The China Mail - Pressão de Trump sobre Powell

USD -
AED 3.672503
AFN 63.000163
ALL 81.2693
AMD 368.114362
ANG 1.789819
AOA 918.000101
ARS 1385.017775
AUD 1.381339
AWG 1.8025
AZN 1.698647
BAM 1.666077
BBD 2.014457
BDT 122.941149
BGN 1.666819
BHD 0.377471
BIF 2977.296929
BMD 1
BND 1.273246
BOB 6.911416
BRL 4.894398
BSD 1.000217
BTN 95.599836
BWP 13.500701
BYN 2.796427
BYR 19600
BZD 2.01156
CAD 1.36976
CDF 2225.000249
CHF 0.780699
CLF 0.023209
CLP 913.460237
CNY 6.792102
CNH 6.790655
COP 3788.36
CRC 456.440902
CUC 1
CUP 26.5
CVE 93.93689
CZK 20.749095
DJF 178.103956
DKK 6.369245
DOP 59.027231
DZD 132.402033
EGP 52.9237
ERN 15
ETB 156.17715
EUR 0.852498
FJD 2.18635
FKP 0.732576
GBP 0.738395
GEL 2.669749
GGP 0.732576
GHS 11.291855
GIP 0.732576
GMD 73.499823
GNF 8776.211713
GTQ 7.631494
GYD 209.250717
HKD 7.828365
HNL 26.597149
HRK 6.420198
HTG 130.672573
HUF 304.825497
IDR 17486.1
ILS 2.906503
IMP 0.732576
INR 95.64365
IQD 1310.162706
IRR 1312000.000604
ISK 122.420187
JEP 0.732576
JMD 158.040677
JOD 0.709017
JPY 157.724992
KES 129.102457
KGS 87.449689
KHR 4012.437705
KMF 419.999888
KPW 900.018246
KRW 1491.060229
KWD 0.30817
KYD 0.833461
KZT 463.898117
LAK 21925.486738
LBP 89566.76932
LKR 323.055495
LRD 183.03638
LSL 16.532284
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.327815
MAD 9.128129
MDL 17.117957
MGA 4179.356229
MKD 52.522369
MMK 2098.953745
MNT 3580.85029
MOP 8.064861
MRU 39.897262
MUR 46.810348
MVR 15.398484
MWK 1734.441354
MXN 17.208099
MYR 3.925499
MZN 63.91035
NAD 16.532073
NGN 1370.097429
NIO 36.810495
NOK 9.181565
NPR 152.953704
NZD 1.68306
OMR 0.384494
PAB 1.000175
PEN 3.427819
PGK 4.355862
PHP 61.430996
PKR 278.627173
PLN 3.624798
PYG 6105.472094
QAR 3.645959
RON 4.4348
RSD 100.072026
RUB 73.82814
RWF 1462.859869
SAR 3.754672
SBD 8.029009
SCR 14.151683
SDG 600.497242
SEK 9.290104
SGD 1.27201
SHP 0.746601
SLE 24.62501
SLL 20969.511502
SOS 571.611117
SRD 37.254503
STD 20697.981008
STN 20.871402
SVC 8.751171
SYP 110.529423
SZL 16.526884
THB 32.328504
TJS 9.351751
TMT 3.5
TND 2.908879
TOP 2.40776
TRY 45.416497
TTD 6.787631
TWD 31.515497
TZS 2608.900639
UAH 43.959484
UGX 3759.408104
UYU 39.772219
UZS 12133.112416
VES 504.28356
VND 26348
VUV 118.32345
WST 2.709295
XAF 558.801055
XAG 0.01155
XAU 0.000212
XCD 2.70255
XCG 1.802539
XDR 0.694969
XOF 558.801055
XPF 101.593413
YER 238.649397
ZAR 16.47235
ZMK 9001.199405
ZMW 18.8284
ZWL 321.999592

Pressão de Trump sobre Powell




O confronto entre a presidência dos Estados Unidos e a liderança do Federal Reserve atingiu um novo ápice em janeiro de 2026. Em um pronunciamento público no fim de semana, o presidente do banco central norte‑americano, Jerome Powell, revelou que a instituição recebeu intimações de um grande júri do Departamento de Justiça, com a ameaça de uma acusação criminal. A medida, decorrente de seu depoimento ao Congresso sobre a reforma dos edifícios da sede do Fed, foi apresentada por ele como parte de uma campanha de intimidação política.

Powell afirmou em comunicado escrito e em vídeo que “a ameaça de acusações criminais é uma consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que serve ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”. Segundo ele, os procuradores querem apurar se houve falsas declarações durante audiência sobre o projeto de renovação da sede, cujo custo subiu de cerca de US$ 1,9 bilhão para US$ 2,5 bilhões. O presidente do Fed rebateu a acusação, atribuindo o aumento às diferenças entre estimativas iniciais e custos reais de materiais, mão de obra e problemas como contaminação tóxica. Durante o depoimento, Powell rejeitou denúncias de que haveria salas de jantar luxuosas ou jardins extravagantes, classificando esses itens como pretextos que já foram retirados do projeto.

Embora reconheça que “ninguém, certamente não o presidente do Federal Reserve, está acima da lei”, o economista considera a intimação uma tentativa de politizar a política monetária. Para ele, a questão central é se o banco central continuará definindo as taxas de juros com base em evidências e condições econômicas, ou se passará a ser dirigido por pressão política e intimidação. Powell lembrou que serviu sob quatro administrações, republicanas e democratas, e assegurou que continuará a cumprir seu mandato de estabilidade de preços e pleno emprego com integridade. Seu mandato como presidente termina em maio de 2026, mas ele pode permanecer no conselho de governadores até 2028.

A resposta de Trump e a escalada de pressões
Em entrevista transmitida no domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou ter conhecimento da investigação. Apesar disso, repetiu críticas à condução da política monetária. “Não sei nada sobre isso, mas certamente ele não é muito bom no Federal Reserve, nem em construir prédios”, declarou. Trump tem cobrado cortes mais agressivos nos juros desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025, alegando que as taxas atuais são “muito altas” e encarecem o crédito, a habitação e os custos de endividamento do governo. O presidente já chamou Powell de “tolo” e “idiota” e disse, em dezembro, que estudava processá‑lo por “incompetência grave” na reforma da sede.

As intimações do Departamento de Justiça marcam uma escalada na disputa que se arrasta desde o primeiro mandato de Trump. Nos últimos meses o presidente exigiu cortes rápidos nos juros e acusou o Fed de extrapolar o orçamento das obras da sede em Washington, sugerindo fraude. Ele mencionou um custo total de cerca de US$ 3,1 bilhões, acima das projeções iniciais, cifra que Powell nega. O presidente também já manifestou vontade de demitir o presidente do Fed e, em outro gesto extraordinário, tentou afastar a diretora Lisa Cook — tentativa que enfrenta exame da Suprema Corte.

Reações políticas e de mercado
A investida contra o Fed gerou críticas incomuns entre parlamentares e ex‑dirigentes da política monetária. O senador republicano Thom Tillis, membro do Comitê Bancário do Senado, afirmou em rede social que a medida demonstra que auxiliares de Trump “estão ativamente tentando acabar com a independência do Federal Reserve”. Ele prometeu bloquear a confirmação de qualquer indicado para o banco central enquanto a questão legal não estiver resolvida, o que poderia atrasar a eventual substituição de Powell por um aliado. Analistas apontam Kevin Hassett e Kevin Warsh como potenciais nomes cogitados pelo presidente.

Ex‑presidentes regionais do Fed e economistas acadêmicos classificaram a ameaça de indiciamento como uma “guerra jurídica” e alertaram para o risco de criminalizar a política monetária. Para o ex‑presidente do Fed de Dallas Richard Fisher, trata‑se de um gesto sem precedentes que pode resultar em um efeito contrário ao pretendido: prolongar a permanência de Powell no cargo e desincentivar futuros cortes de juros. Justin Wolfers, professor da Universidade de Michigan, chamou a iniciativa de “má economia” e “péssima política”, afirmando que todos os americanos deveriam se opor a tentativas de interferir na independência do banco central.

Os mercados financeiros reagiram à notícia. Os contratos futuros do índice S&P 500 chegaram a cair cerca de 0,7%, o dólar perdeu força e o ouro disparou para um nível recorde acima de US$ 4.600 por onça, enquanto a prata subiu 8%. Os investidores também ajustaram suas expectativas: a ferramenta que mede as apostas do mercado para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) no final de janeiro apontava probabilidade de apenas 5% de um novo corte nos juros, contra 17% na semana anterior. A próxima reunião, agendada para 27 e 28 de janeiro, ocorre após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual em 2025, que levaram a taxa básica para o intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano. Autoridades do Fed têm sinalizado que só reduzirão novamente quando houver dados mais favoráveis de inflação e emprego.

Perspectivas e consequências
A disputa entre o Executivo e o banco central adiciona incerteza ao cenário econômico norte‑americano em um ano eleitoral. Ao mesmo tempo em que pressiona por juros mais baixos para impulsionar o crescimento e a popularidade do governo, a Casa Branca arrisca alimentar a percepção de interferência política na política monetária. Essa percepção pode, paradoxalmente, reforçar a determinação do FOMC em preservar sua credibilidade e retardar cortes de juros. Analistas observam que, enquanto todas as investidas anteriores de Trump se concentraram em ataques verbais, a ameaça de acusação criminal cruza uma “linha vermelha” e pode enfraquecer a confiança dos investidores.

Powell indicou que a reforma da sede — alvo das críticas — continuará, e enfatizou que o Fed vem prestando contas ao Congresso. Ele considera que o episódio mostra a importância de proteger a independência institucional. Ao afirmar que continuará “a fazer o trabalho para o qual o Senado o confirmou”, o presidente do banco central sinaliza resistência às pressões políticas. Resta saber se o conflito incentivará o Fed a adotar uma postura ainda mais cautelosa, postergando cortes de juros, ou se abrirá espaço para uma conciliação após a reunião de janeiro.

No curto prazo, os desdobramentos jurídicos determinarão o futuro imediato de Powell. Apesar de seu mandato como presidente expirar em maio, ele pode permanecer no conselho até 2028, o que lhe permitiria votar nas decisões de política monetária. Trump, por sua vez, tem pressa para indicar um substituto antes do fim do mandato, mas depende da aprovação do Senado. Com a oposição de senadores e o aumento das tensões institucionais, a tentativa de substituir o presidente do Fed pode enfrentar obstáculos consideráveis. Em última instância, o confronto atual expõe o delicado equilíbrio entre a política e a gestão técnica da economia — e testa os limites da independência de uma das instituições mais influentes do mundo.

Meta description
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, denunciou que o banco central foi intimado pelo Departamento de Justiça em meio a uma investigação sobre a reforma de sua sede e acusou o governo de usá‑la como pressão para reduzir os juros. O presidente dos EUA, Donald Trump, nega envolvimento, mas intensifica críticas à política monetária. Parlamentares e economistas alertam para o risco de interferência na independência do Fed, enquanto mercados reagem e analistas discutem as consequências para a próxima reunião do FOMC.