The China Mail - Milhares de argentinos marcham contra o esquecimento, 50 anos após o golpe

USD -
AED 3.672501
AFN 65.476319
ALL 80.577087
AMD 365.860022
ANG 1.789783
AOA 917.000049
ARS 1491.641402
AUD 1.41719
AWG 1.80125
AZN 1.697547
BAM 1.696734
BBD 2.015728
BDT 122.843622
BGN 1.696366
BHD 0.377075
BIF 2998
BMD 1
BND 1.280933
BOB 11.734342
BRL 5.209199
BSD 1.000794
BTN 95.468406
BWP 13.472141
BYN 3.009929
BYR 19600
BZD 2.012779
CAD 1.393785
CDF 2273.000256
CHF 0.813435
CLF 0.023231
CLP 914.290229
CNY 6.743198
CNH 6.745195
COP 3125.44
CRC 449.393362
CUC 1
CUP 26.5
CVE 96.097828
CZK 21.014198
DJF 178.218681
DKK 6.484485
DOP 58.508892
DZD 132.931669
EGP 50.176501
ERN 15
ETB 161.890385
EUR 0.86745
FJD 2.21445
FKP 0.740201
GBP 0.741685
GEL 2.610218
GGP 0.740201
GHS 11.074982
GIP 0.740201
GMD 73.501678
GNF 8774.999914
GTQ 7.628599
GYD 209.38434
HKD 7.84715
HNL 26.830633
HRK 6.535402
HTG 130.904201
HUF 315.257502
IDR 17864
ILS 2.962965
IMP 0.740201
INR 95.43215
IQD 1311.025996
IRR 1374587.497717
ISK 123.34037
JEP 0.740201
JMD 158.336044
JOD 0.708968
JPY 159.5095
KES 129.495898
KGS 87.449705
KHR 4047.49823
KMF 426.999894
KPW 900.000294
KRW 1418.620493
KWD 0.30861
KYD 0.834053
KZT 465.738688
LAK 22580.225386
LBP 89621.102036
LKR 333.612392
LRD 181.645463
LSL 16.144844
LTL 2.95274
LVL 0.604889
LYD 6.374682
MAD 9.270009
MDL 17.373275
MGA 4310.91697
MKD 53.37538
MMK 2099.846019
MNT 3597.969266
MOP 8.08894
MRU 40.105493
MUR 47.149798
MVR 15.460087
MWK 1735.471585
MXN 17.04444
MYR 4.086397
MZN 63.900861
NAD 16.144914
NGN 1360.849945
NIO 36.82706
NOK 9.513135
NPR 152.752101
NZD 1.71006
OMR 0.384513
PAB 1.000794
PEN 3.377159
PGK 4.42879
PHP 61.374501
PKR 277.795321
PLN 3.7389
PYG 5973.01084
QAR 3.635016
RON 4.547598
RSD 101.752974
RUB 83.076096
RWF 1474.223003
SAR 3.743113
SBD 8.064941
SCR 14.023536
SDG 600.498289
SEK 9.568698
SGD 1.28072
SHP 0.740866
SLE 24.550085
SLL 20969.499227
SOS 571.973887
SRD 37.722498
STD 20697.981008
STN 21.254723
SVC 8.756946
SYP 13001.999906
SZL 16.149252
THB 33.194033
TJS 9.247366
TMT 3.5
TND 2.934571
TOP 2.40776
TRY 47.773796
TTD 6.786763
TWD 32.126993
TZS 2645.502939
UAH 44.737671
UGX 3715.737009
UYU 40.062929
UZS 11954.697077
VES 765.397601
VND 26075
VUV 118.594628
WST 2.730779
XAF 569.073676
XAG 0.015463
XAU 0.000229
XCD 2.70255
XCG 1.803702
XDR 0.707757
XOF 569.06874
XPF 103.462785
YER 237.149877
ZAR 16.21045
ZMK 9001.20247
ZMW 18.815201
ZWL 321.999592
Milhares de argentinos marcham contra o esquecimento, 50 anos após o golpe

Milhares de argentinos marcham contra o esquecimento, 50 anos após o golpe

Dezenas de milhares de pessoas saíram em passeata nesta terça-feira (24) em Buenos Aires, 50 anos após o golpe de Estado que instaurou na Argentina uma ditadura que o governo do líder de extrema direita Javier Milei quer revisar.

Tamanho do texto:

Sob o lema "Nunca mais", que marcou gerações, a manifestação se estendeu ao longo do quilômetro que separa a Praça de Maio da Avenida 9 de Julho e também tomava ruas vizinhas.

Em um ambiente festivo e em meio a cartazes que exibiam a frase "Não nos venceram", balões brancos com fotos dos desaparecidos foram soltos.

Valeria Coronel, uma professora de 43 anos, levou a filha de 8. "A memória se transmite de geração em geração para que a luta continue", disse à AFP. "É a herança que quero deixar para ela", acrescentou.

Órgãos de defesa dos direitos humanos calculam que a ditadura tenha deixado 30 mil desaparecidos, um número que o governo considera ser de menos de 9.000.

As Avós da Praça de Maio restituíram a identidade de 140 netos sequestrados ainda bebês ou que nasceram em cativeiro; e estima-se em mais de 300 os que ainda precisam ser encontrados. "Cada restituição de um neto é prova das atrocidades cometidas pelo terrorismo de Estado: desaparecimentos, assassinatos, roubos, sequestros de menores e falsificação de documentos políticos", disse a presidente da associação, Estela De Carlotto, 95, cujo neto foi o 114º a ser encontrado.

O golpe cívico-militar de 1976 derrubou Isabel Perón e instaurou uma ditadura que governou até 1983, levando a desaparecimentos, torturas, sequestro de bebês, além de forçar milhares de pessoas a partir para o exílio.

- Memória e disputa política -

Os argentinos vivem uma disputa política sobre como essa violência é narrada, depois que Milei questionou consensos estabelecidos desde o retorno da democracia. O governo afirma que houve uma guerra entre dois lados em que excessos foram cometidos, referindo-se às guerrilhas de então e relativizando o papel dos militares.

A Casa Rosada divulgou hoje um vídeo nessa linha, em que denuncia uma suposta "visão enviesada e revanchista" sob a qual a História tem sido estudada, que teria sido usada pela esquerda como "instrumento de manipulação".

"Existe algo do pacto democrático que se quebrou com este governo", disse à AFP o cientista político Iván Schuliaquer, da Universidade Nacional de San Martín. Mas "a condenação à ditadura, ao plano sistemático de perseguição, tortura e desaparecimento, ainda se mantém forte entre a maior parte da população argentina", acrescentou.

Um estudo recente da Universidade de Buenos Aires (UBA) e do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS) com 1.136 entrevistados em todo o país revelou que sete em cada dez argentinos condenam a ditadura militar.

- 'Achávamos que reapareceriam' -

Nas sacadas em volta da Praça de Maio, alguns penduraram bandeiras argentinas e lenços brancos, símbolo da busca de meio século, que ainda continua. "Restam muitas dúvidas, muitas perguntas sem resposta", disse à AFP a médica Jimena León, 35.

Cinquenta anos depois, 1.208 pessoas foram condenadas em mais de 350 julgamentos; no entanto, mais de 300 casos permanecem em aberto.

A justiça de Córdoba, no centro do país, identificou recentemente os restos ósseos de 12 pessoas encontrados no ano passado em um antigo centro de detenção clandestino.

"Achávamos que, depois de alguns dias de tortura, as pessoas reapareceriam. Mas isso não aconteceu", disse à AFP Miriam Lewin, jornalista de 68 anos que tinha 19 no dia do golpe, às vésperas do cinquentenário.

Ela vivia na clandestinidade quando, em 1977, foi sequestrada, torturada e transferida para a Escola de Mecânica da Armada (Esma), um dos principais centros de detenção clandestinos do regime, que hoje funciona como museu em Buenos Aires.

"Assim como nos campos nazistas, aqueles que possuíam uma habilidade específica eram os que sobreviviam", relata. A sua era redigir notas e traduzir textos. "Vivíamos em meio aos gritos de tortura, mantendo, ao mesmo tempo, uma rotina quase como a de um trabalho de escritório".

L.Johnson--ThChM