Honduras declara alerta em quase 80% de seu território devido ao El Niño
O governo de Honduras declarou alerta em quase 80% de seu território, incluindo a capital, Tegucigalpa, devido à seca agravada pelo fenômeno El Niño, anunciaram as autoridades nesta quarta-feira (19).
O El Niño eleva as temperaturas da superfície do Pacífico equatorial central e oriental, provocando mudanças nos ventos e nas chuvas em escala global, além de condições meteorológicas irregulares.
A medida abrange 234 dos 298 municípios do país, afetados pelo baixo nível dos reservatórios, pela perda de safras e pela morte de animais, e busca liberar recursos para enfrentar a crise, segundo um comunicado.
Tegucigalpa, com 1,7 milhão de habitantes, encabeça a lista de 75 municípios declarados em alerta vermelho, o nível máximo de risco. As demais localidades foram classificadas em diferentes níveis de emergência por tempo indeterminado.
A região mais afetada fica no Corredor Seco centro-americano, uma faixa árida que abrange partes de Honduras, El Salvador e Nicarágua e é vulnerável a eventos climáticos extremos.
"Esta crise vai nos levar até março ou abril do próximo ano", afirmou o presidente hondurenho, Nasry Asfura, ao declarar a emergência.
As medidas previstas incluem a perfuração de novos poços, a construção de reservatórios de água e a distribuição de alimentos nas áreas mais críticas. O governo também pretende intervir na produção agrícola e pecuária.
"Gado morreu, e as vacas que ainda temos estão magras. A situação é crítica, as previsões são desanimadoras", disse à AFP Francisco Euceda, pecuarista de um dos municípios em alerta vermelho.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU estimou recentemente que a América Central "provavelmente será a região mais afetada em termos de aumento relativo da insegurança alimentar" devido ao fenômeno climático.
Segundo uma análise da AFP baseada em dados do programa europeu Copernicus, o El Niño, que começou em junho e deve atingir seu pico no fim do ano, provocou temperaturas sem precedentes na América Central e no norte da América do Sul.
Do México ao norte do Brasil, passando pela costa do Pacífico e pelo Escudo das Guianas, cerca de 110 milhões de pessoas enfrentaram o mês de julho mais quente desde o início dos registros.
El Salvador, Nicarágua e Honduras bateram recordes mensais de temperatura tanto em junho quanto em julho, agravando os temores de fome.
T.Wu--ThChM