The China Mail - Israel e Hezbollah pactuam trégua no Líbano, com acordo EUA-Irã em suspenso

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Israel e Hezbollah pactuam trégua no Líbano, com acordo EUA-Irã em suspenso
Israel e Hezbollah pactuam trégua no Líbano, com acordo EUA-Irã em suspenso / foto: © AFP

Israel e Hezbollah pactuam trégua no Líbano, com acordo EUA-Irã em suspenso

Israel e o Hezbollah pactuaram um cessar-fogo nesta sexta-feira (19), segundo um funcionário americano, depois que os combates entre o Exército israelense e o grupo islamista libanês ameaçaram o recente acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.

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Depois de anunciar a morte de quatro soldados no Líbano, Israel lançou bombardeios no país, que deixaram 47 mortos, anunciou o Ministério da Saúde libanês. Foi o maior episódio de violência desde o anúncio de um acordo entre Washington e Teerã esta semana.

Esse memorando de entendimento prevê um cessar-fogo "em todas as frentes, incluído o Líbano", uma condição na qual Teerã, aliado do Hezbollah, tinha insistido para encerrar o conflito.

A guerra, desencadeada pelos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, deixaram milhares de mortos, principalmente na República Islâmica e no Líbano.

O vice-presidente americano, JD Vance, e o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, deveriam iniciar uma nova fase de negociações nesta sexta-feira na Suíça, mas o encontro foi suspenso em meio às hostilidades no Líbano.

Horas depois, um funcionário americano informou à AFP que Israel e o Hezbollah haviam concordado com um cessar-fogo com efeito imediato, negociado por mediadores americanos após conversas com Israel e Irã.

Um diplomata do Golfo, que falou sob a condição do anonimato, confirmou a trégua mediada "por Catar, Estados Unidos e Irã".

No entanto, logo depois do anúncio, a agência de notícias estatal libanesa NNA reportou um ataque israelense na cidade de Sejoud e um correspondente da AFP ouviu tiros de artilharia na cidade de Nabatieh, ambas no sul do país.

- "Todo o Líbano deve queimar" -

Durante o dia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tinha ameaçado fazer o Hezbollah "pagar um preço muito alto" pela morte de militares israelenses e insistiu que suas forças continuariam no sul do Líbano.

"Todo o Líbano deve queimar", declarou, por sua vez, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, levando o chanceler iraniano Abbas Araghchi a acusar Israel de querer "guerra permanente".

 

"Estávamos em casa quando, de repente, começaram os bombardeios. Nenhuma cidade, nenhuma casa foi poupada", contou Zeinab Naser, de 69 anos, em meio a um congestionamento em Sidon, no sul do Líbano.

"Os aviões militares israelenses nunca deixam o céu. Esperamos que esse veneno [Israel] vá embora do nosso país e possamos viver", acrescentou.

- "Não há pressa" -

No plano diplomático, o governo suíço anunciou o adiamento, sem nova data definida, das negociações previstas para esta sexta-feira entre Teerã e Washington.

A princípio, anunciou-se que este encontro devia servir para selar o pacto, mas por fim a assinatura foi feita eletronicamente pelos presidentes dos dois países, Donald Trump e Masoud Pezeshkian.

O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, disse que o tinha aprovado, mas com reservas. No futuro, serão realizadas "negociações cara a cara" com os Estados Unidos, mas isso não "significa aceitar o ponto de vista do inimigo", assegurou na quinta-feira.

Como o texto já está assinado, "não há pressa em realizar este encontro na Suíça, mas planejamos uma reunião nos próximos dias", explicou o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei.

Por enquanto, haverá uma reunião no domingo no Egito de negociações iranianos com diplomatas de Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito, informaram fontes do Cairo e de Islamabad.

"Os próximos 60 dias serão cruciais. Podemos chegar a um acordo global, mas também esperamos um acordo incompleto, com algumas lacunas", afirmou uma fonte diplomática dos Emirados Árabes Unidos.

- Vinte e cinco navios passam por Ormuz -

Por enquanto, o pacto permitiu retomar a navegação no Estreito de Ormuz. Até o momento, 25 navios comerciais atravessaram a passagem na quinta-feira, um volume inédito desde meados de abril e cinco vezes superior à média dos dez primeiros dias de junho, segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo AXSMarine.

Desde o início da guerra, Teerã fechou de fato o estreito, ao que os Estados Unidos responderam bloqueando os portos iranianos.

A autoridade marítima iraniana responsável pelo Estreito de Ormuz informou nesta sexta-feira que embarcações que desejem utilizar a passagem deverão solicitar autorização com "48 horas de antecedência".

Segundo os termos do memorando de entendimento, "não será cobrada" nenhuma taxa "durante um período de 60 dias", informou a televisão estatal iraniana, citando um comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Os preços do petróleo interromperam a queda nesta sexta-feira, após os recuos acentuados registrados depois do anúncio do acordo-quadro. O barril do Brent do Mar do Norte, referência internacional, era negociado em torno de 80 dólares (R$ 440).

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Y.Parker--ThChM