The China Mail - Antes ameaçadas, baleias-jubarte abundam no litoral brasileiro

USD -
AED 3.67297
AFN 64.999709
ALL 84.31498
AMD 361.730417
ANG 1.789785
AOA 917.999687
ARS 1513.172301
AUD 1.431352
AWG 1.8025
AZN 1.697874
BAM 1.748185
BBD 2.013658
BDT 123.127391
BGN 1.747831
BHD 0.37775
BIF 2996
BMD 1
BND 1.279882
BOB 11.762182
BRL 5.012102
BSD 0.999768
BTN 95.208981
BWP 13.734665
BYN 3.010793
BYR 19600
BZD 2.010753
CAD 1.42081
CDF 2309.999662
CHF 0.83248
CLF 0.024913
CLP 980.589879
CNY 6.69215
CNH 6.692355
COP 3191.32
CRC 455.140667
CUC 1
CUP 23.995316
CVE 98.750368
CZK 21.736902
DJF 177.720158
DKK 6.67359
DOP 61.306089
DZD 134.50203
EGP 52.793802
ERN 15
ETB 161.130205
EUR 0.892797
FJD 2.262993
FKP 0.757299
GBP 0.75445
GEL 2.589861
GGP 0.757299
GHS 11.684995
GIP 0.757299
GMD 74.000206
GNF 8755.000528
GTQ 7.643284
GYD 209.16908
HKD 7.848385
HNL 26.940083
HRK 6.731396
HTG 130.776966
HUF 324.676497
IDR 17888.5
ILS 3.075575
IMP 0.757299
INR 95.03995
IQD 1310.5
IRR 1779860.000122
ISK 121.87031
JEP 0.757299
JMD 158.774
JOD 0.708976
JPY 158.280496
KES 129.799459
KGS 87.450321
KHR 4070.000029
KMF 439.999837
KPW 899.999961
KRW 1340.479936
KWD 0.31185
KYD 0.833143
KZT 448.425042
LAK 22424.999903
LBP 89549.999739
LKR 330.776932
LRD 171.249847
LSL 16.510258
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.425004
MAD 9.747017
MDL 17.966079
MGA 4500.000049
MKD 55.034145
MMK 2100.154921
MNT 3596.159888
MOP 8.082073
MRU 40.225014
MUR 47.606563
MVR 15.449969
MWK 1740.999831
MXN 18.362205
MYR 4.091701
MZN 63.909552
NAD 16.510226
NGN 1329.769688
NIO 36.855024
NOK 9.516735
NPR 152.334728
NZD 1.78052
OMR 0.384504
PAB 0.999745
PEN 3.430498
PGK 4.45175
PHP 62.754499
PKR 277.034979
PLN 3.901015
PYG 5716.150023
QAR 3.640303
RON 4.767201
RSD 104.833996
RUB 84.322013
RWF 1475
SAR 3.75707
SBD 8.078071
SCR 13.887784
SDG 601.501618
SEK 9.96153
SGD 1.27947
SHP 0.755572
SLE 24.669778
SLL 20969.504398
SOS 571.498816
SRD 37.647501
STD 20697.981008
STN 21.975
SVC 8.748078
SYP 13001.999685
SZL 16.50933
THB 33.551996
TJS 9.228074
TMT 3.51
TND 3.303498
TOP 2.40776
TRY 49.365055
TTD 6.799401
TWD 32.175016
TZS 2630.295011
UAH 45.101809
UGX 4139.404341
UYU 40.18735
UZS 11894.999946
VES 875.701602
VND 25914
VUV 119.051984
WST 2.777036
XAF 585.636571
XAG 0.016857
XAU 0.000240297392
XCD 2.70255
XCG 1.801906
XDR 0.707052
XOF 585.636571
XPF 106.874958
YER 236.197632
ZAR 16.48718
ZMK 9001.202922
ZMW 19.904269
ZWL 321.999592
SSP 5758.266415
MXV 2.073643
Antes ameaçadas, baleias-jubarte abundam no litoral brasileiro
Antes ameaçadas, baleias-jubarte abundam no litoral brasileiro / foto: © AFP

Antes ameaçadas, baleias-jubarte abundam no litoral brasileiro

No maior santuário de reprodução de baleias-jubarte do Atlântico Sul, no litoral brasileiro, vários machos batem na água com suas caudas e se empurram uns aos outros na ânsia de alcançar uma fêmea — uma cena impensável há poucas décadas.

Tamanho do texto:

A poucos metros dali, a bordo de um catamarã, um grupo de cientistas observa com entusiasmo a quantidade de baleias e seus comportamentos, e se apressa em fotografar cada jato d'água, nadadeira ou dorso que aparece.

"Quem vê uma baleia se apaixona, se conecta de outra maneira com o meio ambiente", diz um deles, Eduardo Camargo, com a câmera em mãos.

Camargo dirige o Instituto da Baleia Jubarte (IBJ), fundado em 1996 e sediado em Caravelas, no extremo sul da Bahia, uma das principais organizações que pesquisam e protegem essa espécie no Brasil.

Entre junho e novembro, ele e sua equipe navegam até o arquipélago de Abrolhos, a cerca de 70 km da costa, em cujas águas quentes as baleias-jubarte fêmeas dão à luz e amamentam seus filhotes, enquanto os machos procuram acasalar.

Durante a temporada, são registrados centenas desses cetáceos. Eles passaram de quase extintos no Atlântico Sul há quatro décadas para uma população de cerca de 35.000 indivíduos hoje, quase metade da população mundial de aproximadamente 80.000.

Essa recuperação exigiu a proibição da caça, a proteção de seus locais de reprodução e uma extensa pesquisa para entender esses gigantes e implementar outras estratégias de preservação, de acordo com o IBJ.

- Vínculos familiares -

Vestindo um colete salva-vidas e capacete, e carregando uma balestra, o biólogo Fabio Fontes persegue o grupo de baleias em um bote inflável.

A poucos metros de distância, ele dispara uma flecha que perfura as costas de um dos animais e se joga na água, de onde recupera a baleia, juntamente com uma amostra de pele e gordura.

A manobra é observada atentamente do catamarã por cientistas e jornalistas, entre eles a AFP.

Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do IBJ, explica à AFP que essa biópsia permite aos pesquisadores estabelecer relações de parentesco. Foi assim que descobriram, anos atrás, que uma baleia-jubarte nascida em Abrolhos era parente de outra avistada na ilha Geórgia do Sul, cerca de 4.000 quilômetros ao sul.

Essa descoberta ajudou a estabelecer a rota migratória desses animais, que podem atingir até 16 metros de comprimento na fase adulta e pesar o equivalente a seis elefantes.

Eles passam o verão se alimentando no extremo sul do Atlântico e migram para o litoral brasileiro para se reproduzir.

- Identificação por IA -

A cauda, com sua mancha branca sobre um fundo preto, é a impressão digital da baleia-jubarte, um padrão único que permite a identificação de cada indivíduo.

A comparação de fotos das caudas, que antes exigia muitos olhos e horas de trabalho, agora é feita em segundos pela plataforma Happy Whale, que utiliza inteligência artificial e já identificou 8.300 baleias-jubarte brasileiras.

Graças a essa ferramenta, um recorde mundial foi estabelecido: uma baleia-jubarte percorreu mais de 15.000 quilômetros até a costa leste da Austrália, um feito que foi noticiado pela imprensa internacional em maio.

"As populações de baleia aqui no hemisfério sul são muito mais conectadas do que a gente imaginava", disse Marcondes à AFP.

- "Eram lendas" -

Em meados da década de 1980, ninguém sequer sabia que existiam baleias no Brasil, disse Enrico Marcovaldi, fundador do IBJ, à AFP.

A primeira vez que viu uma, naquela época, confundiu-a com uma pedra.

"Eram lendas, a gente nunca tinha visto uma baleia", recordou.

Após confirmar que se tratava de uma baleia-jubarte, ele iniciou o projeto que deu origem ao instituto.

O IBJ conta com o apoio financeiro da Petrobras há 30 anos. A petroleira estatal, que também explora petróleo em alto-mar próximo à Amazônia, apoia outros projetos de recuperação de espécies no Brasil.

Em 1986, foi decretada uma moratória global sobre a caça comercial de baleias e, no ano seguinte, o Brasil a proibiu por lei. Isso foi seguido, com o apoio do IBJ, pela criação de uma área protegida em Abrolhos.

O arquipélago foi designado "Hope Spot" em outubro pela ONG Mission Blue, fundada pela oceanógrafa americana Sylvia Earle, uma distinção concedida a locais-chave para a conservação marinha devido à sua biodiversidade.

Em 2014, a baleia-jubarte foi retirada da lista de espécies ameaçadas do Brasil e, desde então, sua população não para de crescer.

Esse sucesso, diz Camargo, trouxe novos desafios para "harmonizar" a atividade humana com a conservação.

O aumento do tráfego marítimo e das redes de pesca são agora as principais ameaças diretas. Outra preocupação é o aquecimento do mar devido às mudanças climáticas, que ameaça o krill, do qual esses gigantes dependem.

Y.Su--ThChM