569.06874
XPF 103.462785
YER 237.149877
ZAR 16.21045
ZMK 9001.20247
ZMW 18.815201
ZWL 321.999592
Portugal, terra de acolhida aos imigrantes, na contramão da fortaleza europeia
Portugal, terra de acolhida aos imigrantes, na contramão da fortaleza europeia / foto: © AFP

Portugal, terra de acolhida aos imigrantes, na contramão da fortaleza europeia

Em São Teotónio, vila do sudoeste de Portugal, são os imigrantes do sul da Ásia que trabalham nas estufas e, nas ruas, os restaurantes nepaleses e indianos são mais numerosos que os estabelecimentos locais.

Tamanho do texto:

Mesch Khatri, um nepalês de 36 anos, trabalha na coleta de frutas vermelhas, a principal atividade econômica da região. Sua esposa, Ritu, de 28 anos, administra o café Nepali. Seu filho mais velho, de sete anos, só fala português, um pouco de inglês, mas nada de nepalês.

Este pai de família entrou na Europa pela Bélgica, mas preferiu se instalar em Portugal. "Lá é muito difícil conseguir um documento de residência. É por isso que vim para cá. É mais fácil de tirar os documentos", conta.

Após chegar em 2012, ele obteve o visto de residente em 2018 e a nacionalidade portuguesa em 2020.

São Teotónio, 9.000 habitantes, que pertence ao município de Odemira, viu sua população aumentar 13% em dez anos.

Este repovoamento se deve ao fluxo de mão de obra agrícola resultante da imigração em uma região afetada por décadas de declínio demográfico causado pelo êxodo rural.

Com uma política migratória entre as mais abertas da Europa, Portugal viu sua população estrangeira dobrar em cinco anos, em parte graças à chegada de migrantes vindos do sul da Ásia para trabalhar na agricultura, na pesca e no setor de restaurantes.

Um movimento encorajado pelo governo socialista, no poder desde o fim de 2015, mas que poderá se inclinar para a direita após as eleições de 10 de março.

- "Precisamos deles" -

Um pouco menos de 500.000 em 2018, o número de estrangeiros chegou ao milhão no ano passado, representando um décimo da população do país, segundo dados provisórios fornecidos à AFP pela Agência Governamental para a Integração, as Migrações e o Asilo (Aima).

Embora os brasileiros se mantenham, de longe, o primeiro contingente de imigrantes (cerca de 400.000 cidadãos), os indianos (58.000) e os nepaleses (40.000) já são mais numerosos que os residentes vindos de antigas colônias da África, como Cabo Verde ou Angola.

Também sem laços históricos com Portugal, os bengaleses e os paquistaneses também estão entre os cidadãos que ocupam o top 10 de imigrantes por aqui.

"A razão principal pela qual Portugal viu aumentar o número de imigrantes nos últimos anos é que precisamos deles", resume o presidente da Aima, Luis Goes Pinheiro, ressaltando que Portugal é o país com a taxa de envelhecimento mais alta da Europa depois da Itália.

Longe do "mar de plástico" formado pelas estufas de São Teotónio, em uma região remota do noroeste do país, Luís Carlos Vila também depende da mão de obra estrangeira para colher suas maçãs.

"Não há escolha, a população é idosa e não há mão de obra agrícola", explica.

Em seus pomares em Carrazeda de Ansiães, seis indianos trabalham na poda das árvores. "Eu amo Portugal. O dinheiro é bom, o trabalho é bom, o futuro é bom. Na Índia, não há futuro", diz um deles, Happy Singh, em um inglês hesitante.

Em um processo legalizado, o patrão passa por associações de recrutamento para encontrar seus trabalhadores. Com eles, ele reencontra parte de sua história familiar: "Meu pai também teve que deixar seu país para ganhar a vida" na França.

- "País generoso" -

Mesmo no seio da comunidade de pescadores de Caxinas que, na periferia do Porto (norte), encarna o laço tradicional dos portugueses com o mar, metade das tripulações é formada por indonésios.

No leme de seu pesqueiro de 20 metros, José Luis Gomes, chefe de pesca assim como seu pai e seu avô, se resignou ao fato de que os portugueses abandonaram esta profissão difícil ou partiram para exercê-la em outro lugar por melhores salários.

Recrutado pelo intermediário das associações de armadores, o javanês Saeful Ardani, de 28 anos, está em seu quarto contrato de 18 meses a bordo de "O Fugitivo".

"Os pescadores indonésios que trabalham aqui não têm nenhuma preocupação", afirma. "Nossas famílias estão seguras porque não estamos em situação ilegal".

Portugal, país de emigração no século XX, já havia se tornado um país de imigração na virada do século XXI.

Nos últimos anos, houve "um crescimento significativo, com alguns aspectos novos", comenta Jorge Malheiros, especialista em migrações da Universidade de Lisboa.

"Seja qual for o indicador, é um dos países mais generosos" em matéria de política migratória da Europa, explica o geógrafo.

Desde 2007, a legislação portuguesa permite a todos aqueles que declaram a renda do trabalho obter os documentos - não têm mais que aguardar por processos extraordinários de regularização.

Outra grande mudança ocorreu em 2018, quando o governo socialista acordou o direito à regularização, incluída a daqueles que não entraram legalmente no território.

Uma nova emenda, introduzida em 2022, prevê inclusive um visto temporário de seis meses para os estrangeiros em busca de emprego.

- Aumento do racismo -

"As leis portuguesas não são perfeitas, mas são melhores do que aquelas de muitos países com políticas retrógradas", comemora Timóteo Macedo, encarregado da associação Solidarité immigrée (Solidariedade Imigrada).

Se esta legislação ajuda a evitar os dramas de passageiros clandestinos ou o medo da expulsão como em outros lugares da Europa, não impede que em Portugal também "haja aqueles que ganham muito dinheiro às custas da miséria humana", acrescenta.

As autoridades portuguesas já desmantelaram várias redes de tráfico de seres humanos na região do Alentejo, revelando, sobretudo, condições de alojamento indignas reservadas a certos trabalhadores agrícolas.

Apoiada no balcão de seu café em São Teotónio, Mesch Khatri admite que o fluxo de imigrantes traz novos desafios.

"Antes era mais fácil ganhar a vida, agora há mais racismo entre os portugueses. Eles não gostam quando as pessoas vivem em grupos de dez ou quinze em uma casa ou quando não falam português", emenda sua esposa, Ritu.

Voluntária em um armazém social vizinho a um centro de apoio escolar que recebe cerca de 20 crianças, das quais apenas uma tem nome português, Julia Duarte observa um grupo de pré-adolescentes e um rapaz que aprende a saltar sobre seu skate.

Originária do Alentejo, esta portuguesa de 78 anos morou por muito tempo em Lisboa antes de se mudar para São Teotónio. "Eu me dizia que iria aproveitar minha aposentadoria em paz, e depois veio uma avalanche" de trabalhadores migrantes, conta ela.

"Veio gente demais, foram muitos inconvenientes. Todos procurando alojamento, trabalho... Depois percebi que são pessoas tranquilas", lembra.

- "Reunião familiar" -

Dedicada à ajuda de imigrantes, a ONG Taipa se concentrou com o passar dos anos à sua integração na região.

"Há dez ou quinze anos, não estávamos prontos para isto", confidencia sua encarregada, Teresa Barradas. "É um desafio muito importante para uma comunidade mais fechada, que não estava habituada a diferenças culturais tão grandes".

Além disso, "o principal problema" para receber os migrantes continua sendo a falta de alojamento, "sobretudo para as famílias".

Segundo a lei portuguesa, elas têm o direito de se reunir e "isso tem um papel muito importante para desarmar os preconceitos porque nós queremos que nossos vizinhos sejam uma família completa, cujos filhos vão à escola com os nossos", afirma.

O diretor da agência para a acolhida de estrangeiros, Luís Goes Pinheiro, confirma: "A reunião familiar é extremamente importante para garantir uma integração plena e a fixação dos migrantes, em particular nas regiões onde a densidade populacional é muito frágil".

Surgida no último outono boreal após a dissolução da antiga polícia de fronteiras, a agência Aima herdou cerca de 350.000 processos de regularização não analisados.

Na capital, Lisboa, vemos muitos entregadores em bicicleta ou motoristas de VTC (veículos de transporte com condutor) originários do sul da Ásia.

Às sextas-feiras, antes das orações, centenas de muçulmanos precisam fazer fila para entrar em uma das duas mesquitas situadas nas ruelas da Mouraria, o bairro mouro da época medieval.

- "Rua de Bangladesh" -

Eixo central desta parte antiga de Lisboa, a Rua do Benformoso tem tantos comércios e restaurantes bengaleses que ganhou o apelido de "Rua de Bangladesh", conta Yasir Anwar, um paquistanês de 43 anos, estabelecido aqui desde 2010.

Após chegar sem visto na sequência de breves passagens por Dinamarca e Noruega, ele foi ameaçado de expulsão antes de conseguir os documentos graças às emendas legislativas de 2018.

Depois de percorrer as ruas vendendo flores em bares e restaurantes, Anwar foi contratado pelo dono de um restaurante com quem ele aprendeu a gastronomia e a língua portuguesas.

Hoje, ele aguarda a cidadania portuguesa, o que costuma ser possível após cinco anos de residência legal, e espera trazer sua mulher e os dois filhos.

"Quando eu cheguei, não havia nada para nós", relembra este militante da Solidarité immigrée. Depois, "Portugal se tornou um bom país para os imigrantes e os recebe de braços abertos".

Pesquisas de opinião mostram que "Portugal está entre os países europeus onde a população não considera a imigração um dos principais problemas de seu cotidiano, ao contrário do que acontece por toda a Europa, e que sua reação ao fenômeno migratório se mantém positiva", confirma o presidente da Aima.

Embora as pesquisas eleitorais antecipem um novo impulso do Chega, partido de extrema direita criado em 2019, a imigração só aparece em sétimo lugar entre as prioridades de seu programa.

Z.Huang--ThChM