Piloto do voo da flydubai rumo a Israel "tentou derrubar o avião", diz Netanyahu
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou, nesta quarta-feira (30), um dos pilotos de um voo da companhia aérea Flydubai com destino a Tel Aviv de ter tentado "derrubar o avião" e matar os passageiros - quase todos israelenses -, obrigando a aeronave a fazer um pouso de emergência na Arábia Saudita.
Em um comunicado, a empresa dos Emirados Árabes Unidos instou "todas as partes a se absterem de fazer especulações prematuras" porque até o momento "são desconhecidas as razões" do ocorrido.
Alguns passageiros descreveram uma violenta briga na cabine e uma perda repentina de altitude antes que alguns ocupantes da aeronave conseguiram conter um dos pilotos.
Os 174 passageiros, entre os quais 166 israelenses, estão sãos e salvos, segundo a companhia aérea, e conseguiram retornar a Israel à tarde.
Netanyahu chamou os passageiros de "heróis", que permitiram "salvar muitas vidas" e evitar uma catástrofe. Mais tarde, ele foi ao aeroporto recebê-los.
Em um vídeo de seu gabinete, ele aparece abraçando um homem que foi apresentado como um dos passageiros que conseguiu entrar na cabine.
Nas imagens, o homem pede desculpas por cumprimentar o primeiro-ministro com uma camiseta ainda manchada de sangue, segundo ele, do copiloto dominado.
"Infelizmente, não conseguimos matá-lo, mas levará tempo para se recuperar", afirmou.
Netanyahu disse estar "em contato constante com as autoridades" sauditas, que atualmente interrogam o suspeito. "Ordenei aos serviços de segurança que se preparem para qualquer possível ameaça adicional", acrescentou.
- Tentativa de ataque "jihadista" -
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, denunciou uma "tentativa de ataque terrorista jihadista", sem dizer no que se baseou para fazer esta afirmação.
Nem a companhia aérea, nem a Arábia Saudita a corroboraram.
"Estávamos prestes a cair", o que foi evitado "simplesmente graças ao engenho de muitas pessoas que contiveram o copiloto e o neutralizaram", afirmou a passageira Miryam Shira Ohayon no aeroporto de Tabuk (sudoeste do reino), onde o avião pousou.
"Também havia um médico que prestou os primeiros socorros, e gente que atendeu a ambos. Além do piloto, não houve feridos, mas o medo era que caíssemos, que é exatamente o que tentava fazer", acrescentou.
Segundo esta passageira, outros dois pilotos que estavam no voo como passageiro assumiram o comando do avião durante a aterrissagem.
Em um vídeo exibido pelo veículo de mídia israelense Ynet, um passageiro se filma com a cabeça ensanguentada, pede ajuda e avisa que vão pousar na Arábia Saudita, um país com o qual Israel não tem relações diplomáticas.
"Estamos aqui durante um ataque no avião. Acabamos de neutralizar os terroristas e nos preparamos para aterrissar", diz o homem em hebraico.
"Se alguém me ouvir: precisamos de ajuda. Estamos prestes a aterrissar em Tabuk, aparentemente na Arábia Saudita. Uma área desconhecida. Todos os passageiros estão bem, exceto o piloto", acrescenta, antes de insistir: "Precisamos de ajuda".
- Perdeu altitude "a toda velocidade" -
"Foram ouvidos gritos no avião. Depois, abriram a cabine e viram sangue, e que alguém tinha esfaqueado o piloto", declarou uma passageira do voo em uma mensagem por escrito transmitida à televisão israelense.
Segundo dados do site de rastreamento aéreo Flightradar, a aeronave perdeu altitude bruscamente durante o voo, passando de cerca de 34.000 pés às 05h21 GMT (02h21 de Brasília) a menos de 17.000 pés às 05h22 GMT (02h22 de Brasília).
Foi como "se tivéssemos uma grande turbulência, mas não havia turbulências", contou o passageiro Almog Italie à AFP. Para ele, foi como uma "montanha-russa".
O sinal de socorro foi ativado e o exército israelense enviou dois aviões de combate, pensando que se podia tratar de um sequestro por parte de piratas aéreos. A hipótese foi descartada em seguida, segundo as emissoras de televisão israelenses 12 e KAN.
Y.Parker--ThChM