The China Mail - Oriente Médio registra os ataques mais intensos desde o cessar-fogo Irã-EUA

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Oriente Médio registra os ataques mais intensos desde o cessar-fogo Irã-EUA
Oriente Médio registra os ataques mais intensos desde o cessar-fogo Irã-EUA / foto: © AFP/Arquivos

Oriente Médio registra os ataques mais intensos desde o cessar-fogo Irã-EUA

O Oriente Médio foi abalado por ataques dos Estados Unidos e do Irã em uma escala que não era observada desde o cessar-fogo alcançado em abril, um cenário que praticamente acabou com o protocolo de acordo para negociar um fim definitivo da guerra.

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"Não há dúvida de que o acordo está em crise. Mas o Irã nunca foi o primeiro a deixar de cumprir seus compromissos", declarou, nesta segunda-feira (13), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, durante uma entrevista coletiva em Teerã.

No centro das tensões está o Estreito de Ormuz, sobre o qual o Irã deseja manter o controle estabelecido nos primeiros dias da guerra e onde aspira cobrar taxas pelo trânsito de navios.

A retomada das hostilidades no fim de semana e o anúncio iraniano de um novo fechamento da passagem marítima, via estratégica para o comércio mundial de combustíveis, provocaram um aumento de mais de 4% no preço do petróleo nesta segunda-feira, com uma cotação superior a 78 dólares por barril.

A guerra começou em 28 de fevereiro com a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Após quase 40 dias de bombardeios, um cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril.

Estados Unidos e Irã assinaram em 17 de junho um protocolo de acordo que previa 60 dias de trégua para negociar o fim do conflito.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na semana passada que o cessar-fogo "acabou" devido aos ataques iranianos contra navios em Ormuz, por onde antes da guerra passavam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.

- "Evitar uma escalada" -

Apesar das hostilidades, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira que prossegue com as gestões diplomáticas com os países mediadores, Catar, Paquistão e Omã, com o objetivo de "evitar uma escalada" com os Estados Unidos.

"Se o protocolo de acordo está morto ou vivo, não importa, diante das múltiplas interpretações a que deu margem. As partes precisam chegar a termos mais claros", disse Bader Al Saif, especialista da Universidade do Kuwait.

A região foi cenário de novos bombardeios durante a madrugada de segunda-feira.

As forças americanas afirmaram ter atingido "sistemas iranianos de defesa militar aérea, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones e embarcações de pequeno porte", com o que buscam impedir que a República Islâmica "ataque tripulações civis e navios mercantes" no estreito de Ormuz.

O governo dos Estados Unidos acusou o Irã pelo ataque, durante o fim de semana, contra um porta-contêineres de bandeira cipriota, o que provocou a retirada de 23 tripulantes, enquanto um 24º segue desaparecido.

A imprensa estatal iraniana relatou ataques americanos em áreas do sul e do oeste do Irã, incluindo a ilha de Qeshm e Bandar Abbas, perto de Ormuz. A agência Mehr informou novas explosões perto da passagem marítima na manhã de segunda-feira.

Na cidade de Mahshahr, sudoeste do Irã, "uma pessoa foi martirizada e quatro ficaram feridas" no bombardeio americano, informou uma autoridade da província de Khuzestan, citada pela agência Irna.

- "Atitude hostil sistemática" -

Em represália, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou bombardeios contra instalações dos Estados Unidos em Omã, Bahrein, Kuwait e Jordânia. O Exército do Kuwait confirmou nesta segunda-feira que precisou responder a "alvos aéreos hostis" lançados contra seu território.

As forças do Bahrein acusaram o Irã de visar a população civil como parte de uma "atitude hostil sistemática". Também relataram a "interceptação e destruição de vários ataques aéreos" na manhã de segunda-feira.

O chefe da diplomacia do Paquistão e mediador no conflito, Ishaq Dar, pediu uma "desescalada" e moderação, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo para a "retomada urgente das negociações" de paz.

Mas Teerã insiste em manter o controle sobre o Estreito de Ormuz e acusou Washington de provocar o "retorno da insegurança" na região.

"Esta passagem estratégica é mais importante do que dezenas de bombas atômicas e a República Islâmica do Irã vai protegê-la", declarou Mohsen Rezai, conselheiro militar do líder supremo iraniano, citado pela agência de notícias Isna.

Nesta segunda-feira, o Irã efetuou "tiros de advertência" contra dois navios "que tentavam atravessar ilegalmente o Estreito de Ormuz", afirmou a televisão estatal.

X.So--ThChM