The China Mail - Em Gaza, ausência de trégua desperta críticas incomuns contra o Hamas

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Em Gaza, ausência de trégua desperta críticas incomuns contra o Hamas
Em Gaza, ausência de trégua desperta críticas incomuns contra o Hamas / foto: © AFP

Em Gaza, ausência de trégua desperta críticas incomuns contra o Hamas

As condições impostas pelo Hamas para alcançar uma trégua com Israel em Gaza começam a gerar críticas contra o movimento islamista entre alguns habitantes do devastado território palestino, que reprovam a falta de um acordo para acabar com a guerra que assola suas vidas.

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O Hamas "conduziu os palestinos a uma guerra de devastação", declarou à AFP Umm Ala, de 67 anos, que foi deslocada duas vezes durante os mais de oito meses de guerra entre Hamas e Israel.

"Se os líderes do Hamas estivessem interessados em pôr fim a esta guerra e acabar com o sofrimento do povo palestino, teriam aceitado [um acordo]", acrescentou Umm Ala, que buscou refúgio em Khan Yunis, a principal cidade do sul da Faixa de Gaza.

Os palestinos que falaram com a AFP deram suas opiniões sobre se o Hamas também era responsável pelos atrasos em conseguir um novo cessar-fogo.

Desde a trégua de uma semana alcançada no final de novembro do ano passado, as esperanças de outro cessar-fogo, mesmo que temporário, foram regularmente frustradas.

Sem rejeitar nem aceitar a última proposta, apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o Hamas indicou na terça-feira que sua resposta pedia "um cessar total da agressão atual em Gaza". Uma fonte próxima às negociações disse à AFP que a resposta do Hamas incluía emendas ao plano proposto.

A guerra estourou em 7 de outubro, quando combatentes islamistas mataram 1.194 pessoas e sequestraram 251 no sul de Israel, segundo uma contagem baseada em dados oficiais israelenses.

O Exército israelense estima que 116 reféns ainda estão detidos em Gaza, dos quais 41 estariam mortos.

Durante a trégua de novembro, mais de 100 reféns foram libertados em troca de 240 prisioneiros palestinos encarcerados em prisões israelenses.

- "Zombam de nós" -

A operação de retaliação lançada por Israel contra o Hamas em Gaza deixou 37.232 mortos, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território palestino.

Mas alguns moradores de Gaza, que vivem em um estado de medo e restrições desde que o Hamas assumiu o poder no território em 2007, culpam o movimento islamista pela destruição causada pela guerra.

"Eles zombam de nós, da nossa dor e da destruição das nossas vidas", afirmou à AFP Abu Eyad, de 55 anos, que mora no norte de Gaza.

Este pai de três filhos, que vivem com diferentes familiares e em lugares separados, criticou duramente os líderes do Hamas que, no exílio no Catar, "dormem confortavelmente".

"Alguma vez tentaram se colocar no nosso lugar?", questionou ele, apontando o contraste entre a vida em Doha e a dos cerca de 2,4 milhões de habitantes da Faixa de Gaza, dos quais metade foi deslocada pela guerra.

Os mediadores no conflito, Estados Unidos, Egito e Catar, voltaram a iniciar uma rodada de negociações com Israel e Hamas para tentar obter um acordo que acabe com a guerra.

- "O que estão esperando?" -

Washington busca dar um novo impulso ao plano de cessar-fogo, apresentado por Biden em 31 de maio, mas ainda não conseguiu a aceitação das partes no conflito.

Israel e Hamas continuam acusando um ao outro pelo fracasso nas tentativas de encerrar a guerra.

"Estamos cansados, estamos mortos, estamos destruídos e nossas tragédias são incontáveis", declarou Abu Shaker, de 35 anos.

"O que estão esperando?", perguntou, dirigindo-se ao grupo islamista. "O que querem? A guerra deve acabar a qualquer preço. Não aguentamos mais", desabafou.

Apesar das críticas, uma pesquisa em Gaza e na Cisjordânia ocupada mostrou que o Hamas segue sendo a força política com mais apoio nesses territórios, com 40% de preferência, seguido por 20% para o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que domina em Ramallah.

Além disso, 73% dos entrevistados consideram que o Hamas tomou a "decisão certa" ao atacar Israel em 7 de outubro, segundo a pesquisa realizada pelo Palestinian Center for Policy and Survey Research, publicada na quarta-feira.

No início de maio, o Hamas anunciou que havia aceitado um acordo de trégua, provocando celebrações espontâneas em Gaza, seguidas depois por um sentimento de decepção.

Os moradores da Faixa de Gaza que falaram com a AFP estão desesperados e só querem o fim do conflito.

Umm Shadi, de 50 anos, exortou o Hamas a "acabar com a guerra imediatamente, sem tentar controlar e dirigir Gaza".

"O que ganhamos com esta guerra além de morte, destruição, extermínio e fome?", questionou.

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