The China Mail - Plano kamikaze abala Economia

USD -
AED 3.672501
AFN 65.000199
ALL 81.25221
AMD 377.970239
ANG 1.79008
AOA 916.999871
ARS 1431.316102
AUD 1.41224
AWG 1.8025
AZN 1.70377
BAM 1.646747
BBD 2.012849
BDT 122.13779
BGN 1.67937
BHD 0.377017
BIF 2957.159456
BMD 1
BND 1.268203
BOB 6.920331
BRL 5.202609
BSD 0.999352
BTN 90.600003
BWP 13.170436
BYN 2.880286
BYR 19600
BZD 2.009919
CAD 1.35806
CDF 2199.999931
CHF 0.767302
CLF 0.021643
CLP 854.629826
CNY 6.93895
CNH 6.91671
COP 3680.95
CRC 495.427984
CUC 1
CUP 26.5
CVE 92.841055
CZK 20.32555
DJF 177.96339
DKK 6.268725
DOP 62.913099
DZD 129.466972
EGP 46.862976
ERN 15
ETB 155.88032
EUR 0.83916
FJD 2.190594
FKP 0.735168
GBP 0.73238
GEL 2.694984
GGP 0.735168
GHS 10.998097
GIP 0.735168
GMD 73.000171
GNF 8773.443914
GTQ 7.666239
GYD 209.083408
HKD 7.814445
HNL 26.398747
HRK 6.317002
HTG 131.056026
HUF 316.210018
IDR 16801.15
ILS 3.08924
IMP 0.735168
INR 90.67025
IQD 1309.202051
IRR 42125.000158
ISK 121.6903
JEP 0.735168
JMD 156.313806
JOD 0.709001
JPY 155.725504
KES 128.950256
KGS 87.449976
KHR 4030.614822
KMF 418.999929
KPW 899.993603
KRW 1457.934986
KWD 0.30689
KYD 0.832814
KZT 493.541923
LAK 21477.436819
LBP 89494.552313
LKR 309.311509
LRD 185.885751
LSL 16.017682
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.318253
MAD 9.139958
MDL 16.974555
MGA 4387.600881
MKD 51.726887
MMK 2099.674626
MNT 3566.287566
MOP 8.045737
MRU 39.684257
MUR 45.980108
MVR 15.450228
MWK 1732.903356
MXN 17.17654
MYR 3.934502
MZN 63.749962
NAD 16.017682
NGN 1357.829805
NIO 36.777738
NOK 9.58189
NPR 144.959837
NZD 1.652899
OMR 0.38449
PAB 0.999356
PEN 3.35639
PGK 4.347991
PHP 58.426977
PKR 279.449595
PLN 3.53305
PYG 6589.344728
QAR 3.643
RON 4.271901
RSD 98.519014
RUB 77.39937
RWF 1459.087618
SAR 3.750614
SBD 8.058149
SCR 13.856617
SDG 601.50654
SEK 8.93125
SGD 1.265785
SHP 0.750259
SLE 24.450154
SLL 20969.499267
SOS 570.112659
SRD 37.971496
STD 20697.981008
STN 20.628626
SVC 8.744817
SYP 11059.574895
SZL 16.010474
THB 31.123007
TJS 9.359244
TMT 3.505
TND 2.886817
TOP 2.40776
TRY 43.594401
TTD 6.770456
TWD 31.541026
TZS 2583.596971
UAH 43.079799
UGX 3557.370493
UYU 38.318564
UZS 12295.451197
VES 377.985125
VND 25910
VUV 119.675943
WST 2.73072
XAF 552.310426
XAG 0.012258
XAU 0.000199
XCD 2.70255
XCG 1.801105
XDR 0.689856
XOF 552.30345
XPF 100.414676
YER 238.399323
ZAR 15.91755
ZMK 9001.199361
ZMW 18.893454
ZWL 321.999592

Plano kamikaze abala Economia




O Japão voltou ao centro das atenções globais ao combinar um ambicioso pacote fiscal com a primeira série de altas de juros em três décadas. Sob a nova primeira‑ministra Sanae Takaichi, o governo finalizou um orçamento para 2026 de cerca de 122,3 trilhões de ienes, acompanhado de um pacote adicional de 21,3 trilhões de ienes para proteger as famílias dos custos de vida. Apesar do tamanho recorde, Takaichi prometeu manter a disciplina ao limitar a emissão de títulos a 29,6 trilhões de ienes e reduzir a dependência da dívida para 24,2%, o nível mais baixo desde 1998. Mesmo assim, investidores temem que o aumento de gastos alimente um endividamento já equivalente a cerca de 236% do PIB, o maior entre as economias desenvolvidas.

Para mitigar a pressão, o Ministério das Finanças anunciou que reduzirá a emissão de títulos super‑longos para cerca de 17,4 trilhões de ienes, menor nível em 17 anos. A redução visa acalmar um mercado que viu os juros de longo prazo dispararem para máximas de 18 anos, refletindo a preocupação com a oferta excessiva de dívida. Os rendimentos mais altos encarecem o serviço da dívida e forçam o governo a encurtar os prazos dos títulos, movimento classificado por críticos como “kamikaze” pelo risco de comprometer a sustentabilidade fiscal a longo prazo.

Normalização monetária e a sombra do carry trade
No plano monetário, o Banco do Japão (BoJ) iniciou em 2024 o fim do regime de juros negativos e, em dezembro de 2025, elevou a taxa de referência para 0,75%, o maior nível desde 1995. A alta de 25 pontos base encerrou a era do dinheiro praticamente gratuito e sinalizou que mais aumentos estão por vir. Mesmo com a taxa ainda baixa em termos históricos, o BoJ reconheceu que a inflação está acima de 3%, que os salários estão subindo e que a economia está “moderadamente em recuperação”, abrindo caminho para novas elevações.

Economistas consultados pela Reuters preveem que o juro japonês chegará a 1 % até setembro de 2026. Governador Kazuo Ueda deixou claro que as condições financeiras continuarão acomodatícias, pois os juros reais permanecem negativos. Ainda assim, as expectativas de altas adicionais fazem com que os rendimentos dos títulos de 10 anos ultrapassem 2%, atraindo de volta capital para o Japão e pressionando o iene.

A valorização do iene coloca em xeque o famoso carry trade, estratégia pela qual investidores tomam dinheiro barato no Japão para aplicá‑lo em ativos de maior rendimento. Analistas estimam que existem cerca de 500 mil bilhões de dólares (valor de posições em ienes) em carry trade, e o aumento dos juros reduz a vantagem dessa operação. Depois do anúncio do BoJ, o dólar/iene chegou a tocar 157 antes de recuar para 153, e moedas como peso mexicano, real brasileiro e lira turca se enfraqueceram rapidamente. Ativos de maior risco, como criptomoedas, também sentiram o golpe: o bitcoin caiu quase 3% e o ether recuou cerca de 4%. Esses movimentos ilustram como uma decisão em Tóquio pode gerar ondas de venda e deleveraging em mercados globais.

Consequências globais e dilemas internos
A combinação de estímulo fiscal e aperto monetário do Japão está transmitindo volatilidade aos mercados de títulos. Em dezembro, rendimentos de títulos alemães de 30 anos subiram para 3,51%, refletindo a repatriação de capital japonês e a redução no apetite pelo carry trade. Governos emergentes, que se beneficiaram de fluxos de capitais financiados em ienes, enfrentam agora a saída súbita desses recursos. Mesmo as bolsas norte‑americanas e europeias sofreram quedas acentuadas após anúncios do BoJ, evidenciando a sensibilidade global às decisões japonesas.

Para o próprio Japão, a estratégia é um jogo de alto risco. O aumento dos juros encarece o serviço de uma dívida pública gigantesca; o ministro da Economia advertiu que a alta de juros elevará os custos de financiamento e exigirá vigilância para evitar perturbações. Ao mesmo tempo, a expansão fiscal procura sustentar o crescimento e conter o descontentamento popular com o custo de vida, mas pode exacerbar a dependência de endividamento se as receitas fiscais não acompanharem as despesas. Especialistas do FMI elogiaram a cautela do Japão ao evitar um pacote fiscal maior e projetam queda da relação dívida/PIB no curto prazo, mas alertam que a população envelhecida e o aumento dos gastos com defesa e saúde pressionarão as contas públicas a longo prazo.

Internamente, a normalização monetária também é um desafio. O BoJ sustenta que os juros reais continuarão negativos, mas enfrenta críticas por ter mantido a taxa negativa por tempo demais, depreciando o iene e provocando inflação importada. Atualmente, a moeda japonesa está em torno de 155 ienes por dólar, quase o dobro do nível de 2012. Essa desvalorização permitiu às empresas exportadoras lucros elevados, mas reduziu o poder de compra dos japoneses e colocou o país na 38.ª posição em PIB per capita mundial. Uma normalização abrupta poderia fortalecer o iene e afetar a competitividade externa, exigindo reformas estruturais para estimular a produtividade.

O que esperar do “plano kamikaze”
O chamado “plano kamikaze” – no qual o governo gasta agressivamente enquanto o banco central retira o pé do acelerador monetário – é uma aposta arriscada. Se a economia responder positivamente, o Japão poderá finalmente sair da estagnação e reduzir sua dívida relativa. Mas, se a inflação recuar ou as receitas ficarem aquém das despesas, o país correrá o risco de ver os custos da dívida subirem rapidamente, reduzir sua margem de manobra fiscal e acender uma nova crise de confiança. Como mostrou a reação tumultuada dos mercados, as consequências desse plano não se restringem às ilhas japonesas: o Japão continua sendo um elo essencial da macroeconomia global, e cada movimento em Tóquio reverbera do bitcoin à bolsa de Frankfurt. O mundo, portanto, observa com cautela os próximos passos desse experimento que pode redefinir a paisagem financeira internacional.