The China Mail - Israel bombardeia Damasco e sul da Síria, em quarto dia de confrontos em Sweida

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Israel bombardeia Damasco e sul da Síria, em quarto dia de confrontos em Sweida
Israel bombardeia Damasco e sul da Síria, em quarto dia de confrontos em Sweida / foto: © AFP

Israel bombardeia Damasco e sul da Síria, em quarto dia de confrontos em Sweida

Israel bombardeou o quartel-general do Exército sírio em Damasco nesta quarta-feira (16), após ameaçar intensificar seus ataques caso as forças governamentais não se retirem de Sweida, uma cidade de maioria drusa no sul da Síria onde quase 250 pessoas foram mortas em vários dias de confrontos.

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Os conflitos entre combatentes drusos e tribos beduínas sunitas começaram no domingo, depois do sequestro de um comerciante druso, que desencadeou uma série de raptos em retaliação, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

As forças do governo sírio anunciaram sua intervenção na segunda-feira para conter a violência e foram posicionadas no dia seguinte em Sweida, até então controlada por combatentes drusos.

O OSDH, testemunhas e grupos drusos acusaram as forças de segurança de inúmeros abusos, incluindo execuções sumárias de civis e saques.

De acordo com a organização, 248 pessoas foram mortas desde o início dos confrontos, o que levou à intervenção das forças governamentais. A maioria são combatentes de ambos os lados, bem como 28 civis drusos, 21 dos quais foram sumariamente executados pelas forças do governo.

A presidência da Síria prometeu investigar os incidentes e "punir todos aqueles" que cometerem crimes contra os residentes de Sweida.

Israel, que ocupa e anexou a maior parte das Colinas de Golã sírias - onde vive uma grande população drusa - reiterou nos últimos dias que não permitirá nenhuma presença militar no sul da Síria, perto da fronteira comum.

O Exército israelense ameaçou intensificar o bombardeio que realiza desde segunda-feira se as forças sírias não se retirarem da região.

O ministro da Defesa Israel Katz disse que "Israel não abandonará os drusos na Síria e implementará a política de desmilitarização" no sul da Síria, anunciada após a queda do ex-presidente Bashar al Assad em dezembro.

Os militares israelenses cumpriram a ameaça ao anunciarem nesta quarta-feira que haviam bombardeado a entrada do quartel-general do exército sírio em Damasco.

A televisão estatal síria reportou que duas pessoas ficaram feridas no centro da capital, sem especificar o local exato.

A União Europeia pediu respeito à soberania da Síria e instou "todas as partes" a proteger os civis, enquanto a França pediu o fim dos "abusos contra civis" em Sweida.

- "Salvem Sweida" -

Os drusos são uma minoria proeminente no Oriente Médio, cuja religião deriva do islamismo xiita. Eles estão presentes no Líbano, no sul da Síria e no Golã sírio ocupado por Israel.

A violência ilustra os desafios enfrentados pelo governo interino de Ahmed al Sharaa desde que ele e uma coalizão de grupos rebeldes sunitas derrubaram Assad em dezembro, em um país marcado por quase 14 anos de guerra civil.

Em Sweida, onde as autoridades declararam um cessar-fogo na terça-feira que não foi respeitado, dois correspondentes da AFP ouviram tiros contínuos na quarta-feira e um deles viu fumaça saindo de vários bairros.

"Estou no coração da cidade de Sweida, ao lado do prédio do governo (...) Não vou sair e, de qualquer forma, não há como escapar", relatou um morador à AFP por telefone.

"Se eles vierem aqui, estarei morto. Há execuções sumárias nas ruas", acrescentou o homem, que não revelou sua identidade.

Na manhã desta quarta, um correspondente da AFP viu cerca de 30 corpos estendidos no chão, alguns deles de forças governamentais e outros de combatentes em roupas civis, sem conseguir identificá-los. Outro viu as forças do governo disparando projéteis de uma de suas posições.

O portal de notícias local Sweida24 relatou "intensos bombardeios de artilharia e morteiros" na cidade e seus arredores desde o amanhecer.

O Ministério da Defesa da Síria disse que "grupos à margem da lei retomaram os ataques contra o Exército e as forças de segurança interna na cidade", após o cessar-fogo declarado, e pediu aos moradores que ficassem em casa.

Nesta quarta-feira, um dos líderes religiosos drusos mais influentes, Hikmat al Hejri, fez um apelo ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "e a todos aqueles que têm influência no mundo".

"Salvem Sweida. Nosso povo está sendo exterminado e assassinado a sangue frio", declarou.

Os principais líderes religiosos drusos têm posições divergentes, e Hejri se dissociou na terça-feira ao pedir aos combatentes da minoria para não deporem suas armas.

Q.Yam--ThChM