The China Mail - CIJ obstruída, dano colateral de um sistema mundial disfuncional

USD -
AED 3.672497
AFN 64.999709
ALL 81.925001
AMD 362.820272
ANG 1.790365
AOA 917.000186
ARS 1524.861701
AUD 1.444492
AWG 1.8
AZN 1.703007
BAM 1.733158
BBD 2.015756
BDT 123.052656
BGN 1.683441
BHD 0.37702
BIF 2995
BMD 1
BND 1.281424
BOB 12.054428
BRL 5.223901
BSD 1.000833
BTN 96.45446
BWP 14.158233
BYN 3.014683
BYR 19600
BZD 2.012832
CAD 1.42233
CDF 2310.000104
CHF 0.83069
CLF 0.024862
CLP 981.710243
CNY 6.7046
CNH 6.715665
COP 3320.28
CRC 457.240078
CUC 1
CUP 24.018396
CVE 97.712812
CZK 21.755502
DJF 177.71965
DKK 6.64769
DOP 59.64979
DZD 133.648678
EGP 52.318049
ERN 15
ETB 163.475001
EUR 0.88926
FJD 2.253795
FKP 0.753812
GBP 0.757875
GEL 2.595035
GGP 0.753812
GHS 11.715029
GIP 0.753812
GMD 73.491746
GNF 8755.000124
GTQ 7.645479
GYD 209.346324
HKD 7.84635
HNL 26.865513
HRK 6.699102
HTG 130.978015
HUF 327.939496
IDR 17958.8
ILS 3.086098
IMP 0.753812
INR 96.22505
IQD 1310
IRR 1746539.000348
ISK 121.839922
JEP 0.753812
JMD 157.630753
JOD 0.709009
JPY 157.8335
KES 129.641813
KGS 87.446993
KHR 4053.132006
KMF 434.999674
KPW 900.000318
KRW 1363.01501
KWD 0.30884
KYD 0.834057
KZT 443.471634
LAK 22442.975382
LBP 89622.18589
LKR 330.728128
LRD 171.587828
LSL 16.694995
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.411393
MAD 9.760381
MDL 17.819861
MGA 4419.297095
MKD 54.774475
MMK 2099.783199
MNT 3598.053803
MOP 8.089432
MRU 40.068766
MUR 47.819926
MVR 15.460582
MWK 1735.373872
MXN 18.32054
MYR 4.087902
MZN 63.900301
NAD 16.694969
NGN 1328.219955
NIO 36.828953
NOK 9.635797
NPR 154.325085
NZD 1.78729
OMR 0.384504
PAB 1.000833
PEN 3.453202
PGK 4.464491
PHP 62.80896
PKR 277.237331
PLN 3.89284
PYG 5831.841625
QAR 3.648069
RON 4.752499
RSD 104.515987
RUB 83.373869
RWF 1476.791379
SAR 3.756193
SBD 8.064852
SCR 13.772623
SDG 601.499925
SEK 10.046905
SGD 1.28053
SHP 0.754575
SLE 24.598405
SLL 20969.491881
SOS 571.929887
SRD 37.672496
STD 20697.981008
STN 21.711004
SVC 8.757067
SYP 13002.000254
SZL 16.695005
THB 33.671971
TJS 9.217388
TMT 3.51
TND 2.997019
TOP 2.40776
TRY 49.112398
TTD 6.789784
TWD 31.899898
TZS 2635.002977
UAH 44.939475
UGX 3973.556883
UYU 40.28499
UZS 11829.395814
VES 859.10005
VND 25982
VUV 119.747847
WST 2.7762
XAF 583.316537
XAG 0.016397
XAU 0.000239497152
XCD 2.70255
XCG 1.803617
XDR 0.707052
XOF 583.316537
XPF 105.684789
YER 236.374995
ZAR 16.714265
ZMK 9001.200605
ZMW 19.680804
ZWL 321.999592
SSP 5712.591897
MXV 2.073391
CIJ obstruída, dano colateral de um sistema mundial disfuncional
CIJ obstruída, dano colateral de um sistema mundial disfuncional / foto: © AFP/Arquivos

CIJ obstruída, dano colateral de um sistema mundial disfuncional

Ignorada por Rússia e Israel, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) se vê obstruída por um sistema mundial disfuncional que faz com que os países acatem ou não suas sentenças segundo sua vontade, afirmam especialistas.

Tamanho do texto:

Em 2022, o mais alto tribunal da ONU ordenou, sem sucesso, à Rússia que detivesse a invasão da Ucrânia.

Israel também ignorou a instância, que em maio exigiu um cessar imediato de sua ofensiva militar na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, que continua em curso.

Seriam estas negativas a cumprir decisões juridicamente vinculantes sinais de falta de credibilidade e legitimidade por parte do CIJ?

Na verdade não, segundo analistas entrevistados pela AFP. Em vez disso, enfatizam as responsabilidades das nações dentro do sistema mundial.

Sem a polícia internacional ou as Forças Armadas, a CIJ "depende da vontade e da cooperação dos Estados para aplicar suas decisões", diz Raphaelle Nollez-Goldbach, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

"Obviamente, isto tem certos limites", reforça.

A Corte afirma que "quase todas" as suas decisões "são cumpridas pelos Estados, mas os poucos casos de descumprimento — que continuam sendo exceção — pesam muito nas relações internacionais", segundo um comunicado de sua assessoria de imprensa à AFP.

E isto não é culpa do tribunal, insistem analistas.

"O problema de credibilidade é enfrentado por governos que têm padrões duplos", explica Louis Charbonneau, da Human Rights Watch.

Por exemplo, alguns países ocidentais "aplaudiram" a decisão sobre a Ucrânia, mas estão "seriamente preocupados" em relação à Israel, observa.

Por outro lado, nações como a África do Sul, que instaurou processos judiciais contra Israel por acusações de "genocídio", "não têm sido muito francos quando se trata das atrocidades russas na Ucrânia", disse ele.

"Para terem credibilidade, precisam reforçar (os padrões) em todos os âmbitos (...) tanto aos seus amigos e aliados como aos seus rivais. Do contrário, estão dando a outros governos argumentos e oportunidades para fazerem o mesmo", acrescentou Charbonneau.

- "Paralisia" do Conselho de Segurança -

O principal papel da CIJ é mediar disputas entre países. A maioria dos casos aborda as delimitações das fronteiras ou interpretações dos tratados.

Por isso, diz Gissou Nia, do think tank Atlantic Council, é importante diferenciar entre estas questões e os "crimes internacionais fundamentais".

A especialista aponta em particular os processos apresentados por terceiros, como o da África do Sul contra Israel por sua guerra na Faixa de Gaza, ou o da Gâmbia, que acusou Mianmar de "genocídio" contra a minoria muçulmana rohingya.

Um aumento neste tipo de litígios "pode fazer com que os Estados queiram abandonar os tratados existentes", que deu a estes países o poder de interferir em polêmicas nas quais não estão diretamente envolvidos.

Além disso, diversas nações como Estados Unidos, Rússia, China e Israel não fazem parte do Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, que processa pessoas acusadas de cometer crimes de guerra, de genocídio e contra a humanidade.

A ordem de prisão emitida contra o presidente russo, Vladimir Putin, bem como um pedido de detenção apresentado pelo procurador do TPI contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e os líderes do Hamas, gerou indignação entre os envolvidos.

Por vezes pode ser acompanhada de pressões e ameaças de represálias.

"Este é um reflexo da seriedade com que encaram" o tribunal, incluindo aqueles que rejeitam sua jurisdição, segundo Nia.

Entretanto, a questão da credibilidade não está em jogo somente na CIJ e no TPI, de acordo com Romuald Sciora, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

"Todas as instituições de sistema multilateral perderam exponencialmente sua credibilidade nos últimos anos", sobretudo no Conselho de Segurança da ONU, considera Sciora.

Segundo a Carta da ONU, se uma das partes não aceitar uma sentença da CIJ, a outra pode tentar recorrer ao Conselho, o que afeta a credibilidade desta Corte.

Enquanto a ofensiva israelense continua em Rafah, a África do Sul pediu esta semana ao Conselho de Segurança que faça cumprir a ordem do tribunal.

"Na prática, contudo, a paralisia do Conselho de Segurança lhe impede de aplicar suas próprias resoluções, tampouco abordar as sentenças da CIJ", afirmou Said Bernabia, da Comissão Internacional de Juristas.

U.Feng--ThChM