Zelensky conversa com enviados de Trump em tentativa de aliviar tensões com os EUA
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, conversou neste domingo (18) com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, em uma aparente tentativa de aliviar as tensões surgidas nos últimos dias entre Kiev e Washington.
A conversa por telefone ocorreu em meio à intensificação dos ataques russos e ucranianos contra infraestruturas energéticas dos dois países.
Os bombardeios russos deixaram milhares de pessoas sem eletricidade, enquanto São Petersburgo sofreu o maior ataque com drones ucranianos desde o início do conflito, em 2022.
"Nossas equipes continuam trocando informações e estão em contato todos os dias", declarou Zelensky ao anunciar, em sua mensagem diária, que havia conversado com Witkoff e Kushner.
"Muito depende" dos Estados Unidos neste conflito e "é evidente que há muitas questões em jogo para todos nós e que esta guerra precisa terminar", ressaltou.
Zelensky explicou que, durante a conversa, abordou o fornecimento de sistemas de defesa antiaérea americanos Patriot, fundamentais para interceptar os mísseis russos.
- "Grato" -
Anteriormente, em entrevista à emissora americana NBC, Zelensky afirmou que seria "um erro histórico" os Estados Unidos apoiarem formalmente a Rússia e disse esperar que Donald Trump "mude suas decisões".
O presidente ucraniano afirmou, no entanto, estar "grato" pela retomada do compartilhamento de informações de inteligência pelos Estados Unidos, após uma suspensão que deixou a Ucrânia mais vulnerável aos ataques com mísseis balísticos russos.
Kiev reclamou na semana passada de restrições ao serviço de internet via satélite da SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, da qual a Ucrânia depende no campo de batalha.
O governo Trump negou qualquer envolvimento em uma eventual redução do serviço.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, criticou essas declarações de Zelensky. "Considero uma grande imprudência da parte do presidente Zelensky fazer uma acusação dessas", declarou à NBC.
Os comentários ocorrem após uma nova deterioração das relações entre Kiev e Washington, marcada pela decisão de Donald Trump de bloquear novas sanções contra a Rússia e fechar um acordo com Moscou sobre o diesel.
- Ataques de ambos os lados -
Enquanto isso, no terreno, Rússia e Ucrânia realizaram novos ataques contra infraestruturas energéticas durante a madrugada deste domingo.
Um deles provocou um incêndio de grandes proporções em um terminal petrolífero de São Petersburgo, no noroeste da Rússia.
O presidente americano critica os ataques da Ucrânia contra refinarias de petróleo russas, por considerar que contribuem para a alta mundial dos preços dos combustíveis, uma tendência que, segundo analistas, também é agravada pelo conflito entre Irã e Israel e pela intervenção de Washington.
A Ucrânia sustenta que seus ataques são uma resposta aos bombardeios russos que, desde 2022, devastaram seu sistema energético, e afirma que têm como objetivo reduzir as receitas provenientes dos hidrocarbonetos que financiam o esforço de guerra do Kremlin.
Por sua vez, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou o último ataque noturno ucraniano como um "sinal de agonia".
"O regime de Kiev continua resistindo, mas isso não pode mudar o curso dos acontecimentos", declarou à imprensa russa.
Segundo o governador de São Petersburgo, Alexander Beglov, uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas no ataque "maciço" com drones.
Galina, uma moradora da cidade, não demonstrou surpresa. "Eles bombardeiam, nós bombardeamos, é a terrível rotina da guerra", comentou a mulher de 58 anos, que preferiu não revelar seu sobrenome.
Os sistemas de defesa antiaérea derrubaram durante a noite 145 drones sobre São Petersburgo e seus arredores, afirmou o governador regional, Aleksandr Drozdenko, que informou que cerca de 20 mil pessoas ficaram sem energia elétrica.
No total, o Ministério da Defesa russo afirmou que 1.015 drones ucranianos foram neutralizados entre a noite de sábado (17) e a madrugada de domingo em cerca de 15 regiões do sul e do oeste do país, incluindo a de Moscou.
Na Ucrânia, o presidente Volodimir Zelensky informou que, durante a noite, a Rússia bombardeou infraestruturas elétricas nas regiões de Vinnytsia, Zhytomyr, Khmelnytskyi e Odessa.
"Dezenas de milhares de famílias continuam sem eletricidade", explicou neste domingo nas redes sociais, acrescentando que os trabalhos para restabelecer o fornecimento prosseguem.
Segundo Zelensky, pelo menos duas pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas, entre elas duas crianças.
Nas últimas três semanas, o Exército russo retomou os bombardeios contra infraestruturas ucranianas, provocando grandes cortes de energia e gerando preocupação entre a população, que teme enfrentar mais um inverno com dificuldades para se aquecer.
C.Fong--ThChM