The China Mail - Estratégia de Trump na China

USD -
AED 3.673042
AFN 62.503991
ALL 81.750403
AMD 377.000368
ANG 1.789731
AOA 917.000367
ARS 1396.994204
AUD 1.40558
AWG 1.795
AZN 1.70397
BAM 1.656622
BBD 2.013137
BDT 122.141801
BGN 1.647646
BHD 0.377006
BIF 2965
BMD 1
BND 1.265294
BOB 6.906687
BRL 5.138041
BSD 0.999496
BTN 90.946514
BWP 13.155231
BYN 2.893456
BYR 19600
BZD 2.010258
CAD 1.363095
CDF 2210.000362
CHF 0.768804
CLF 0.022135
CLP 874.030396
CNY 6.85815
CNH 6.85954
COP 3763.95
CRC 471.626595
CUC 1
CUP 26.5
CVE 93.62504
CZK 20.51115
DJF 177.720393
DKK 6.32357
DOP 60.250393
DZD 129.91204
EGP 47.950604
ERN 15
ETB 156.17504
EUR 0.84641
FJD 2.19255
FKP 0.7407
GBP 0.742755
GEL 2.670391
GGP 0.7407
GHS 10.67039
GIP 0.7407
GMD 72.503851
GNF 8780.000355
GTQ 7.666473
GYD 209.114895
HKD 7.821895
HNL 26.530388
HRK 6.373604
HTG 131.018681
HUF 319.040388
IDR 16797
ILS 3.135765
IMP 0.7407
INR 91.016504
IQD 1310.5
IRR 1314315.000352
ISK 121.460386
JEP 0.7407
JMD 155.836676
JOD 0.70904
JPY 156.069504
KES 129.000351
KGS 87.450384
KHR 4012.00035
KMF 417.00035
KPW 899.969408
KRW 1440.560383
KWD 0.30656
KYD 0.83297
KZT 497.833719
LAK 21415.000349
LBP 89550.000349
LKR 309.098378
LRD 183.650382
LSL 15.910381
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.330381
MAD 9.142504
MDL 17.106628
MGA 4251.000347
MKD 52.151288
MMK 2099.949955
MNT 3583.748993
MOP 8.05526
MRU 39.960379
MUR 46.403741
MVR 15.450378
MWK 1736.000345
MXN 17.213635
MYR 3.886039
MZN 63.905039
NAD 15.910377
NGN 1361.560377
NIO 36.720377
NOK 9.515185
NPR 145.514762
NZD 1.667625
OMR 0.384494
PAB 0.999496
PEN 3.355504
PGK 4.297104
PHP 57.675038
PKR 279.375038
PLN 3.574945
PYG 6438.279003
QAR 3.641104
RON 4.313038
RSD 99.352038
RUB 77.303687
RWF 1457
SAR 3.750751
SBD 8.04851
SCR 14.115397
SDG 601.503676
SEK 9.024865
SGD 1.26484
SHP 0.750259
SLE 24.503667
SLL 20969.49935
SOS 571.503662
SRD 37.722038
STD 20697.981008
STN 21
SVC 8.74559
SYP 110.55196
SZL 15.970369
THB 31.068038
TJS 9.510374
TMT 3.51
TND 2.862504
TOP 2.40776
TRY 43.948604
TTD 6.784714
TWD 31.360367
TZS 2565.000335
UAH 43.094202
UGX 3603.267844
UYU 38.395894
UZS 12150.000334
VES 413.52794
VND 26045
VUV 118.917841
WST 2.704188
XAF 555.615601
XAG 0.010672
XAU 0.000191
XCD 2.70255
XCG 1.80138
XDR 0.691464
XOF 553.503593
XPF 101.503591
YER 238.503589
ZAR 15.908104
ZMK 9001.203584
ZMW 18.88624
ZWL 321.999592

Estratégia de Trump na China




Desde que reassumiu o poder em Washington, Donald Trump lançou uma campanha para remodelar a relação com a China. Em 2 de abril de 2025, o presidente proclamou o “Dia da Libertação”, impondo um imposto geral de 10 % sobre todas as importações e um tarifa recíproca de 34 % sobre bens chineses, acumulada a um imposto de 20 % sobre produtos associados ao tráfico de fentanil. Dias depois, diante das retaliações de Pequim, a tarifa recíproca foi elevada para 84 % e depois 125 %, atingindo uma alíquota final de 145 %. Em maio, um acordo provisório reduziu essa tarifa para 10 % por 90 dias. Apesar de duas extensões, a trégua tarifária permanece frágil, pois, sem novos acordos, a alíquota retorna aos níveis originais em 2026.

A medida desencadeou uma guerra comercial sem precedentes. O governo norte‑americano anunciou tarifas adicionais sobre madeira, móveis e outros produtos, enquanto Pequim respondeu com um imposto de 34 % sobre produtos americanos e controles de exportação. Na disputa, os EUA também impuseram taxas sobre importações associadas ao fentanil e abriram investigações para ampliar tributos sobre móveis e madeira. A trégua tarifária anunciada após a cúpula de Busan, em outubro, estendeu a tarifa reduzida de 10 % até novembro de 2026, mas conservou a tarifa de 20 % sobre o fentanil.

A resposta chinesa e o jogo dos minerais
A decisão americana expôs a dependência de Washington de matérias‑primas críticas. Para evitar paralisar a indústria de alta tecnologia, Trump excluiu minerais essenciais – como ítrio, gálio, lítio e cobalto – da lista de bens tarifados. Mesmo assim, a China impôs duas ondas de controles de exportação sobre elementos de terras raras em abril e outubro de 2025. As restrições tornaram‑se o instrumento mais poderoso de Pequim: a China controla cerca de 69 % da produção global de terras raras e mais de 90 % da capacidade de refino, e suspendeu temporariamente parte das medidas até novembro de 2026. Os controles elevaram os preços e evidenciaram a vulnerabilidade das cadeias globais.

A Casa Branca reagiu anunciando em março de 2025 um decreto para aumentar a mineração doméstica e negociou um acordo de fornecimento com a República Democrática do Congo, maior produtor de cobalto. Entretanto, especialistas alertam que a construção de novas cadeias demora anos, e a dependência de insumos chineses persiste. Ao mesmo tempo, a União Europeia aprovou o Ato de Matérias‑Primas Críticas e lançou iniciativas para diversificar fornecedores e estocar minerais estratégicos, temendo que as restrições chinesas retardem a transição energética e encareçam produtos verdes.

Chips, exportações e a vantagem tecnológica
A disputa não se limita às mercadorias básicas. Os Estados Unidos restringiram a venda de semicondutores avançados para a China, mas a estratégia tornou‑se contraditória. Ao mesmo tempo em que pressiona os rivais, a administração Trump aceitou permitir à Nvidia exportar o chip H200 após uma reunião com Xi Jinping em Busan, pois acredita que manter o mercado chinês preserva a liderança americana em tecnologia. Na visão de críticos, a abordagem transacional de Trump sacrifica a coerência: busca conter a ascensão tecnológica de Pequim enquanto negocia concessões caso a caso. As autoridades chinesas, por sua vez, investem maciçamente em semicondutores – com aportes anuais equivalentes a todo o programa norte‑americano de subsídios à indústria de chips – e almejam dominar a cadeia, da mineração aos circuitos integrados.

Para compensar a dependência de cadeias estrangeiras, a Casa Branca também anunciou investigações sob o International Emergency Economic Powers Act e ameaçou dobrar tarifas. Em resposta, a China expandiu seu arsenal além das tarifas: aplicou portagens sobre navios, restringiu vistos e limitou investimentos de empresas norte‑americanas. A trégua em Busan incluiu a suspensão temporária dessas medidas e compromissos de Pequim de coibir o tráfico de precursores de fentanil. No entanto, analistas observam que os instrumentos de segurança nacional tornaram‑se moeda de troca nas negociações comerciais.

Uma nova Estratégia de Segurança Nacional
Em dezembro de 2025, a Casa Branca divulgou a Estratégia de Segurança Nacional de 2025. O documento representa uma ruptura com a retórica de confronto militar que marcou as administrações anteriores: a rivalidade com a China é tratada quase exclusivamente sob o prisma econômico. A estratégia abandona a “ordem internacional liberal”, rejeita a ideia de dominação global e defende um retorno ao primado hemisférico inspirado na Doutrina Monroe. As prioridades são combater a imigração ilegal, o narcotráfico e conter a influência chinesa na América Latina. A relação com Pequim é descrita como um problema de rebalanço econômico, enfatizando a necessidade de reduzir subsídios estatais chineses, roubo de propriedade intelectual e práticas comerciais desleais.

O texto admite que as apostas feitas em décadas de abertura econômica à China foram erradas: ao transferir fábricas e investir no país asiático, os EUA enriqueceram um competidor que agora usa sua riqueza para disputar liderança global. No entanto, a estratégia pouco detalha sobre instrumentos concretos, limitando‑se a prometer o fim de “subsídios predatórios”, “práticas injustas” e “espionagem industrial”. A experiência amarga da guerra tarifária – que levou a China a restringir terras raras e a acumular um superávit comercial recorde de mais de US$ 1 trilhão – explica a ausência de novas ameaças tarifárias.

O pivô hemisférico e a esfera de influência
O documento de segurança também introduz o chamado “corolário Trump” à Doutrina Monroe, propondo que os Estados Unidos recuem de aventuras globais para consolidar sua primazia nas Américas. Essa mudança inclui operações e ameaças contra países como Argentina, Venezuela, Panamá, México, Canadá e até a Groenlândia. Além disso, a estratégia considera a presença chinesa na região – em portos, infraestrutura e investimentos – uma ameaça direta. A administração busca empurrar Pequim para fora da América Latina, ao mesmo tempo em que incentiva aliados a compartilhar o fardo da defesa. Para críticos europeus, a ênfase no hemisfério retira os EUA da função de provedor global de estabilidade e abre espaço para instabilidade internacional.

A cúpula de Busan e a trégua frágil
A guerra econômica encontrou um momento de pausa em 30 de outubro de 2025, quando Trump e Xi se reuniram em Busan, Coreia do Sul, à margem da cúpula da APEC. O encontro de cem minutos produziu um acordo que prorrogou a trégua tarifária de 10 % por um ano, suspendeu a implementação de novas regras de controle de exportações norte‑americanas e comprometeu a China a ampliar a compra de soja e outros produtos agrícolas. Pequim também prometeu facilitar o acesso americano a minerais críticos e desbloquear o fornecimento de materiais para a produção de semicondutores convencionais, enquanto Washington suspendeu taxas sobre navios e retrocedeu em algumas sanções. As partes anunciaram a intenção de colaborar no combate ao tráfico de fentanil, na inteligência artificial e no controle de imigração ilegal.

Apesar dos gestos, especialistas do Brookings Institution e de outras entidades ressaltam que o acordo não resolve as causas estruturais da disputa. Os dois países permanecem interdependentes: os EUA dependem das terras raras chinesas; a China precisa de tecnologias de ponta norte‑americanas. A retórica de autossuficiência é mais declaratória do que prática, e a trégua é descrita como um cessar‑fogo frágil. Enquanto isso, Pequim apresenta‑se como defensora do livre‑comércio e do multilateralismo, mas seu novo plano quinquenal visa reforçar a autossuficiência industrial e acelerar a inovação doméstica.

Conclusão
A estratégia de Donald Trump para “transformar a China” combina nacionalismo econômico, tarifas punitivas, disputa tecnológica e recomposição geopolítica. Em pouco mais de um ano, a ofensiva tarifária despertou retaliações duras, expôs a vulnerabilidade dos EUA em minerais estratégicos e desencadeou medidas de controle de exportação chinesas que ameaçam as cadeias globais. A nova doutrina de segurança reflete um reposicionamento histórico: o foco desloca‑se do Indo‑Pacífico para as Américas, com a rivalidade sino‑americana vista pela lente do comércio e da indústria. A cúpula de Busan ofereceu alívio temporário, mas não alterou a realidade de que Washington e Pequim exercem controle mútuo sobre setores críticos. A transformação almejada por Trump, portanto, passa menos por submeter a China e mais por reconfigurar a economia americana e fortalecer alianças que reduzam a dependência de insumos asiáticos. Até agora, a estratégia intensificou a competição e obrigou o mundo a reconhecer a interdependência que une as duas maiores economias do planeta.