The China Mail - Lidia Mayta, a líder aymara que usa artes marciais para combater a violência contra mulheres na Bolívia

USD -
AED 3.672505
AFN 64.501933
ALL 81.192085
AMD 377.80312
ANG 1.79008
AOA 916.999824
ARS 1404.547301
AUD 1.402721
AWG 1.8
AZN 1.704253
BAM 1.646054
BBD 2.018668
BDT 122.599785
BGN 1.67937
BHD 0.376984
BIF 2970.534519
BMD 1
BND 1.265307
BOB 6.925689
BRL 5.174398
BSD 1.00223
BTN 90.830132
BWP 13.131062
BYN 2.874696
BYR 19600
BZD 2.015696
CAD 1.355959
CDF 2225.000191
CHF 0.767297
CLF 0.02163
CLP 854.079852
CNY 6.91325
CNH 6.89644
COP 3673.06
CRC 495.722395
CUC 1
CUP 26.5
CVE 92.801205
CZK 20.4036
DJF 178.476144
DKK 6.286397
DOP 62.819558
DZD 129.575283
EGP 46.817602
ERN 15
ETB 155.585967
EUR 0.84143
FJD 2.184903
FKP 0.732521
GBP 0.73268
GEL 2.690042
GGP 0.732521
GHS 11.014278
GIP 0.732521
GMD 73.504205
GNF 8797.562638
GTQ 7.686513
GYD 209.681152
HKD 7.81592
HNL 26.485379
HRK 6.3408
HTG 131.354363
HUF 319.591498
IDR 16818
ILS 3.06674
IMP 0.732521
INR 90.591402
IQD 1312.932384
IRR 42125.000158
ISK 122.180396
JEP 0.732521
JMD 156.812577
JOD 0.709016
JPY 153.357501
KES 128.999719
KGS 87.450273
KHR 4038.176677
KMF 415.000205
KPW 899.988812
KRW 1437.340119
KWD 0.30672
KYD 0.835227
KZT 494.5042
LAK 21523.403145
LBP 89531.808073
LKR 310.020367
LRD 186.915337
LSL 15.915822
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.309703
MAD 9.134015
MDL 16.932406
MGA 4437.056831
MKD 51.896283
MMK 2100.304757
MNT 3579.516219
MOP 8.069569
MRU 39.799019
MUR 45.904195
MVR 15.45978
MWK 1737.88994
MXN 17.155475
MYR 3.902499
MZN 63.900568
NAD 15.916023
NGN 1354.820291
NIO 36.880244
NOK 9.46548
NPR 145.330825
NZD 1.646782
OMR 0.384501
PAB 1.002209
PEN 3.365049
PGK 4.301573
PHP 57.981
PKR 281.28012
PLN 3.54638
PYG 6618.637221
QAR 3.654061
RON 4.285002
RSD 98.738983
RUB 77.260217
RWF 1463.258625
SAR 3.750358
SBD 8.048395
SCR 13.877297
SDG 601.50433
SEK 8.87234
SGD 1.26085
SHP 0.750259
SLE 24.249765
SLL 20969.499267
SOS 572.813655
SRD 37.776982
STD 20697.981008
STN 20.619945
SVC 8.769715
SYP 11059.574895
SZL 15.90934
THB 30.966972
TJS 9.410992
TMT 3.5
TND 2.881959
TOP 2.40776
TRY 43.6499
TTD 6.79695
TWD 31.353008
TZS 2600.653975
UAH 43.122365
UGX 3543.21928
UYU 38.428359
UZS 12348.557217
VES 388.253525
VND 25960
VUV 119.359605
WST 2.711523
XAF 552.07568
XAG 0.012061
XAU 0.000198
XCD 2.70255
XCG 1.806292
XDR 0.686599
XOF 552.073357
XPF 100.374109
YER 238.405751
ZAR 15.870075
ZMK 9001.201311
ZMW 19.067978
ZWL 321.999592
Lidia Mayta, a líder aymara que usa artes marciais para combater a violência contra mulheres na Bolívia
Lidia Mayta, a líder aymara que usa artes marciais para combater a violência contra mulheres na Bolívia / foto: © AFP

Lidia Mayta, a líder aymara que usa artes marciais para combater a violência contra mulheres na Bolívia

Um violento assalto em frente a sua casa há três anos transformou Lidia Mayta, uma indígena aymara, em treinadora de defesa pessoal com técnicas de taekwondo para mulheres na cidade de El Alto, na Bolívia.

Tamanho do texto:

Os agressores que tentaram roubá-la chegaram a colocar uma corda em seu pescoço, mas foram afastados pelos seus vizinhos. "Eu não sabia como me defender, agora tento fazer com que outras mulheres percam esse medo", diz Mayta à AFP.

Lidia, uma líder indígena de 56 anos, secretária de saúde de sua comunidade em Puerto Chaguaya, na fronteira com o Peru, comanda uma pequena loja de produtos básicos em sua atual casa em El Alto.

Ela participou inicialmente dos cursos do "Warmi Power" ("warmi" significa mulher em aymara), um empreendimento que ensina taekwondo para mulheres se defenderem da violência, do qual logo se tornou monitora.

A Bolívia registra quatro homicídios para cada cem mil habitantes, de acordo com o Observatório de Segurança Cidadã do Estado.

"Não somos o país mais perigoso da região, mas somos sim um país violento contra as mulheres", afirma a integrante da organização feminista Coordinadora de la Mujer, Lucía Vargas.

Oito em cada dez mulheres, meninas e adolescentes na Bolívia sofreram algum tipo de violência pelo menos uma vez em suas vidas, de acordo com dados do governo.

Mais de 51.000 mulheres denunciaram algum tipo de violência em 2023, sendo 39.000 relacionadas aos seus parceiros ou esposos como agressores.

- Faixa preta contra o machismo -

Lidia Mayta garante que o Warmi Power a faz se sentir "líder, ativista e com força para passar os aprendizados para outras mulheres".

O projeto Warmi Power, das professoras bolivianas de taekwondo Laura Roca, que também é psicóloga, e Kimberly Nosa, ambas faixas pretas, foi lançado em 2015.

Há três anos, Mayta foi convidada a fazer parte da equipe para facilitar a comunicação com as mulheres que falam aymara.

Em sessões que utilizam elementos da terapia em grupo, mulheres aprendem a arte marcial. São realizadas eventuais aulas específicas para indígenas, muitas delas migrantes que, além da violência de gênero, enfrentam a xenofobia ao chegar à cidade.

"A violência não se resolve com violência, mas aprender a se defender pode salvar nossas vidas", afirma Kimberly.

Roca e Nosa já capacitaram mais de 35.000 mulheres em diferentes partes da Bolívia.

- Chutes de saia -

Vestidas com suas típicas polleras - saias volumosas -, mantas de lã, chapéus bombin e duas tranças como penteado, as mulheres começam pelo aquecimento.

Muitas nunca deram um golpe em suas vidas, e a timidez toma conta de seus primeiros movimentos. As participantes aprendem a dar chutes, a gritar e a identificar os pontos fracos no corpo do agressor.

O grupo de mulheres indígenas do Warmi Power é composto por comerciantes que sustentam suas famílias com a venda de mantimentos, roupas, comida e outros suprimentos.

Marcelina Quispe, de 45 anos, vende queijos em uma área comercial da cidade altiplânica. A história de violência doméstica de uma amiga a levou a se inscrever nas aulas do Warmi Power.

As organizações feministas na Bolívia apontam que a violência se tornou normalizada.

"Há uma crueldade contra a vida das mulheres quando buscam sua independência", analisa a psicóloga Lucía Vargas, integrante da Coordinadora de la Mujer.

Desde 2013, a Bolívia possui uma lei específica para combater a violência contra as mulheres, e, desde então, foram registrados 1.085 feminicídios. No entanto, a principal crítica é a falta de orçamento.

Quispe prestou solidariedade à amiga ameaçada de morte pelo marido, "disse a ela para não ter medo, que não a deixaríamos sozinha, e foi assim que vim para essas aulas (de taekwondo), porque nunca se sabe quando a desgraça chega", contou Quispe.

Quando terminam os exercícios físicos no workshop, as participantes se alinham em duas fileiras, formando um túnel, e o atravessam uma a uma.

"Você é linda, é poderosa, é valiosa, é guerreira, você é forte", dizem entre sussurros e tapinhas nas costas ao final do percurso, que termina com um abraço coletivo.

V.Fan--ThChM