The China Mail - Cuba tem apagão maciço e protestos, enquanto governo diz estar sem combustível

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Cuba tem apagão maciço e protestos, enquanto governo diz estar sem combustível
Cuba tem apagão maciço e protestos, enquanto governo diz estar sem combustível / foto: © AFP

Cuba tem apagão maciço e protestos, enquanto governo diz estar sem combustível

O leste de Cuba sofreu um apagão maciço nesta quinta-feira (14) e Havana foi cenário de panelaços de protesto na noite passada, após o anúncio do governo de que suas reservas de combustível "se esgotaram" devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos.

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Os apagões, habituais há meses, se agravaram nas últimas horas. Segundo dados oficiais compilados pela AFP, 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia na última terça-feira.

Devido à asfixia do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, as reservas de combustível de Cuba já "se esgotaram", informou o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, em declarações à televisão estatal na quarta-feira.

Também na quarta-feira, dezenas de pessoas, algumas delas batendo em panelas e frigideiras, protestaram contra os cortes de luz em San Miguel del Padrón, bairro periférico de Havana, no oeste da ilha, informou um morador à AFP.

À noite, moradores de vários bairros da capital também fizeram panelaços para expressar seu cansaço, segundo testemunhos compilados pela AFP.

"Liguem as luzes!", gritavam os moradores de Playa, bairro a oeste da capital.

A empresa elétrica nacional UNE informou, nesta quinta-feira, que sete das 15 províncias cubanas "da província de Ciego de Ávila a Guantánamo" foram afetadas por uma desconexão, segundo nota divulgada em seu site na internet.

A central termelétrica Antonio Guiteras, a maior do país, ficou fora de serviço, segundo a Prensa Latina.

Havana registra cortes de energia regulares que passam de 19 horas diárias, enquanto em várias províncias os apagões se prolongam por dias inteiros.

Desde a queda do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, aliado de Havana e capturado por forças americanas em janeiro, Washington aplica uma política de pressão máxima sobre a ilha, já objeto de duras sanções desde 1962.

Cuba responsabilizou os Estados Unidos pela situação "particularmente tensa" de sua rede elétrica, afetada por longos apagões devido à escassez de combustível.

Desde o fim de janeiro, apenas um navio russo com 100.000 toneladas de petróleo foi autorizado a atracar em Cuba, o que atenuou a crise de eletricidade somente durante o mês de abril.

- "Dispostos" -

Cuba anunciou, nesta quinta-feira, que considera aceitar a ajuda de 100 milhões de dólares (R$ 491 milhões, na cotação atual), oferecida pelos Estados Unidos sob a condição de que seja distribuída através da Igreja católica.

"Estamos dispostos a escutar as características da oferta e a forma como se materializaria", respondeu, nesta quinta, o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, no X.

Os Estados Unidos afirmam que a situação em Cuba se deve à má gestão econômica interna.

"É uma economia quebrada e disfuncional, e é impossível mudá-la. Gostaria que fosse diferente", disse o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, em declarações à Fox News a bordo do Air Force One, enquanto viajava com o presidente Trump para a China.

Em janeiro, Trump assinou um decreto que estabelece que a ilha, situada a 150 km da costa da Flórida, representa uma "ameaça excepcional" para os Estados Unidos, e ameaçou com represálias qualquer país que queira fornecer ou vender petróleo a Havana.

Os atritos entre Washington e Havana se intensificaram nas últimas semanas, embora os dois países mantenham conversações. Em 10 de abril, foi realizada uma reunião de alto nível diplomático na capital cubana.

G.Tsang--ThChM