The China Mail - As noites de pesadelo na Faixa de Gaza submersa na guerra

USD -
AED 3.672501
AFN 65.000064
ALL 81.845006
AMD 366.463719
ANG 1.790365
AOA 918.000053
ARS 1524.859901
AUD 1.441743
AWG 1.8
AZN 1.702503
BAM 1.740887
BBD 2.024718
BDT 123.601406
BGN 1.683441
BHD 0.379014
BIF 3017.846811
BMD 1
BND 1.287196
BOB 12.108238
BRL 5.226601
BSD 1.005283
BTN 96.885459
BWP 14.221182
BYN 3.028221
BYR 19600
BZD 2.021781
CAD 1.421235
CDF 2309.999842
CHF 0.827225
CLF 0.024861
CLP 981.63996
CNY 6.704597
CNH 6.704675
COP 3319.26
CRC 459.303568
CUC 1
CUP 24.126252
CVE 98.374972
CZK 21.72865
DJF 179.008692
DKK 6.641785
DOP 60.065513
DZD 133.646986
EGP 52.307399
ERN 15
ETB 160.999933
EUR 0.88851
FJD 2.251302
FKP 0.757935
GBP 0.75675
GEL 2.594995
GGP 0.757935
GHS 11.777115
GIP 0.757935
GMD 73.49376
GNF 8843.452641
GTQ 7.679983
GYD 210.280831
HKD 7.846555
HNL 26.829955
HRK 6.696398
HTG 131.567938
HUF 327.69499
IDR 17889
ILS 3.07053
IMP 0.757935
INR 96.186967
IQD 1316.907959
IRR 1746539.000196
ISK 121.719916
JEP 0.757935
JMD 158.335114
JOD 0.708968
JPY 157.636495
KES 129.710071
KGS 87.446999
KHR 4055.000342
KMF 438.000282
KPW 900.000318
KRW 1350.830047
KWD 0.30886
KYD 0.837765
KZT 445.443338
LAK 22455.00029
LBP 89550.000036
LKR 332.213287
LRD 171.350167
LSL 16.694961
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.41498
MAD 9.803908
MDL 17.899089
MGA 4429.000244
MKD 54.808848
MMK 2099.878546
MNT 3598.367683
MOP 8.125398
MRU 40.075024
MUR 48.150235
MVR 15.449807
MWK 1737.000047
MXN 18.258799
MYR 4.084097
MZN 63.910072
NAD 16.650007
NGN 1328.780167
NIO 36.665034
NOK 9.617881
NPR 155.016734
NZD 1.7802
OMR 0.384502
PAB 1.005296
PEN 3.465503
PGK 4.449497
PHP 62.59902
PKR 277.049851
PLN 3.886295
PYG 5857.77038
QAR 3.64499
RON 4.746499
RSD 104.444011
RUB 83.373151
RWF 1483.390301
SAR 3.764198
SBD 8.064852
SCR 13.957083
SDG 601.515223
SEK 10.025065
SGD 1.278945
SHP 0.757461
SLE 24.597928
SLL 20969.491881
SOS 574.485509
SRD 37.672502
STD 20697.981008
STN 22.15
SVC 8.796002
SYP 13002.000254
SZL 16.643153
THB 33.573505
TJS 9.258616
TMT 3.51
TND 2.988767
TOP 2.40776
TRY 49.142005
TTD 6.819972
TWD 31.895101
TZS 2635.002986
UAH 45.139279
UGX 3991.27687
UYU 40.465
UZS 11820.000158
VES 865.477996
VND 25995
VUV 120.084308
WST 2.780871
XAF 582.824141
XAG 0.016277
XAU 0.000238435292
XCD 2.70255
XCG 1.811716
XDR 0.707052
XOF 582.824141
XPF 106.500433
YER 236.375025
ZAR 16.66661
ZMK 9001.19364
ZMW 19.768306
ZWL 321.999592
SSP 5712.591902
MXV 2.065951
As noites de pesadelo na Faixa de Gaza submersa na guerra
As noites de pesadelo na Faixa de Gaza submersa na guerra / foto: © AFP

As noites de pesadelo na Faixa de Gaza submersa na guerra

"Mamãe, me deixe dormir em teus braços, não quero morrer", disse Yasmine, de 6 anos, enquanto abraça com força sua mãe sob um barraca de plástico na Faixa de Gaza, após mais de dez meses de uma guerra árdua.

Tamanho do texto:

"Minhas quatros filhas começaram a ter medo de dormir", conta Safa Abu Yasin em Al Mawasi, um labirinto de abrigos improvisados que cresce com a chegada de mais pessoas. "E eu também temo por suas vidas".

Em Gaza, a grande maioria dos 2,4 milhões de habitantes se viu obrigada a se deslocar pelo menos uma vez desde 7 de outubro, quando começou a guerra entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas.

Ao anoitecer, a falta de eletricidade coloca todos em uma escuridão que, ao lado dos incessantes zumbidos dos drones, dos disparos de artilharia e das ameaças de bombardeios, se torna aterrorizante.

Abu Yasin passa as noites apegada a Lujain, sua bebê nascida em abril, que acorda várias vezes chorando e "é muito difícil de acalmar".

"Queremos que se sinta segura, mas não tenho sequer um berço onde deixá-la para que fique bem", explica.

Suas outras filhas reclamam dos colchões "horríveis" de espuma - "é como dormir no chão" - e do pouco espaço que as faz acordar quando se esbarram umas nas outras.

- Descanso complicado -

"Sinto falta do meu travesseiro", confessa Farah Charchara, de 32 anos, sob uma barraca de campanha em Deir Al Balah, no centro de Gaza.

A intimidade não existe mais: "Tem sempre que se adaptar ao ritmo dos demais e sempre há alguém olhando".

"Estão os que roncam, os que acordam, gritam e choram de medo, e os que têm insônia que falam e incomodam a todos", conta essa mulher.

Um homem, Rami, descreve sua barraca de campanha, de seis metros por quatro para 27 membros de uma família.

"Um tapete de plástico, uma camada de cobertores, é quente demais para usá-las agora, e colchões de espuma. Todos dormimos juntos sobre ele", detalha esse pai de família deslocado várias vezes.

Com mais de 55% dos edifícios total ou parcialmente destruídos, segundo avaliou a ONU em maio, as barracas de campanha - fornecidas por organizações internacionais ou compradas a preço de ouro - ocupam a maior parte do espaço.

Desde outubro, as ONGs distribuem kits para dormir com o essencial, mas se queixam em reuniões internas das crescentes dificuldades para fazer chegar material para abrigo e para reparar os que já existem em Gaza, devido aos controles de Israel nos acessos ao território palestino.

Por isso, cada vez mais habitantes de Gaza dormem entre os escombros ou na rua, onde moscas e insetos se multiplicam nas águas residuais paradas.

- "Permanecer acordados para fugir" -

"As pessoas geralmente não têm os elementos básicos para dormir bem: intimidade, controle de temperatura, escuridão e tranquilidade", explica à AFP Eman Alakhras, psicóloga da Médicos do Mundo.

Os pacientes que chegam à ONG no território pedem com frequência comprimidos para dormir, segundo ela.

"Alguns não conseguem dormir, porque viram muita gente morrer e sentem que devem permanecer acordados para poder fugir em caso de perigo", acrescenta.

A falta prolongada de sono, que leva a um maior risco de síndrome pós-traumática, transtornos cognitivos e atraso no desenvolvimento para as crianças, esgota os habitantes à medida que a guerra continua.

O conflito em Gaza eclodiu em 7 de outubro, quando comandos do Hamas mataram 1.198 pessoas no sul de Israel, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.

Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar na Faixa de Gaza que matou mais de 40.000 pessoas, segundo o Ministério da Saúde do território palestino, governado pelo Hamas desde 2007.

"Não é nada mais como antes", resume Mohamed Abdel Majid, deslocado com cerca de trinta membros de sua família.

Antes da guerra, todos dormiam em "quartos de verdade". Hoje em dia, há apenas "uma lona para o frio glacial no inverno e o sol escaldante no verão", acrescenta.

"Há idosos e crianças que simplesmente não conseguem suportar isso".

H.Au--ThChM