The China Mail - Sem ajuda alimentar do governo, 'não como': o drama de milhões nos EUA

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Sem ajuda alimentar do governo, 'não como': o drama de milhões nos EUA
Sem ajuda alimentar do governo, 'não como': o drama de milhões nos EUA / foto: © AFP

Sem ajuda alimentar do governo, 'não como': o drama de milhões nos EUA

Eric Dunham, pai de dois adolescentes e pessoa com deficiência, precisa da ajuda federal de alimentos. Mas com a paralisação orçamentária - o chamado 'shutdown' - nos Estados Unidos, o presidente americano, Donald Trump, suspendeu este programa de assistência, pondo em risco a alimentação de 40 milhões de pessoas.

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"Se não recebo mais vales de alimentos, literalmente não como. Sobram 24 dólares (R$ 129, do salário), o restante vai para a manutenção dos meus filhos", explica Eric, que após sofrer um acidente não consegue mais viajar no mesmo ritmo de antes, na área de serviços.

No sábado, este homem de 36 anos almoçou graças à caridade de um restaurante de Houston, no Texas. Ele levou sanduíches e bebidas do Petit Beignets and Tapioca, no noroeste da cidade.

Um em cada oito americanos se beneficia dos chamados "food stamps" ou vales de alimentos, distribuídos há mais de seis décadas pelo Programa de Assistência Alimentar Suplementar (SNAP), uma iniciativa federal.

Após a paralisação orçamentária provocada pela falta de um acordo entre republicanos e democratas no Congresso, Trump anunciou que pararia de financiá-lo a partir deste sábado pela primeira vez desde que foi criado.

Mas, na sexta-feira um juiz federal ordenou o governo a usar fundos emergenciais para mantê-lo funcionando. Trump disse que acataria, mas enquanto a burocracia se ajusta, muitos ficaram sem o benefício.

"Há muitas demissões e ainda por cima, agora as pessoas ficam sem benefício de alimentos, ninguém sabia que ia acontecer, então fiz sanduíches para aqueles [beneficiados] pelo programa SNAP, para que pelo menos tenham uma refeição garantida", disse Nhan Ngo, de 37 anos, proprietário do restaurante onde Eric se abasteceu.

Enquanto isso, no sul da cidade, milhares de pessoas que não receberam seus "food stamps" ou temem não recebê-los esta semana, fazem fila em seus carros do lado de fora do NRG Stadium, onde voluntários do Banco de Alimentos de Houston enchem os porta-malas com frutas e itens não perecíveis.

- "Isto não é um luxo" -

"Hoje foi suspenso o programa de assistência SNAP, algo sem precedentes na história. Isto afeta aproximadamente 425.000 famílias só na região de Houston. As comunidades estão fazendo tudo o possível para ajudar estas famílias a seguirem em frente enquanto isso", disse o presidente do Banco de Alimentos de Houston, Brian Greene.

Apesar de um juiz ter ordenado que o programa SNAP siga sendo financiado, "levará vários dias para ser reiniciado", avaliou.

Este vácuo afetou Sandra Guzmán, de 36 anos, mãe de dois meninos, que na semana passada fez o pedido de seus vales de alimentos, mas lhe disseram que não havia e que procurasse ajuda em outro lugar enquanto isso.

"Liguei há dois dias para solicitar meus benefícios e me disseram que não sabiam o que aconteceria (...) Isto não é um luxo, é algo tão básico quanto comida para meus filhos. Os 'food stamps' representam 40% das minhas despesas", explicou.

- Alimentos vs salão de baile -

May Willoughby, de 72 anos, chegou ao estádio em busca de um pouco de comida, junto com sua neta. Ela acredita que se a paralisação da ajuda continuar, o caos pode se instalar.

"Precisamos dos nossos 'food stamps', de seguro social, de saúde, e agora. Se cortarem, vão provocar uma guerra e as pessoas vão começar a roubar, a brigar com outras para tirar o que precisam para alimentar suas famílias. Precisamos de ajuda", explicou.

Também no estádio, Carolyn Guy, de 51 anos, mãe de 4 filhos e atualmente desempregada, considerou um absurdo que o governo Trump investisse em outras coisas, como um novo salão de baile na Casa Branca, em vez de manter este programa.

"Por que tiram nossas coisas? (...) Tiram de nós os cupons de alimentos, mas agora se preparam para construir um 'ballroom'. Não faz sentido", afirmou.

Depois de pegar seus sanduíches, Eric tentou se justificar por não ter como pagar. Ele mostrou seu carnê do programa SNAP e as sequelas do atropelamento que sofreu. Em troca, deu em Nhan um longo, inesperado e silencioso abraço.

I.Taylor--ThChM--ThChM