The China Mail - América Latina e política externa, ausentes na campanha eleitoral britânica

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América Latina e política externa, ausentes na campanha eleitoral britânica
América Latina e política externa, ausentes na campanha eleitoral britânica / foto: © POOL/AFP

América Latina e política externa, ausentes na campanha eleitoral britânica

As relações com a América Latina estão ausentes na campanha eleitoral britânica e especialistas apontam que, se o Partido Trabalhista vencer, como preveem as pesquisas, a região terá pouca presença na política externa do país.

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Vários analistas políticos concordam que a política externa em geral e as relações com a América Latina em especial não existiram nas declarações eleitorais do primeiro-ministro conservador, Rishi Sunak, e do líder trabalhista, Keir Starmer, porque é uma campanha dominada por questões internas, como a migração, o aumento do custo de vida e a melhora do sistema de saúde.

Para o argentino Ezequiel González Ocantos, professor do Departamento de Política e Relações Internacionais da Universidade de Oxford, "é uma campanha eleitoral sobre competência para governar e sobre o Estado social, não sobre política externa".

"Nem mesmo questões de política externa como o Brexit ou a Ucrânia estão em alta. Com isto quero dizer que se estas não estão na agenda da campanha, menos ainda estão as relações com a América Latina", acrescenta.

As eleições legislativas de 4 de julho, nas quais serão escolhidos os 650 representantes da Câmara dos Comuns, poderão marcar o fim de 14 anos de governos conservadores, já que as pesquisas indicam como vencedores certos os trabalhistas, inclusive com maioria absoluta.

"Não temos informações suficientes para supor que um governo trabalhista seria substancialmente diferente de um conservador no que diz respeito às relações com a América Latina", explica o professor argentino, insistindo na falta de atenção à região.

- Potencial da região -

González Ocantos acredita que este desinteresse pela América Latina "não é necessariamente uma boa notícia para o Reino Unido, pois há muitas questões da nova geopolítica que certamente farão com que a região se torne um cenário relevante".

Uma das questões que o especialista destaca é o potencial da região para a extração e exportação de minerais estratégicos na transição energética.

José Tomás Labarca, professor chileno do Departamento de Política e Estudos Internacionais da Universidade de Cambridge, também destaca o desinteresse do Partido Trabalhista na América Latina.

"A região praticamente não tem sido mencionada nas declarações e documentos sobre a política externa de um possível governo trabalhista. Se algo chama a atenção é a ausência da América Latina nas declarações e documentos publicados por esta formação", explica.

"As possíveis consequências desta eleição para as relações políticas e econômicas entre o Reino Unido e os países latino-americanos são incertas. David Lammy, que, se não houver surpresas será o ministro das Relações Exteriores do possível governo trabalhista, tem sido especialmente ambíguo a respeito", acrescenta Labarca.

-"Mais prático do que ideológico" -

Para Mark Garnett, professor de Ciências Políticas na Universidade de Lancaster, o trabalhista Keir Starmer, provável próximo primeiro-ministro "não tem experiência em política externa, mas tentará reconstruir a relação do Reino Unido com a Europa".

"O anterior líder trabalhista, Jeremy Corbyn, estava muito mais interessado na América Latina. Starmer é muito menos de esquerda. Ele abordará os problemas de uma forma mais prática do que ideológica”, acrescenta.

"Há poucas chances de a política britânica mudar em relação às Malvinas/Falklands, mas Starmer pode estar disposto a melhorar as relações com a Argentina, se isso for possível", conclui.

O brasileiro Fabrício Mendes Fialho, pesquisador da London School of Economics and Political Science, concorda com o desinteresse da região nestas eleições.

"Esta é uma questão tão marginal no atual contexto do Reino Unido que é difícil acreditar que algum dos candidatos tenha pensado muito nas relações com a região. Mesmo depois das eleições, a minha impressão é que a América Latina não será uma questão relevante a curto prazo", prevê.

D.Peng--ThChM