Crise na Fifa: o futebol 'não pertence a nenhum indíviduo, afirmam Uefa, Concacaf e AFC
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, voltou a ser criticado nesta segunda-feira (10) com a publicação de uma carta conjunta de três confederações, Uefa, Concacaf e AFC, que enfatizam que o futebol "não pertence a nenhum indivíduo".
"A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter — ou exigir — o poder para si próprio", afirmam.
"Quando a confiança é rompida por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, este dever foi abandonado", acrescentam as três confederações em uma "carta aberta à família do futebol".
"Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, distância onde deveria haver transparência. Não são as qualidades que o futebol merece encontrar em sua liderança", denunciam.
As três confederações não estão satisfeitas com os "pedidos de desculpas" apresentados na quarta-feira pela Fifa, após uma reunião em caráter de urgência em Rabat (Marrocos) devido à polêmica gerada por seu projeto de privatização, ao mesmo tempo em que expressava seu "total apoio" a Infantino.
A carta enviada pela entidade mundial às 211 federações que integram a Fifa "apresenta isso como uma falha de comunicação, quando o que o futebol testemunhou foi uma falha de julgamento", uma "ruptura fundamental da confiança em relação às próprias instituições às quais a FIFA existe para servir", lamentam Uefa, Concacaf e AFC.
A Fifa voltou a publicar um comunicado no sábado, no qual denunciou "um esforço contínuo e orquestrado por parte de alguns para minar a entidade e seu presidente".
Um dia antes, o jornal britânico Telegraph publicou que Infantino, secretário-geral da Uefa de 2009 a 2016, teria utilizado seu poder para garantir a promoção de uma funcionária da entidade com a qual mantinha uma relação íntima.
A crise começou com a revelação, no fim de julho, de seu controverso projeto, posteriormente abandonado, de abrir a Fifa para investidores privados.
"Não se trata de dinheiro. As confederações já solicitaram uma distribuição responsável das vastas reservas existentes da Fifa para reforçar ainda mais o investimento no desenvolvimento das federações-membro", explica a carta assinada pelos presidentes e secretários-gerais das três confederações.
A Uefa, que lidera as críticas a Infantino, repetiu na quinta-feira a ameaça de boicotar as Copas do Mundo, por considerar insuficiente a simples retirada do projeto polêmico de abrir a entidade a investidores privados.
U.Chen--ThChM