Atirador francês abriu fogo intencionalmente contra muçulmanos e africanos
O autor de um tiroteio nos subúrbios de Paris, que deixou uma pessoa morta e cinco feridas, "admitiu ter disparado contra pessoas de aparência muçulmana, africana ou norte-africana", afirmou o procurador francês, Olivier Christen, nesta quinta-feira (29).
No início da semana, o homem de 39 anos, identificado como Kevin T., disse que não "contestava os fatos materiais", mas negou "o caráter racista de seu crime", cometido em 21 de outubro.
Nesta quinta-feira, o procurador antiterrorismo Olivier Christen declarou, em entrevista coletiva, que Kevin T. afirmou ter escolhido o local do ataque por considerá-lo um "foco de islamistas".
A polícia deteve o suspeito na sexta-feira (23), após encontrar uma arma automática e gás lacrimogêneo em seu carro. Pouco antes, as vítimas haviam sido atingidas por disparos feitos de um veículo que circulava por Trappes e La Verrière, nos subúrbios a oeste de Paris.
O suspeito está sob custódia policial desde então e será apresentado a um juiz nesta quinta-feira, no fim do dia, informou Christen, que solicitou sua prisão preventiva.
Das quatro pessoas gravemente feridas no ataque, três permaneceram hospitalizadas, uma delas em estado crítico, informou o promotor.
Ele também destacou "o altíssimo nível de preparação" do ataque.
No entanto, Kevin T. nega qualquer "intenção terrorista", e considera suas ações como "legítimas", ressaltou Christen.
Durante uma busca na casa do suspeito, foram encontradas "armas ou componentes de armas, especificamente um carregador, dois pares de socos ingleses, uma baioneta de aço e um silenciador", acrescentou o promotor.
Também foram apreendidos vários "livros, entre eles um Alcorão, uma Bíblia e o livro Mein Kampf de Adolf Hitler", além de adesivos em apoio ao partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN).
A líder do partido, Marine Le Pen, lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais do próximo ano, nas quais será escolhido sucessor do presidente Emmanuel Macron, de centro-direita.
Kevin T. declarou aos investigadores que "ele próprio desenhou os adesivos encontrados em sua casa e depois encomendou sua fabricação pela Amazon há mais de um ano".
O suspeito afirmou não ser "membro nem simpatizante de nenhum partido político", assinalou Christen.
C.Mak--ThChM