The China Mail - Conversas entre Israel e Líbano previstas para a próxima semana em Washington

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Conversas entre Israel e Líbano previstas para a próxima semana em Washington
Conversas entre Israel e Líbano previstas para a próxima semana em Washington / foto: © AFP

Conversas entre Israel e Líbano previstas para a próxima semana em Washington

Israel e o Líbano manterão conversas na próxima semana em Washington, D.C., afirmou nesta quinta-feira (9) um funcionário americano, enquanto cresce a preocupação de que os combates envolvendo o Hezbollah possam romper a frágil trégua entre Estados Unidos e Irã.

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O bombardeio mais intenso de Israel contra o Líbano desde que o grupo libanês pró-iraniano Hezbollah entrou na guerra no Oriente Médio em 2 de março deixou, na quarta-feira, centenas de mortos, colocando em risco o cessar-fogo entre Washington e Teerã menos de 48 horas após sua entrada em vigor.

"Podemos confirmar que o Departamento de Estado sediará uma reunião na próxima semana para discutir as negociações sobre um cessar-fogo entre Israel e o Líbano", declarou um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos à AFP, sob condição de anonimato.

Após um apelo à contenção feito pelo presidente americano, Donald Trump, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta quinta-feira que ordenou ao seu gabinete iniciar "negociações diretas" com o Líbano, algo inédito em décadas.

Segundo Netanyahu, essas negociações "abordarão o desarmamento do Hezbollah", que o governo libanês se comprometeu a realizar, "e o estabelecimento de relações de paz" entre os dois países, que ainda estão tecnicamente em estado de guerra.

O Líbano, que havia proposto essas conversas em 9 de março, quer, no entanto, "um cessar-fogo antes de qualquer início de negociações", declarou à AFP um responsável libanês que pediu para não ser identificado.

O Hezbollah rejeitou qualquer negociação direta entre Líbano e Israel e pediu a "retirada israelense" do sul do país.

- Novos bombardeios -

De qualquer forma, Netanyahu já havia advertido anteriormente que os bombardeios contra o grupo xiita Hezbollah continuariam para restabelecer a "segurança dos habitantes do norte" de Israel, região fronteiriça com o Líbano.

À noite, o Exército israelense anunciou que havia começado a atacar "posições de disparo" do Hezbollah no Líbano.

Em Beirute, continuavam as buscas por vítimas após os bombardeios realizados simultaneamente por Israel na quarta-feira em várias regiões, que deixaram mais de 300 mortos e cerca de mil feridos.

Em Ain el Mreisseh, um bairro residencial à beira-mar, ainda havia corpos sob pedras e pedaços de metal, entre objetos da vida cotidiana como um boletim escolar ou um urso de pelúcia.

"Não sabemos onde está minha sobrinha", disse à AFP Taha Qarqamaz, que também perdeu outra sobrinha e tem mais duas em estado grave.

- "Inaceitável" -

Trump confirmou nesta quinta-feira à NBC News que pediu contenção a Netanyahu, após o site Axios informar sobre conversas telefônicas na quarta-feira entre ambos e o enviado americano Steve Witkoff.

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer classificou como "inaceitável" a continuidade dos ataques de Israel contra o Líbano, durante uma viagem para se reunir com líderes do Golfo, com os quais pretende se comprometer a fazer respeitar o frágil cessar-fogo no Oriente Médio.

O Paquistão, mediador no conflito no Oriente Médio, denunciou nesta quinta-feira a "agressão" israelense contra o Líbano.

Ao anunciar o cessar-fogo, havia afirmado que ele se aplicaria "em todas as partes, incluindo o Líbano", algo negado por Israel e Washington.

O Paquistão deve sediar a partir de sexta-feira negociações entre iranianos e americanos, estes últimos liderados pelo vice-presidente JD Vance.

Em declarações à NBC News, Trump disse estar "muito otimista" quanto à possibilidade de concluir um acordo de paz, apesar da distância entre as posições dos dois países.

O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã descartou restringir o programa de enriquecimento de urânio, uma das principais exigências de Estados Unidos e Israel, que acusam o Irã de querer desenvolver uma bomba atômica — o que Teerã nega.

- Concentração em Teerã -

No Irã, milhares de pessoas se reuniram ao completar 40 dias da morte do líder supremo Ali Khamenei, quando um ataque conjunto de Estados Unidos e Israel desencadeou a guerra em 28 de fevereiro.

Entre a multidão, Nastaran Safai, uma estudante de 24 anos, considerou que o cessar-fogo representa uma "vitória" para o Irã.

"Tenho medo de que a guerra recomece e, ao mesmo tempo, tenho medo de que o regime permaneça" no poder, afirmou Sheida, uma designer gráfica de 38 anos.

Em uma mensagem lida na televisão estatal, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Irã não quer a guerra, mas protegerá os direitos do país.

Um petroleiro não iraniano, o primeiro desde o cessar-fogo, atravessou nesta quinta-feira o Estreito de Ormuz.

Mas, após relatos de que o Irã estaria cobrando taxas dos petroleiros que passam por essa rota estratégica, Trump advertiu os iranianos que "é melhor não fazer isso".

O preço do barril de petróleo americano, que nesta quinta-feira havia voltado a ultrapassar os 100 dólares, caiu no final do dia.

A Bolsa de Nova York fechou em alta, enquanto as bolsas europeias — já encerradas quando foram anunciadas as negociações diretas entre Israel e Líbano — não se beneficiaram dessa recuperação.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que a guerra no Irã pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar.

E.Choi--ThChM