The China Mail - Tropas sírias se retiram de reduto druso após violência deixar quase 600 mortos

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Tropas sírias se retiram de reduto druso após violência deixar quase 600 mortos

Tropas sírias se retiram de reduto druso após violência deixar quase 600 mortos

As forças de segurança sírias se retiraram nesta quinta-feira (17) da cidade majoritariamente drusa de Sweida, por ordens do governo, liderado por islamitas, após confrontos deixarem quase 600 mortos, segundo uma ONG.

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A cidade e sua região de mesmo nome no sul da Síria têm sido palco, desde domingo, da violência entre drusos e beduínos, à qual se somaram as forças governamentais e o Exército israelense, que bombardeou a capital e outras áreas do país vizinho.

Na madrugada desta quinta-feira, o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, ordenou a retirada de suas tropas de Sweida e delegou a segurança da área aos drusos, para evitar uma "guerra aberta" com Israel.

A cidade, coração dessa minoria nascida do islamismo xiita, apresentava hoje um aspecto desolador, com lojas saqueadas, casas incendiadas e corpos nas ruas.

"É como se a cidade tivesse acabado de passar por um desastre natural ou uma inundação", disse Hanadi Obeid, médica de 39 anos. "Vi três corpos na rua, entre eles, o de uma idosa. Há carros queimados por toda parte, outros capotados, e vi um tanque em chamas", acrescentou.

A ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que conta com uma ampla rede de fontes no território sírio, contabilizou 594 mortos em Sweida, 83 deles civis vítimas de "execuções sumárias" pelas forças de segurança.

Além disso, o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) destacou que "cerca de 2 mil famílias foram deslocadas" pelos confrontos nessa província.

Apesar da retirada das tropas governamentais, decidida após mediação dos Estados Unidos, Turquia e países árabes, segundo Al Sharaa, a situação permanece volátil.

Em comunicado divulgado na noite desta quinta-feira, a Presidência síria acusou os drusos de violar o cessar-fogo com atos de uma "violência horrível" contra civis, e criticou "a interferência israelense descarada e contínua".

Pouco antes, a agência estatal de notícias síria Sana havia informado sobre um bombardeio israelense na periferia da cidade de Sweida.

- Desafios do poder sírio -

A violência ilustra os desafios enfrentados pelo governo interino de Al Sharaa, o líder islamista de uma coalizão de rebeldes que derrubou o presidente Bashar al Assad em dezembro, após quase 14 anos de guerra civil.

Os confrontos começaram no domingo, entre tribos beduínas sunitas e combatentes drusos, após o sequestro de um comerciante druso em Sweida. O governo sírio enviou forças à região na terça-feira para tentar restabelecer a ordem, mas o OSDH, testemunhas e grupos locais as acusaram de cometer execuções de civis e saques.

Contrário à presença militar no sul do país vizinho, Israel bombardeou posições das tropas governamentais em Sweida e o quartel-general do Exército em Damasco, e ameaçou intensificar seus ataques se não houvesse uma retirada.

Após um pronunciamento do presidente sírio na TV durante a madrugada, a retirada culminou ao amanhecer, segundo membros das tropas governamentais.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse nesta quinta-feira que o cessar-fogo foi alcançado "à força" após os bombardeios. Israel defende que atuou para proteger os drusos, uma importante minoria xiita também presente em seu território e no Líbano.

Mas o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, próximo das novas autoridades sírias, acusou Israel de "usar os drusos como desculpa" para "expandir seu vandalismo" na Síria.

- Mediação dos Estados Unidos -

Em seu discurso, Al-Sharaa prometeu que vai "exigir uma prestação de contas" pelas agressões contra o "povo druso" e condenou Israel por recorrer a "um ataque em larga escala contra instalações civis e governamentais".

Também elogiou "a intervenção eficaz da mediação americana, árabe e turca (...) que salvou a região de um destino incerto".

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou na quarta-feira que os dois lados concordaram com "passos específicos que acabarão com esta situação preocupante e horrível".

Embora seja o principal aliado de Israel, o governo dos Estados Unidos também busca uma aproximação com as novas autoridades sírias, apesar do passado jihadista de seu líder, com quem Donald Trump se reuniu em maio.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Washington observa uma desescalada da violência, que parece "continuar".

O governo interino sírio prometeu proteger as minorias do país, caracterizado por sua diversidade, mas os confrontos ou incidentes como o massacre de alauitas, a comunidade à qual pertence Assad, provocam dúvidas sobre sua capacidade de controlar a situação.

D.Wang--ThChM