The China Mail - Trump cancela viagem de enviados ao Paquistão para negociações sobre guerra no Oriente Médio

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Trump cancela viagem de enviados ao Paquistão para negociações sobre guerra no Oriente Médio

Trump cancela viagem de enviados ao Paquistão para negociações sobre guerra no Oriente Médio

Donald Trump anunciou neste sábado (25) que cancelou a viagem prevista de seus enviados à capital paquistanesa para conversar com o Irã, mas ressaltou que a medida não significa que Washington vá retomar a guerra contra a República Islâmica.

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O conflito teve início após o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro. Desde então, já soma milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e provoca abalos na economia global.

Trump disse que cancelou a visita após ficar pouco impressionado com a posição de Teerã nas negociações, e acrescentou que uma proposta revisada chegou minutos depois de sua decisão. "Eles nos entregaram um documento que deveria ter sido melhor e — curiosamente — imediatamente, quando cancelei [a viagem dos enviados], em 10 minutos recebemos um novo documento que era muito melhor", disse aos jornalistas, sem fornecer mais detalhes.

A Casa Branca chegou a informar que o genro de Trump, Jared Kushner, e o enviado especial Steve Witkoff estavam a caminho de Islamabad para manter conversas com o Irã para avançar "rumo a um acordo", mas o presidente americano disse depois à emissora Fox News que cancelou a viagem em cima da hora.

"Nós temos todas as cartas na mão. Eles [os iranianos] podem nos ligar quando quiserem, mas vocês [os enviados] não vão mais fazer voos de 18 horas para ficarem sentados conversando sobre nada", disse Trump, citado pela emissora.

- Diplomacia 'séria'? -

Um pouco antes, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, concluiu uma visita a Islamabad após uma reunião com o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir — um mediador-chave —, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o ministro das Relações Exteriores Ishaq Dar.

O Irã afirmou que Araghchi tinha partido para Mascate e que retornaria ao Paquistão após manter reuniões em Omã, antes de viajar à Rússia para dialogar sobre o fim da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.

Araghchi classificou sua viagem ao Paquistão de "muito proveitosa", mas demonstrou ceticismo em relação às intenções de Washington.

"Não está prevista nenhuma reunião entre Irã e Estados Unidos", havia afirmado anteriormente o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, em publicação no X.

Após deixar Islamabad, Araghchi assinalou que não sabe se os Estados Unidos são "realmente sérios" em questão de diplomacia.

- Bloqueio de Ormuz se aprofunda -

A pressão para encerrar a guerra se intensifica enquanto o Estreito de Ormuz — uma rota vital para o petróleo e o gás — permanece fechado. Mas o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), o poderoso exército ideológico do Irã, indicou que não tinha a intenção de levantar seu bloqueio, que abalou os mercados energéticos.

"Controlar o Estreito de Ormuz e manter a sombra de seus efeitos de dissuasão sobre os Estados Unidos e os apoiadores da Casa Branca na região é a estratégia definitiva do Irã islâmico", disse a Guarda Revolucionária em seu canal oficial de Telegram.

O comando central militar do Exército iraniano, Khatam al Anbiya, advertiu neste sábado que responderá se os Estados Unidos mantiverem o bloqueio dos portos iranianos, porque o considera "banditismo" e "pirataria"

Enquanto isso, o Aeroporto Internacional Imam Khomeini, em Teerã, reabriu neste sábado — anunciou a televisão estatal — com voos para Medina, Mascate e Istambul.

- Mais mortes no Líbano -

Neste sábado à noite, novos bombardeios israelenses atingiram pelo menos quatro localidades do sul do Líbano, informou a agência oficial libanesa NNA, após ataques anteriores que haviam deixado seis mortos, segundo as autoridades libanesas.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ordenou hoje ao Exército que atacasse "com força" o grupo islamista Hezbollah no Líbano, com base no que as forças armadas classificaram de uma série de violações do cessar-fogo.

O Exército israelense, por sua vez, detalhou em comunicado que tinha "atacado infraestruturas terroristas do Hezbollah utilizadas com fins militares em todo o sul do Líbano".

Um correspondente da AFP constatou que algumas pessoas tinham fugido do sul de Beirute após a declaração de Netanyahu.

O Exército israelense disse que "eliminou" três combatentes do Hezbollah que viajavam "em um veículo carregado com armas", e também outro que se deslocava em motocicleta, além de outros dois integrantes armados do grupo em outro lugar.

Trump havia anunciado na quinta-feira uma prorrogação de três semanas da trégua e expressou otimismo sobre a paz após reunir-se com enviados israelenses e libaneses.

Mas Mohammed Raad, líder da bancada parlamentar do Hezbollah, instou o Líbano a abandonar as conversas e advertiu que qualquer acordo careceria de consenso nacional.

Netanyahu, por sua vez, acusa o Hezbollah de tentar "sabotar" o processo de paz.

Imagens da AFP mostraram hoje uma grande coluna de fumaça elevando-se sobre a localidade de Khiam, no sul do país árabe.

Quase 2.500 pessoas morreram por consequência de ataques israelenses no Líbano desde 2 de março.

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E.Lau--ThChM