The China Mail - 'Não aguentou a dor': parentes choram por mulher morta em ataques dos EUA na Venezuela

USD -
AED 3.672497
AFN 64.99994
ALL 81.644561
AMD 376.141087
ANG 1.79008
AOA 916.999876
ARS 1431.862402
AUD 1.420404
AWG 1.8025
AZN 1.698283
BAM 1.653884
BBD 2.008101
BDT 121.931419
BGN 1.67937
BHD 0.377002
BIF 2954.631939
BMD 1
BND 1.269629
BOB 6.889437
BRL 5.215195
BSD 0.996985
BTN 90.310223
BWP 13.199274
BYN 2.864282
BYR 19600
BZD 2.005133
CAD 1.363705
CDF 2200.000086
CHF 0.772165
CLF 0.021688
CLP 856.380376
CNY 6.93895
CNH 6.919655
COP 3687.3
CRC 494.264586
CUC 1
CUP 26.5
CVE 93.244597
CZK 20.39815
DJF 177.53856
DKK 6.29471
DOP 62.922545
DZD 129.654975
EGP 46.886601
ERN 15
ETB 154.992326
EUR 0.84282
FJD 2.19835
FKP 0.73461
GBP 0.734925
GEL 2.695018
GGP 0.73461
GHS 10.95697
GIP 0.73461
GMD 72.999862
GNF 8751.427001
GTQ 7.647131
GYD 208.594249
HKD 7.815905
HNL 26.335973
HRK 6.348598
HTG 130.607585
HUF 317.82899
IDR 16816
ILS 3.098715
IMP 0.73461
INR 90.711997
IQD 1306.09242
IRR 42125.000158
ISK 122.220236
JEP 0.73461
JMD 156.042163
JOD 0.709007
JPY 156.625497
KES 129.000269
KGS 87.449947
KHR 4023.50852
KMF 418.999799
KPW 899.990005
KRW 1462.660067
KWD 0.30724
KYD 0.830842
KZT 493.296182
LAK 21424.79631
LBP 89285.155573
LKR 308.45077
LRD 187.436313
LSL 16.084528
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.313395
MAD 9.152964
MDL 16.998643
MGA 4425.972357
MKD 52.008369
MMK 2099.624884
MNT 3567.867665
MOP 8.023357
MRU 39.421935
MUR 45.980287
MVR 15.449691
MWK 1728.784464
MXN 17.23253
MYR 3.9345
MZN 63.749766
NAD 16.084936
NGN 1363.140174
NIO 36.691895
NOK 9.65535
NPR 144.492692
NZD 1.662525
OMR 0.384493
PAB 0.997011
PEN 3.354658
PGK 4.275524
PHP 58.549007
PKR 278.785014
PLN 3.54999
PYG 6587.403599
QAR 3.634057
RON 4.291597
RSD 98.93899
RUB 77.236338
RWF 1455.142001
SAR 3.75049
SBD 8.058149
SCR 14.635976
SDG 601.498401
SEK 8.98964
SGD 1.268565
SHP 0.750259
SLE 24.449805
SLL 20969.499267
SOS 568.763662
SRD 37.817981
STD 20697.981008
STN 20.718028
SVC 8.723632
SYP 11059.574895
SZL 16.081146
THB 31.2055
TJS 9.342049
TMT 3.505
TND 2.891585
TOP 2.40776
TRY 43.59945
TTD 6.751597
TWD 31.560505
TZS 2576.096999
UAH 42.823946
UGX 3547.463711
UYU 38.535857
UZS 12243.189419
VES 377.985125
VND 25914.5
VUV 119.182831
WST 2.73071
XAF 554.690017
XAG 0.012222
XAU 0.000199
XCD 2.70255
XCG 1.796902
XDR 0.689856
XOF 554.690017
XPF 100.851138
YER 238.397463
ZAR 15.980915
ZMK 9001.182183
ZMW 18.568958
ZWL 321.999592
'Não aguentou a dor': parentes choram por mulher morta em ataques dos EUA na Venezuela
'Não aguentou a dor': parentes choram por mulher morta em ataques dos EUA na Venezuela / foto: © AFP

'Não aguentou a dor': parentes choram por mulher morta em ataques dos EUA na Venezuela

Um enorme buraco irregular na parede de um edifício permite ver vizinhos exaustos entre os escombros. Por essa abertura, um homem retirou na madrugada de sábado a sua tia, gravemente ferida nos bombardeios americanos que levaram à captura do presidente deposto Nicolás Maduro.

Tamanho do texto:

Rosa González, uma advogada de 78 anos, era tia de Wilman González, com quem morava em La Guaira, um estado costeiro vizinho a Caracas e um dos três bombardeados pelos Estados Unidos.

"Ela não morreu aqui, morreu no hospital", conta Wilman à AFP. O braço "doía", e Rosa havia recebido um impacto no peito que a impedia de respirar.

Ele se lembra de que estava olhando o celular quando ocorreu a explosão e foi arremessado pelos ares. "Foi tão imensa" que "a porta principal voou, a de madeira voou, e me jogou contra a parede", narra este aposentado de 62 anos, ainda em estado de choque. Ele tem o olho direito roxo, com suturas.

Sua tia Rosa dormia no outro quarto.

"Nós a levamos até o hospitalzinho e colocaram oxigênio. Mas ela não aguentou a dor" e morreu, diz o homem entre as ruínas.

— "Muito simples, gentil" —

A polícia levou o corpo da mulher para a realização de uma autópsia. Nesta segunda-feira (5), ela é velada em uma pequena capela, o caixão de madeira com meia tampa aberta. Familiares e conhecidos a lamentam em silêncio.

"Era uma mulher muito simples, muito gentil, tinha muitas amizades", conta seu irmão José Luis González, de 82 anos, que ficou sabendo por uma ligação de seu sobrinho Wilman.

Eram cinco irmãos. Agora só José Luis permanece vivo.

"Não deveria ter acontecido na Venezuela uma tragédia como essa, em um bairro tão tranquilo", lamenta.

Wilman González voltou ao seu conjunto habitacional popular, o Bloco 12, de fachada azul desbotada pelo sol e agora perfurada por um míssil.

Portas e paredes demolidas, vidros quebrados. A imagem danificada de uma virgem sobre um pequeno altar lhe dá as boas-vindas.

Os vizinhos chegam a pegar na sala de Wilman pequenos fragmentos do projétil. As autoridades levaram outros pedaços maiores.

Após a explosão, "pensei que já estava morto", recorda Wilman, que critica a pouca assistência que recebeu do governo. "Deus, perdoa os meus pecados", diz que pensou.

Hoje ele caminha entre os restos do que um dia foi sua moradia. Recolhe pedaços de madeira, olha para eles e os lança de volta ao chão. Com uma chave de fenda na mão, avalia se é possível resgatar um guarda-roupa. Tudo é inútil.

Seus vizinhos resgatam panelas, liquidificadores, documentos, molduras de janelas.

"Isso eu via pela televisão. Palestina, lá, Iraque, toda essa gente. Aqui não", diz ele.

— "Resgatar a mim mesmo" —

A explosão causou danos irreparáveis em oito dos 16 apartamentos.

No apartamento de sua mãe, César Díaz junta documentos e os guarda em uma bolsa de tecido suja.

Um vizinho, Jesús Linares, conta como salvou essa mulher chamada Tibisay, de 80 anos, em meio ao desastre. Ele mostra o lençol desbotado que usou para estancar um sangramento na cabeça antes de levá-la ao hospital.

"Esses eram os sapatinhos dela", diz com incredulidade este bombeiro de 48 anos, e aponta para uma sandália de plástico órfã, sem o par.

"Uau! Tão grande que é tudo isso e justamente aqui, na casa da minha mãe", diz César, de 59 anos.

"Isso vai criar um trauma nela", lamenta, suado e ainda em estado de choque. "Para mim é duro chegar aqui e não vê-la sentada ali na sua poltrona", confessa à beira do choro.

Linares conta que, com a pouca compostura que lhe restava, socorreu Tibisay e retirou sua própria mãe, de 85 anos, e sua filha de 16, em pleno caos.

"Tentei me concentrar como se isso tivesse sido um terremoto: manter a calma e focar nas vidas delas e socorrê-las", conta este bombeiro de 48 anos.

A polícia levou o projétil, mas as autoridades não aparecem para lhes oferecer assistência.

Três décadas de serviço prepararam Linares para "resgatar vidas". "Desta vez, o que me coube foi me resgatar a mim mesmo, à minha família."

R.Yeung--ThChM