The China Mail - EUA restabelece bloqueio naval ao Irã e guerra se intensifica

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EUA restabelece bloqueio naval ao Irã e guerra se intensifica
EUA restabelece bloqueio naval ao Irã e guerra se intensifica / foto: © AFP

EUA restabelece bloqueio naval ao Irã e guerra se intensifica

Os Estados Unidos lançaram na noite desta terça-feira novos ataques contra o Irã e restabeleceram o bloqueio naval aos seus portos. Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump desistiu de impor tarifas sobre os navios que atravessam o Estreito de Ormuz.

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O bloqueio americano, em vigor desde as 20h GMT, e os novos bombardeios, de magnitude sem precedentes desde o cessar-fogo de abril, ameaçam os esforços diplomáticos para manter um protocolo de acordo de paz assinado em 17 de junho. O Comando Central dos EUA informou que os ataques mais recentes tiveram como objetivo "degradar a capacidade iraniana de atacar a navegação comercial" no Estreito.

Em consequência da tensão bélica e da quase paralisação dessa via marítima, os preços do petróleo dispararam ontem, mas moderaram sua trajetória de alta depois que Trump voltou atrás em sua proposta de cobrar uma taxa de 20% dos navios que cruzassem o Estreito, apresentada ontem. O presidente americano afirmou que essa cobrança será substituída por "acordos de comércio e investimento que os diversos Estados do Golfo" fecharão nos Estados Unidos.

A cobrança de pedágios pela passagem por uma via marítima contraria o direito internacional. No entanto, o Estreito tornou-se uma carta estratégica desde o começo da guerra, tanto para os Estados Unidos quanto para o Irã.

Trump disse hoje ao canal Fox News que vai ampliar na próxima semana os ataques dos Estados Unidos contra o Irã, para incluir usinas elétricas e pontes, caso Teerã não feche um acordo: "Na semana que vem, vai ficar realmente ruim para eles, porque vêm as usinas elétricas. Na próxima semana vêm as pontes. Vamos destruir todas as usinas de energia deles, todas as pontes deles, a menos que se sentem à mesa e negociem."

O governo americano também anunciou hoje que vai reforçar suas sanções contra o setor petroleiro iraniano, mirando em meia centena de pessoas e entidades ligadas à rede do magnata do petróleo Mohammad Shamkhani.

- Consequências -

O Irã reportou ao longo do dia, até a madrugada desta quarta-feira (15), bombardeios em Bandar Abbas e na ilha de Qeshm, perto do Estreito, além da cidade de Ahvaz, na quarta noite consecutiva de ataques americanos.

"Não é agradável ver seu país em guerra", disse em Teerã o vendedor Hossein, 43. "Mas vamos nos defender como fizemos no passado."

O Irã seguiu respondendo, com ataques contra instalações americanas na região. A Guarda Revolucionária iraniana reivindicou a autoria de ataques no Bahrein e na Jordânia. Já no Kuwait, quatro militares ficaram feridos em um dos ataques iranianos.

Petroleiros foram atacados no Estreito de Ormuz e em suas proximidades, no que deixou dois mortos e vários feridos desde a noite de ontem, informou a Organização Marítima Internacional, após acusações de que o Irã teria disparado contra duas embarcações que navegavam em águas de Omã.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, advertiu hoje que a retomada das hostilidades no Oriente Médio e a interrupção do tráfego no Estreito poderiam ter "consequências socioeconômicas e humanitárias graves".

No total, 28 pessoas morreram no Irã desde que as hostilidades foram retomadas, na última quarta-feira, segundo um balanço da AFP com base em meios de comunicação iranianos e fontes oficiais.

- Papel decisivo -

Apesar das hostilidades, Trump disse ontem que um acordo com o Irã ainda era possível, enquanto as consultas com os mediadores continuavam, segundo a diplomacia iraniana.

 

Israel não participou dos novos ataques, e sua frente no Líbano vivia um momento de calma. Ao concluir na Itália o primeiro dia de conversas com Beirute mediadas pelos Estados Unidos, os israelenses manifestaram disposição em avançar no projeto de retirada de suas tropas de duas áreas do sul do Líbano, mas alertaram os líderes iranianos para uma resposta "muito mais forte" que a do começo do ano em caso de ataque.

Já a Arábia Saudita e os huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, pareciam estar à beira de uma nova guerra. Os rebeldes afirmaram hoje que derrubaram um drone de reconhecimento saudita, após um início de hostilidades entre as duas partes na véspera, pela primeira vez em anos.

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G.Tsang--ThChM