The China Mail - Números preocupam cientistas e agitam debate na COP16

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Números preocupam cientistas e agitam debate na COP16
Números preocupam cientistas e agitam debate na COP16 / foto: © AFP

Números preocupam cientistas e agitam debate na COP16

O diagnóstico dos especialistas é contundente: os mares, os solos e os seres vivos estão ameaçados pela mão destrutiva do ser humano, que deve fazer "as pazes com a natureza" para evitar um desastre.

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Quais são os dados que preocupam a comunidade científica e levaram o mundo a adotar 23 objetivos no acordo Kunming-Montreal para frear o hecatombe até 2030? Estes são os números fundamentais para as negociações da COP16 sobre a biodiversidade que ocorre em Cali, na Colômbia.

- 75% do planeta Terra modificado pela humanidade -

Cerca de 75% da superfície terrestre sofreu uma degradação significativa causada por humanos, incluindo florestas desmatadas e ecossistemas urbanizados ou convertidos em terras cultiváveis.

As zonas úmidas, as mais afetadas, perderam 87% da sua área nos últimos três séculos.

Estas são as conclusões da IPBES, uma plataforma de especialistas em biodiversidade das Nações Unidas.

As consequências: perda de habitat para a fauna, solos pobres em nutrientes e inférteis, menor absorção de CO2, deterioração da qualidade do ar, risco de zoonoses e menor disponibilidade de água potável, entre outras.

"A degradação dos solos pelas atividades humanas está comprometendo o bem-estar de pelo menos 3,2 bilhões de pessoas", estimou o IPBES em 2018. E "a população em terras áridas aumentará de 2,7 bilhões em 2010 para 4 bilhões em 2050".

Mas nem tudo está perdido: "os benefícios de restaurar os solos são dez vezes superiores ao custo de danificá-los", segundo a plataforma científica.

- Um milhão de espécies ameaçadas -

Dos 8 milhões de espécies animais e vegetais existentes no planeta, um milhão está ameaçado de extinção, segundo o IPBES. Para chegar a este número, a plataforma utilizou uma estimativa "conservadora" de 10% das espécies de insetos em risco, ou seja, cerca de 600.000.

O número total de espécies ameaçadas é 20 vezes superior ao da lista vermelha da IUCN, a referência mundial, que registra 46.000.

Os polinizadores, essenciais para a reprodução das plantas e 75% dos cultivos que alimentam a humanidade, são particularmente vulneráveis.

Já os corais, dos quais aproximadamente 850 milhões de pessoas dependem para se alimentar e trabalhar, são outro exemplo preocupante: estes animais, cujos recifes abrigam uma fauna imensa e protegem as costas atuando como quebra-mares, estão morrendo em ritmo recorde devido à acidificação e ao aquecimento dos oceanos.

Em um planeta 1,5°C mais quente do que na era pré-industrial, entre 70% e 90% desapareceriam. Se a temperatura subir para 2°C, a perda será de 99%.

- "Os Cinco Cavaleiros do Apocalipse" -

Para a ONU, a crise da biodiversidade tem cinco fatores, todos de origem humana, apelidados de "Os Cinco Cavaleiros do Apocalipse". Em ordem decrescente de preocupação, são eles: a destruição do habitat, a sobre-exploração dos recursos, a mudança climática, a poluição e as espécies invasoras.

Somente a destruição do habitat causou uma perda entre 2% e 11% da biodiversidade global durante o século XX, de acordo com um estudo publicado na revista Science em abril. Mas é o aquecimento global que poderá tornar-se a principal causa da destruição da natureza até 2050, segundo os autores do estudo.

- Metade do PIB mundial depende da natureza -

Mais da metade (55%) do PIB mundial, US$ 58 trilhões (R$ 317 trilhões na cotação atual), depende "moderadamente ou em grande medida" da natureza e seus serviços, de acordo com o gigante da auditoria PwC.

A agricultura, a silvicultura, a pesca e a aquicultura, assim como a indústria alimentar, de bebidas e da construção civil, são os mais expostos.

A polinização, a água e o controle de doenças são também listados como "serviços prestados pela natureza", um conceito onipresente nos textos da COP, mas criticado pelos ambientalistas, que o consideram uma forma de "mercantilizar" e "escravizar" a natureza.

- Bilhões de dólares em "subsídios prejudiciais" -

A natureza presta serviços inestimáveis à humanidade, mas o dinheiro público é utilizado para promover atividades que a prejudicam: extração de combustíveis fósseis, pesca excessiva, agricultura intensiva, entre outros.

Qual é o valor delas? Um dos objetivos do acordo de Kunming-Montreal é limitar os subsídios "prejudiciais" ou as isenções fiscais até 2025 e reduzi-los em "pelo menos US$ 500 bilhões por ano" (R$ 2,7 bilhões) até 2030.

O montante destes "subsídios prejudiciais ao meio ambiente" foi estimado em até US$ 2,6 trilhões anuais (R$ 14,2 trilhões), ou seja, 2,5% do PIB mundial, segundo a organização Earth Track.

I.Taylor--ThChM--ThChM