The China Mail - Medo, choro e resiliência na Venezuela às vésperas de nova manifestação contra Maduro

USD -
AED 3.672501
AFN 65.000064
ALL 81.845006
AMD 366.463719
ANG 1.790365
AOA 918.000053
ARS 1524.859901
AUD 1.441743
AWG 1.8
AZN 1.702503
BAM 1.740887
BBD 2.024718
BDT 123.601406
BGN 1.683441
BHD 0.379014
BIF 3017.846811
BMD 1
BND 1.287196
BOB 12.108238
BRL 5.226601
BSD 1.005283
BTN 96.885459
BWP 14.221182
BYN 3.028221
BYR 19600
BZD 2.021781
CAD 1.421235
CDF 2309.999842
CHF 0.827225
CLF 0.024861
CLP 981.63996
CNY 6.704597
CNH 6.704675
COP 3319.26
CRC 459.303568
CUC 1
CUP 24.126252
CVE 98.374972
CZK 21.72865
DJF 179.008692
DKK 6.641785
DOP 60.065513
DZD 133.646986
EGP 52.307399
ERN 15
ETB 160.999933
EUR 0.88851
FJD 2.251302
FKP 0.757935
GBP 0.75675
GEL 2.594995
GGP 0.757935
GHS 11.777115
GIP 0.757935
GMD 73.49376
GNF 8843.452641
GTQ 7.679983
GYD 210.280831
HKD 7.846555
HNL 26.829955
HRK 6.696398
HTG 131.567938
HUF 327.69499
IDR 17889
ILS 3.07053
IMP 0.757935
INR 96.186967
IQD 1316.907959
IRR 1746539.000196
ISK 121.719916
JEP 0.757935
JMD 158.335114
JOD 0.708968
JPY 157.636495
KES 129.710071
KGS 87.446999
KHR 4055.000342
KMF 438.000282
KPW 900.000318
KRW 1350.830047
KWD 0.30886
KYD 0.837765
KZT 445.443338
LAK 22455.00029
LBP 89550.000036
LKR 332.213287
LRD 171.350167
LSL 16.694961
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.41498
MAD 9.803908
MDL 17.899089
MGA 4429.000244
MKD 54.808848
MMK 2099.878546
MNT 3598.367683
MOP 8.125398
MRU 40.075024
MUR 48.150235
MVR 15.449807
MWK 1737.000047
MXN 18.258799
MYR 4.084097
MZN 63.910072
NAD 16.650007
NGN 1328.780167
NIO 36.665034
NOK 9.617881
NPR 155.016734
NZD 1.7802
OMR 0.384502
PAB 1.005296
PEN 3.465503
PGK 4.449497
PHP 62.59902
PKR 277.049851
PLN 3.886295
PYG 5857.77038
QAR 3.64499
RON 4.746499
RSD 104.444011
RUB 83.373151
RWF 1483.390301
SAR 3.764198
SBD 8.064852
SCR 13.957083
SDG 601.515223
SEK 10.025065
SGD 1.278945
SHP 0.757461
SLE 24.597928
SLL 20969.491881
SOS 574.485509
SRD 37.672502
STD 20697.981008
STN 22.15
SVC 8.796002
SYP 13002.000254
SZL 16.643153
THB 33.573505
TJS 9.258616
TMT 3.51
TND 2.988767
TOP 2.40776
TRY 49.142005
TTD 6.819972
TWD 31.895101
TZS 2635.002986
UAH 45.139279
UGX 3991.27687
UYU 40.465
UZS 11820.000158
VES 865.477996
VND 25995
VUV 120.084308
WST 2.780871
XAF 582.824141
XAG 0.016277
XAU 0.000238435292
XCD 2.70255
XCG 1.811716
XDR 0.707052
XOF 582.824141
XPF 106.500433
YER 236.375025
ZAR 16.66661
ZMK 9001.19364
ZMW 19.768306
ZWL 321.999592
SSP 5712.591902
MXV 2.065951
Medo, choro e resiliência na Venezuela às vésperas de nova manifestação contra Maduro
Medo, choro e resiliência na Venezuela às vésperas de nova manifestação contra Maduro / foto: © AFP

Medo, choro e resiliência na Venezuela às vésperas de nova manifestação contra Maduro

"As pessoas vão encarar lobos ferozes", diz Katiusca Camargo, líder comunitária em Petare, uma enorme favela no leste de Caracas, temendo uma violenta repressão às vésperas de uma manifestação nacional convocada pela oposição para denunciar a reeleição do presidente Nicolás Maduro como fraudulenta.

Tamanho do texto:

Doze pessoas - onze civis e um militar - perderam a vida desde que protestos espontâneos eclodiram na segunda-feira (29) após a vitória do mandatário venezuelano.

Muitos dos manifestantes são de Petare, uma enorme favela com casas precárias e intrincadas vielas e escadarias que se elevam sobre as montanhas que cercam o vale de Caracas.

Referência no bairro de San Blas de Petare, integrante de uma ONG e reconhecida opositora de Maduro, Katiusca Camargo acredita que o governo deseja dissuadir a população de sair às ruas às vésperas de uma grande concentração convocada para sábado pela líder da oposição, Maria Corina Machado.

"Temos mortos, feridos, detidos, desaparecidos. As pessoas sabem. As pessoas têm medo. Elas sabem que vão enfrentar gente armada, lobos ferozes", diz Camargo, que tem a palavra "Resiliência" tatuada no braço direito.

Ela se refere aos "colectivos", grupos armados pró-governo que apoiam Maduro, sucessor do falecido presidente socialista Hugo Chávez e que governa a Venezuela desde 2013. Eles operam em pequenas células, sem ordens oficiais, com uma estratégia de disseminação do terror.

- Medo em Petare -

Os coletivos se instalaram no mercado Gloria al Bravo Pueblo de Petare, segundo vários testemunhos. Na terça-feira, esperaram os manifestantes que retornavam de um protesto convocado por Machado e seu candidato, Edmundo González Urrutia.

"Atacaram aqueles que vestiam camisetas brancas ou da bandeira da Venezuela. Roubaram motocicletas, levaram algumas pessoas e as entregaram à polícia", conta Josumary Gómez, 32 anos. "Você se diz a si mesmo: se eu sair, talvez não volte", acrescenta sobre as próximas manifestações.

Os coletivos também realizaram incursões noturnas em Petare.

"Há grupos que saíram, que causaram um terror psicológico. Você não imagina os vídeos e mensagens que recebemos. Eles diziam que estavam invadindo uma casa e não havia ninguém. Sim, eles foram a alguns lugares, mas não podem estar nos 2.000 setores de Petare. É terror psicológico", reflete Camargo.

Sem querer revelar seu nome, um morador do bairro José Félix Ribas, conhecido como um dos mais perigosos de Petare, relata que "eles começaram com pressão à noite. Pessoas estranhas, encapuzadas. Não são os bandidos daqui, são coletivos. Eles intimidam as pessoas, dão medo, batem. Ouvi tiros, muitos tiros. Roubam motos".

O objetivo foi alcançado. O medo agora reina em Petare.

O mesmo homem admite: "Eu não vou protestar. Não saio. Tenho más experiências do passado. Vi pessoas morrerem. É uma guerra, uma guerra civil".

- "Vamos matar fulano" -

Cem pessoas morreram em 2017 em manifestações de oposição, o que resultou em uma investigação por "crimes contra a humanidade" no Tribunal Penal Internacional.

Miguel Becerra, fotógrafo de 35 anos, relata que participou dessas manifestações. "Eu tentei exercer minha vontade contra o governo e, ao ver que não estava sendo resolvido e que havia muitas mortes, decidi deixar o país", diz.

"Voltei em 2020, porque tinha esperança de uma mudança", explica Becerra, que agora está pensando em emigrar novamente para o Equador.

"Não estou trabalhando porque, na verdade, o medo de sair é grande", diz o fotógrafo, temendo encontrar "um grupo de colectivos que possam te sequestrar, te matar, te fazer desaparecer".

Um comerciante, também amedrontado e que não quer se identificar, explica que não fala mais. "Se dissermos uma coisa, uns vêm; se dissermos outra, outros vêm. Há retaliações. É melhor manter a boca fechada", diz, passando um zíper simbolicamente pelos lábios.

Alexander Camargo, 50 anos, descreve tempos de violência não muito distantes. "Aqui era um inferno. Diziam 'saia daqui que vamos matar fulano'. Aqui você era morto por um boné ou por um par de sapatos. Era pior que no Paquistão, com pistolas automáticas. As crianças reconheciam as armas pelo som".

Ele brinca com um grupo de vizinhos. Uma delas diz que não quer ir para a cadeia por suas ideias políticas. "O cardápio não é muito bom", comenta.

A noite cai em Petare. Katiusca Camargo e suas amigas se reúnem para orar em um canto junto com um pastor.

Jhoana Padilla, 40 anos, chora enquanto reza. "Peço ao Senhor que derrame suas bênçãos sobre esta nação, sobre nosso povo, sobre a favela de Petare, que o voto e a decisão de cada venezuelano sejam respeitados. Votei pelos meus filhos, por um futuro melhor, por nossa vida diária".

"Eu sei que há medo, mas há momentos em que esse medo te dá força", afirma emocionada.

J.Thompson--ThChM