The China Mail - Protestos no Irã deixam quase 200 mortos, diz ONG

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Protestos no Irã deixam quase 200 mortos, diz ONG
Protestos no Irã deixam quase 200 mortos, diz ONG / foto: © UGC/AFP

Protestos no Irã deixam quase 200 mortos, diz ONG

Pelo menos 192 manifestantes morreram nos maiores protestos contra o governo no Irã em três anos, informou a ONG Iran Human Rights neste domingo (11).

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Os protestos começaram há duas semanas. Inicialmente motivados pelo aumento do custo de vida, evoluíram para um movimento contra o regime teocrático que governa o Irã desde a revolução de 1979.

Essas manifestações representam um dos maiores desafios ao governo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, após a guerra de 12 dias de Israel contra a República Islâmica em junho, apoiada pelos Estados Unidos, que se declararam "prontos para ajudar" a população.

Em caso de um ataque militar dos EUA, "tanto o território ocupado quanto as instalações militares e navais dos Estados Unidos serão nossos alvos legítimos", alertou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, neste domingo, segundo a televisão estatal.

Ele parece ter feito alusão a Israel, que o Irã não reconhece oficialmente e considera um território palestino ocupado.

Em entrevista transmitida neste domingo pela emissora estatal IRIB, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que "o povo não deve permitir que vândalos perturbem a sociedade".

Estas são suas primeiras declarações desde que os protestos contra o governo se intensificaram nas últimas três noites.

Apesar disso, a mobilização continua.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram multidões nas ruas durante novos protestos em diversas cidades, incluindo a capital, Teerã, e Mashhad, no leste.

Os vídeos vazaram apesar do bloqueio total da internet no país, o que impossibilitou a comunicação com o mundo exterior por meio de aplicativos de mensagens ou mesmo linhas telefônicas.

- Hospitais "sobrecarregados" -

O bloqueio da internet "já ultrapassou 60 horas (...). A medida de censura representa uma ameaça direta à segurança e ao bem-estar dos iranianos", afirmou neste domingo a Netblocks, uma organização de vigilância da segurança cibernética e da governança da internet.

Diversos vídeos, que a AFP não pôde verificar, mostram pessoas em um necrotério de Teerã supostamente identificando os corpos de manifestantes mortos na repressão.

A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, estimou neste domingo ter "confirmado a morte de pelo menos 192 manifestantes" desde o início dos protestos. A organização não descarta a possibilidade de o número ser muito maior, pois o corte da internet impede a verificação. O balanço anterior era de 51 mortos.

O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede nos Estados Unidos, afirma ter recebido "relatos de testemunhas oculares e informações confiáveis que indicam que centenas de manifestantes morreram no Irã durante o atual bloqueio da internet".

"Um massacre está acontecendo no Irã. O mundo precisa agir agora para evitar mais perdas de vidas", alertou.

O CHRI acrescentou que os hospitais estão "sobrecarregados", os estoques de sangue estão se esgotando e muitos manifestantes foram baleados nos olhos.

A Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, afirma ter confirmado a morte de 116 pessoas ligadas aos protestos. Entre elas, 37 membros das forças de segurança e outros funcionários.

- Detenções "significativas" -

O chefe da polícia nacional, Ahmad Reza Radan, anunciou prisões "significativas" de figuras proeminentes dos protestos na noite de sábado. Ele não especificou o número de prisões nem revelou suas identidades.

O chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, distinguiu entre protestos contra as dificuldades econômicas, que ele chamou de "completamente compreensíveis", e "tumultos", que descreveu como "muito semelhantes aos métodos de grupos terroristas", informou a agência de notícias Tasnim.

Teerã está praticamente paralisada, observou um jornalista da AFP. O preço da carne quase dobrou desde o início dos protestos e, embora algumas lojas estejam abertas, muitas outras fecharam.

Reza Pahlavi, filho exilado do xá deposto, que desempenhou um papel fundamental na organização dos protestos, convocou mais manifestações neste domingo. "Não saiam das ruas. Meu coração está com vocês. Sei que em breve estarei ao vosso lado", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, pediu neste domingo à União Europeia que designe a Guarda Revolucionária do Irã como uma "organização terrorista" e reiterou o apoio de seu país à "luta pela liberdade" do povo iraniano.

O papa Leão XIV também abordou a situação do Irã neste domingo e fez um apelo ao diálogo e à paz.

I.Taylor--ThChM--ThChM