The China Mail - Aparência, genes, hormônios: quando o esporte analisa os sinais de feminilidade

USD -
AED 3.67315
AFN 63.00003
ALL 83.250363
AMD 377.359962
ANG 1.790083
AOA 916.999886
ARS 1367.988201
AUD 1.451368
AWG 1.8025
AZN 1.699565
BAM 1.695925
BBD 2.012738
BDT 122.6148
BGN 1.709309
BHD 0.37811
BIF 2970
BMD 1
BND 1.284247
BOB 6.920712
BRL 5.246899
BSD 0.999302
BTN 94.168452
BWP 13.739161
BYN 3.001028
BYR 19600
BZD 2.009859
CAD 1.385305
CDF 2285.495715
CHF 0.794982
CLF 0.023481
CLP 927.169942
CNY 6.90915
CNH 6.921097
COP 3687.54
CRC 463.31745
CUC 1
CUP 26.5
CVE 95.874996
CZK 21.258196
DJF 177.72012
DKK 6.48015
DOP 59.502097
DZD 133.041615
EGP 52.740899
ERN 15
ETB 157.149919
EUR 0.867301
FJD 2.250498
FKP 0.747836
GBP 0.750455
GEL 2.695052
GGP 0.747836
GHS 10.960345
GIP 0.747836
GMD 73.489851
GNF 8777.503027
GTQ 7.644781
GYD 209.069506
HKD 7.82573
HNL 26.519919
HRK 6.535902
HTG 130.870053
HUF 336.810126
IDR 16922
ILS 3.124098
IMP 0.747836
INR 94.18195
IQD 1310
IRR 1313299.999839
ISK 124.319947
JEP 0.747836
JMD 157.053853
JOD 0.709004
JPY 159.74101
KES 129.896773
KGS 87.450296
KHR 4014.999919
KMF 427.000262
KPW 900.057798
KRW 1508.260249
KWD 0.30721
KYD 0.832809
KZT 481.430095
LAK 21737.478349
LBP 89549.999826
LKR 314.289307
LRD 183.69759
LSL 17.049441
LTL 2.95274
LVL 0.60489
LYD 6.379876
MAD 9.33971
MDL 17.552896
MGA 4175.000202
MKD 53.472295
MMK 2099.983779
MNT 3583.827699
MOP 8.05281
MRU 40.109644
MUR 46.619727
MVR 15.459807
MWK 1735.999621
MXN 17.8445
MYR 3.994
MZN 63.910018
NAD 17.049938
NGN 1386.510643
NIO 36.720013
NOK 9.69139
NPR 150.669869
NZD 1.736395
OMR 0.384487
PAB 0.999298
PEN 3.4595
PGK 4.3095
PHP 60.232975
PKR 279.250161
PLN 3.71015
PYG 6540.378863
QAR 3.656504
RON 4.420301
RSD 101.858036
RUB 81.37321
RWF 1460
SAR 3.752011
SBD 8.041975
SCR 13.873228
SDG 600.999872
SEK 9.44017
SGD 1.285635
SHP 0.750259
SLE 24.549957
SLL 20969.510825
SOS 571.498421
SRD 37.562002
STD 20697.981008
STN 21.35
SVC 8.74425
SYP 111.44287
SZL 17.049868
THB 32.990307
TJS 9.563521
TMT 3.51
TND 2.923497
TOP 2.40776
TRY 44.3593
TTD 6.782836
TWD 31.988805
TZS 2574.999535
UAH 43.849933
UGX 3717.449554
UYU 40.512476
UZS 12190.000228
VES 466.018145
VND 26351
VUV 119.023334
WST 2.74953
XAF 568.80967
XAG 0.014809
XAU 0.000228
XCD 2.70255
XCG 1.80106
XDR 0.705441
XOF 566.504144
XPF 103.706186
YER 238.650424
ZAR 17.131555
ZMK 9001.207104
ZMW 18.762411
ZWL 321.999592
Aparência, genes, hormônios: quando o esporte analisa os sinais de feminilidade
Aparência, genes, hormônios: quando o esporte analisa os sinais de feminilidade / foto: © AFP/Arquivos

Aparência, genes, hormônios: quando o esporte analisa os sinais de feminilidade

A imposição de testes genéticos de feminilidade a atletas mulheres como condição para a participação em competições femininas no futuro, conforme decidido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) nesta quinta-feira (26), remete a tempos passados: há décadas, o mundo dos esportes oscila entre diversos critérios para definir a feminilidade.

Tamanho do texto:

Atletas do sexo feminino tiveram que passar por diversos controles, desde exames morfológicos a análises cromossômicas, antes que fossem introduzidos os regulamentos referentes aos níveis de testosterona.

- A era dos desfiles humilhantes -

Já nos Jogos Olímpicos de Berlim 1936, quando a feminização do esporte de elite mal dava seus primeiros passos, surgiram diversas controvérsias a respeito da aparência física de várias competidoras, que alguns consideravam excessivamente atléticas.

Na ausência de um quadro regulatório sobre a questão, as autoridades alemãs examinaram a velocista americana Helen Stephens para "confirmar" sua feminilidade: a obsessão da época, alimentada pela politização das rivalidades esportivas, era detectar homens escondidos entre as mulheres.

Ao mesmo tempo, a descoberta de várias atletas criadas como meninas, mas que possuíam genitália ambígua desde o nascimento, como a lançadora de dardo britânica Mary Weston e a saltadora em altura alemã Dora Ratjen, deflagrou os primeiros debates a respeito da intersexualidade.

Por sugestão do futuro presidente do COI Avery Brundage, tiveram início então duas décadas de exames visuais e ginecológicos, conduzidos tanto por órgãos nacionais quanto pela IAAF, a organização predecessora da atual World Athletics.

Esse período terminou em 1966 com o "desfile nu" das participantes do Campeonato Europeu de Atletismo, em Budapeste, diante de uma banca de médicos, algo amplamente considerado humilhante pelas atletas.

- Ascensão e declínio dos testes cromossômicos -

A partir de 1967, a IAAF e o COI optaram por testes genéticos, então elogiados por sua simplicidade e confiabilidade.

O objetivo é restringir as competições femininas às portadoras de dois cromossomos X, primeiro pela detecção dos "corpos de Barr" e, posteriormente, na década de 1990, pela detecção do gene SRY, considerado como indicador de masculinidade. Esse é o gene que vai determinar os resultados dos testes do COI a partir dos Jogos de Los Angeles de 2028.

Alguns cientistas, entre eles o geneticista finlandês Albert de la Chapelle, alertaram desde muito cedo que o sexo biológico é uma questão muito mais complexa do que os marcadores cromossômicos, os quais ignoram a diversidade de formas de intersexualidade.

O caso da barreirista espanhola María José Martínez Patiño serve como um exemplo claro: desclassificada em 1985 devido aos seus cromossomos XY, ela foi impedida de participar dos Jogos Olímpicos de Seul 1988. No entanto, acabou comprovando sua insensibilidade total à testosterona, o que a impedia de obter qualquer vantagem atlética a partir de sua constituição genética.

Essa nuance não é um caso isolado: nos Jogos de Atlanta, em 1996, oito competidoras — de um total de 3.387 — testaram positivo para o gene SRY, e todas elas acabaram sendo reintegradas após a comprovação de uma insensibilidade parcial ou total aos andrógenos.

Diante da pressão da comunidade científica e da Comissão de Atletas, o COI abandonou os testes genéticos em 1999, considerando-os excessivamente custosos e de relevância esportiva questionável.

- Testosterona e protestos -

Um caso impactou o mundo em 2009 e gerou debates desde então: a atleta sul-africana Caster Semenya foi campeã dos 800 metros no Mundial de Berlim e trouxe para o centro das atenções no atletismo a questão do "hiperandrogenismo", isto é, a produção natural de níveis elevados de testosterona por algumas atletas intersexuais.

A IAAF estabeleceu, então, um nível máximo de testosterona para competir na categoria feminina, mas o foco nesse hormônio expôs a organização a problemas nos tribunais.

A atleta indiana Dutee Chand recorreu em 2015 à Corte Arbitral do Esporte (CAS), que exigiu da IAAF que apresentasse provas mais contundentes a respeito da relação entre a testosterona e o desempenho atlético, estabelecendo o ano de 2017 como prazo limite.

No final de 2018, o atletismo finalmente restringiu seu regulamento às distâncias para as quais seu diretor médico havia coletado dados — dos 400 metros até uma milha —, exigindo que atletas mulheres hiperandrogênicas reduzissem seus níveis de testosterona caso desejassem competir nessas provas, uma medida que gerou protestos na comunidade médica.

H.Ng--ThChM