The China Mail - Talibãs descartam devolução da base aérea de Bagram aos Estados Unidos

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Talibãs descartam devolução da base aérea de Bagram aos Estados Unidos
Talibãs descartam devolução da base aérea de Bagram aos Estados Unidos / foto: © AFP/Arquivos

Talibãs descartam devolução da base aérea de Bagram aos Estados Unidos

Qualquer acordo para devolver a antiga base americana de Bagram é "impossível", declarou neste domingo (21) o governo do Afeganistão, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou Cabul com sanções caso rejeite a proposta.

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Bagram, a maior base aérea do Afeganistão, localizada ao norte de Cabul, foi o centro de operações americanas em sua guerra contra os talibãs durante 20 anos.

Trump ameaçou no sábado punir o país, sem especificar como, caso não devolva a base aos Estados Unidos, quatro anos após a retirada dos americanos do Afeganistão.

"Se o Afeganistão não devolver a Base Aérea de Bagram a quem a construiu, os Estados Unidos da América, COISAS RUINS VÃO ACONTECER!!!", escreveu o republicano em sua plataforma Truth Social.

Neste domingo, no entanto, o chefe de gabinete do Ministério da Defesa, Fasihudin Fitrat, disse que é impossível chegar a um acordo de tal natureza com os Estados Unidos.

"Recentemente, algumas pessoas afirmaram ter iniciado negociações com o Afeganistão para recuperar a base aérea de Bagram", disse Fitrat, em comentários divulgados pela imprensa local. "Um acordo, mesmo que seja sobre uma polegada do território afegão, é impossível. Nós não precisamos", ressaltou.

Poucas horas depois, o governo afegão afirmou em um comunicado que "a independência e integridade territorial do Afeganistão são de extrema importância".

- Base estratégica -

Trump lamenta com frequência a perda de Bagram, destacando sua proximidade com a China, mas na quinta-feira, durante sua visita de Estado ao Reino Unido, foi a primeira vez que mencionou publicamente que os Estados Unidos devem recuperar o controle da base.

As tropas americanas e da Otan abandonaram Bagram de maneira caótica em julho de 2021, durante a presidência de Joe Biden, como parte de um acordo de paz negociado por Trump em seu primeiro mandato, enquanto os talibãs tomavam o controle de amplas áreas do Afeganistão antes de finalmente assumir o controle de todo o país.

A perda do poder aéreo provocou o colapso militar afegão em semanas e possibilitou o retorno dos talibãs ao poder.

No sábado, após a publicação de suas mensagens nas redes sociais, jornalistas perguntaram a Trump na Casa Branca se ele estava considerando enviar tropas americanas para recuperar Bagram.

"Não vamos falar sobre isso, mas agora estamos conversando com o Afeganistão, e a queremos de volta, queremos de volta logo, imediatamente. E se eles não fizerem isso, vocês vão descobrir o que eu vou fazer", respondeu.

- Uma pequena cidade -

Bagram foi uma peça-chave na campanha militar liderada pelos Estados Unidos contra os talibãs, cujo governo foi derrubado por Washington após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Anistia Internacional, Human Rights Watch e outras organizações acusaram com frequência as forças americanas de abusos sistemáticos dos direitos humanos na base, especialmente contra os detidos na "Guerra contra o Terror" de Washington.

A base original foi construída no início da década de 1950 com a ajuda da União Soviética, ampliada com a ajuda dos Estados Unidos durante a Guerra Fria e consideravelmente melhorada por Moscou durante a ocupação soviética do Afeganistão entre 1979 e 1989.

Durante o principal momento do controle americano, por volta de 2010, o local virou uma pequena cidade, com supermercados, lojas e redes de fast food americanas como Dairy Queen e Burger King.

A base foi visitada por vários presidentes americanos, entre eles Barack Obama em 2012 e Trump em 2019.

T.Luo--ThChM