The China Mail - Javier Aguirre, o técnico que não tolera jogadores tímidos na seleção mexicana

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Javier Aguirre, o técnico que não tolera jogadores tímidos na seleção mexicana
Javier Aguirre, o técnico que não tolera jogadores tímidos na seleção mexicana / foto: © AFP

Javier Aguirre, o técnico que não tolera jogadores tímidos na seleção mexicana

Javier Aguirre é o maior 'caudillo' da história do futebol mexicano. Temperamental e aguerrido, 'El Vasco' fez das exigências rigorosas a marca registrada de seu estilo de comando. A caminho de sua quinta Copa do Mundo, nesta edição de 2026, ele não tolera jogadores tímidos na seleção mexicana.

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Direto e resoluto, Aguirre é uma das figuras que mais contribuíram para livrar os jogadores do 'El Tri' de seus históricos complexos de inferioridade, jogadores que, nas décadas de 1960 e 70, eram apelidados de 'Ratones verdes' ('Ratos Verdes') por se apequenarem sob pressão no cenário internacional.

"Não consigo conceber uma equipe sob meu comando que não sinta as cores, uma equipe indolente, passiva e sem alma", declarou Aguirre em 2024, justamente quando iniciava sua terceira passagem como técnico da seleção mexicana.

"Quem não entender isso, pode ir para casa", decretou.

- Todos as Copas de Aguirre –

Aos 67 anos, Javier Aguirre vivenciará sua quinta Copa do Mundo em 2026. Sua trajetória em Copas do Mundo começou há 40 anos, no México em 1986.

Aquele Mundial continua sendo o único no qual 'El Tri' alcançou a tão aguardada 'quinta partida'.

Aguirre, na época um meia-atacanta, era considerado "a faísca da seleção tricolor", devido à sua tenacidade feroz contra os adversários e à sua capacidade de motivar os companheiros de equipe.

'El Vasco' se aposentou em 1993 e, no ano seguinte, atuou como auxiliar técnico do treinador principal Miguel Mejía Barón na Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos.

Aquela oportunidade ampliou seus horizontes, levando-o a considerar a possibilidade de se tornar treinador principal, um caminho que ele seguiu justamente quando planejava iniciar uma carreira em administração de empresas.

Aguirre vivenciou suas duas Copas do Mundo seguintes como treinador de emergência da seleção mexicana. Ele assumiu o comando quando 'El Tri' corria o risco de não se classificar para o torneio de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, assim como para o torneio de 2010, na África do Sul.

Em 2001, ele assumiu o lugar do mexicano Enrique Meza, que era um técnico que vivia uma grande fase e, em 2009, sucedeu o sueco Sven-Göran Eriksson, uma aposta frustrada dos dirigentes do futebol mexicano.

Ao estrear como técnico principal do 'El Tri', ele cunhou uma frase que viria a definir sua passagem como comandante da seleção nacional: "Não quero jogadores tímidos".

Em 2024, surgiu a oportunidade de participar de uma quinta Copa do Mundo, sua terceira como técnico, embora, desta vez, sem qualquer urgência e com quase dois anos pela frente.

"Sou mexicano e, quando meu país precisa de mim, atendo ao chamado com prazer e carinho", declarou 'El Vasco' em agosto daquele ano, ao assumir o comando de um elenco que acabara de passar por dois ciclos interrompidos, sob a direção do argentino Diego Cocca e do mexicano Jaime Lozano.

- Especialista em salvar times -

Inspirado por Rinus Michels e César Luis Menotti, Javier Aguirre construiu uma carreira de 30 anos como treinador, caracterizada por dedicação, disciplina tática, uma mentalidade combativa e resiliência.

Sua vocação o levou a comandar equipes que lutavam para evitar o rebaixamento, elencos nos quais ele incutiu um espírito de resistência diante da adversidade, sem jamais reivindicar para si um estilo de futebol estético.

Iniciou sua carreira de treinador no México, com o Atlante e o Pachuca, clube que estabilizou na primeira divisão e levou à conquista de seu primeiro título de liga, em 1999.

Em 2002, embarcou em uma longa odisseia fora do México, marcada por uma série de passagens memoráveis. Salvou com sucesso equipes como Osasuna, Zaragoza, Espanyol e Mallorca do rebaixamento.

Embora tenha falhado em sua tentativa de salvar o Leganés, já havia, a essa altura, estabelecido uma bela reputação dentro do futebol espanhol.

Diego Simeone, técnico do Atlético de Madrid, fez um elogio ao seu colega mexicano antes de uma partida contra o Mallorca: "Ele sabe o que significa sofrer."

- O último Mundial de 'El Vasco' –

Assombrado pelas eliminações nas oitavas de final das Copas do Mundo de 2002 (Coreia e Japão) e 2010 (África do Sul), Aguirre está pronto para vivenciar sua Copa do Mundo mais importante em 2026.

"Tem sido um processo magnífico, das três que comandei, esta é aquela em que me senti mais apoiado", disse ele.

Ao longo destes últimos dois anos, 'El Vasco' se tornou mais exigente com seus jogadores, buscando incutir um senso ainda maior de orgulho em representar a seleção mexicana.

"Sou muito rigoroso e muito exigente quanto à conduta deles, tanto dentro quanto fora de campo", afirmou Aguirre, que tem tolerância zero para o envolvimento de seus jogadores em escândalos.

Sua visão para a seleção mexicana é que ela seja composta por jogadores que representem verdadeiramente o povo mexicano. "Quero que mostrem personalidade. Não quero que um jogador se esconda. Quero que ele peça a bola", observou.

O contrato de Aguirre com a seleção mexicana está previsto para expirar após a Copa do Mundo de 2026.

Seu objetivo é se despedir deixando uma marca memorável. "Queremos alcançar o melhor desempenho em Copas do Mundo na história do México", disse Aguirre, o técnico com o maior número de vitórias na história da seleção mexicana.

W.Cheng--ThChM