Tarifa global de Trump expira, mas EUA prepara novos tributos
Os Estados Unidos preparam novas tarifas que poderão afetar dezenas de países, informou nesta terça-feira (21) o representante comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, antes que as tarifas globais temporárias estabelecidas pelo presidente Donald Trump expirem nesta semana.
Os Estados Unidos anunciarão novas tarifas para cerca de 60 países nos próximos dias, antecipou Greer durante uma entrevista à CNBC. Trata-se de um esforço para reconstruir a agenda comercial do presidente americano após reveses judiciais.
Seus serviços realizaram investigações sobre determinadas práticas comerciais, direcionadas especialmente ao trabalho forçado, e espera-se que as conclusões sejam divulgadas nesta semana.
Essas tarifas, que poderão afetar os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, deverão substituir as tarifas alfandegárias temporárias de 10% instituídas por Trump após a invalidação, pela Suprema Corte, das sobretaxas estabelecidas no ano passado.
"Os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. Outros países, a maioria deles, não têm uma legislação desse tipo e, os que têm, na verdade não a aplicam", disse Greer à CNBC.
"Esperamos ver algumas medidas em breve", acrescentou.
No fim de fevereiro, a mais alta corte dos Estados Unidos anulou boa parte das tarifas impostas pelo presidente americano, ao considerar que o mandatário havia feito uma interpretação inconstitucional de um dispositivo legal para justificá-las.
A decisão não afetou as tarifas setoriais, que atingem, em especial, os setores automotivo, do aço, do alumínio e do cobre.
Trump anunciou então novas tarifas, com base em outra lei que lhe permitia aplicar essas sobretaxas por um período máximo de 150 dias.
Paralelamente, o USTR iniciou uma série de investigações que, em tese, lhe permitem estabelecer essas tarifas de forma permanente. Elas se baseiam na mesma legislação que autoriza a imposição das tarifas setoriais.
Assim, ao término dessas investigações, no início de junho, Greer propôs tarifas de 12,5% para cerca de 45 países que, segundo seus serviços, não impõem proibições à importação de produtos provenientes de trabalho forçado.
Para as economias que possuem esse tipo de proibição, mas cujos esforços para aplicá-la são considerados insuficientes por Washington — Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão —, a administração Trump propõe impor uma tarifa reduzida de 10%.
O mesmo vale para o Reino Unido, cuja proibição é considerada apenas parcial.
– Tensão com o Brasil –
Por outro lado, os planos dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, sob a acusação de práticas comerciais desleais, provocaram uma dura reação do governo do Brasil.
Entretanto, a tarifa entrará em vigor na quarta-feira e desponta como um importante foco de tensão durante a campanha eleitoral, a apenas alguns meses das eleições presidenciais de outubro no Brasil.
Produtos como carne bovina, café e determinadas peças aeronáuticas ficarão isentos, assim como alguns bens que não são produzidos nos Estados Unidos.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil advertiu recentemente que a medida coloca a maior economia da América Latina entre aquelas que "enfrentam as condições mais restritivas para acessar o mercado norte-americano", com mais de 11 bilhões de dólares em exportações afetadas.
Washington acusa Brasília de adotar políticas que, segundo afirma, prejudicaram o comércio dos Estados Unidos ao "reduzir o acesso a um de seus principais mercados de exportação", justificou Greer ao anunciar as tarifas.
– Golpe contra um parceiro –
O governo americano anunciou, nos últimos dias, outras tarifas direcionadas ao Canadá, um de seus principais parceiros comerciais.
Na segunda-feira, Ottawa foi alvo de uma sobretaxa adicional de 50%, que entrará em vigor dentro de um mês, devido ao "tratamento discriminatório do Canadá em relação aos produtos norte-americanos".
"É uma resposta às medidas de retaliação" adotadas por Ottawa após as primeiras tarifas impostas por Washington em 2025. "Há um ano pedimos ao Canadá que as retire, que as modifique, que as ajuste", justificou Greer nesta terça-feira.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, declarou nesta terça-feira que está "avaliando todas as opções" para responder ao aumento.
"O Canadá fará tudo o que for necessário para apoiar seus trabalhadores e seus empregos", afirmou Carney à imprensa, depois de conversar pela manhã com o presidente americano.
"Concordamos em intensificar nossas negociações nas próximas duas semanas", adiantou o primeiro-ministro.
Essas novas tarifas serão aplicadas a produtos tão diversos quanto vinho, tacos de hóquei e até cimento, e incluirão os bens que entrarem nos Estados Unidos no âmbito do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (T-MEC), tratado de livre-comércio que os dois países mantêm com o México.
S.Wilson--ThChM