Brasileiros votam em eleições acompanhadas de perto por Donald Trump
Os brasileiros votam neste domingo (3) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, em uma eleição que decidirá se o maior país da América Latina se somará à onda conservadora impulsionada por Donald Trump.
Da Amazônia às terras agrícolas do sul, os brasileiros escolhem entre candidatos já conhecidos e muitos vão optar por quem menos lhes desagrada.
Com quase 81 anos, o esquerdista Lula busca um quarto e último mandato e adverte que a soberania do Brasil está em jogo diante da pressão de Trump, que disse acompanhar as eleições "muito de perto".
Ele trava a batalha com o senador de direita Flávio Bolsonaro, de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O político de extrema direita lançou seu primogênito como candidato depois de ser condenado a 27 anos de prisão por tentar dar um golpe de Estado contra Lula em 2022.
A última pesquisa do instituto Datafolha prevê 45% dos votos para o mandatário e 42% para o senador, o que tornaria necessário um segundo turno em 25 de outubro.
Lula conta com sua base eleitoral no empobrecido Nordeste e entre os eleitores de baixa renda, os católicos e as mulheres.
Bolsonaro lidera no Sul, entre os mais abastados e os evangélicos. Mas entre os quase 160 milhões de eleitores, alguns ainda ponderam seu voto.
"Eu já votei em Lula, mas ele está gagá, essa vez eu queria algo diferente. Mas não vou votar em um Bolsonaro, não gosto dessa extrema direita, então estou meio perdido", reconheceu Joelio Camargo, entregador de 52 anos, em um posto de gasolina em Brasília.
Em um país polarizado, a campanha eleitoral se destacou por controvérsias e ataques pessoais.
Lula afirmou que Flávio Bolsonaro "não serve nem para ser síndico de prédio". Flávio, que se diz mais moderado que o pai, declarou que "o Brasil já não aguenta" o esquerdista.
- "Mais inimigos" -
Lula, reconhecido pelos programas sociais que tiraram milhões de pessoas da pobreza no início dos anos 2000, voltou ao poder em 2023, depois de ter sido preso por um enorme escândalo de corrupção e de suas condenações terem sido anuladas por motivos processuais.
Ele derrotou Jair Bolsonaro por apenas 1,8 ponto percentual em uma eleição tumultuada que degenerou no ataque às sedes dos poderes em Brasília por parte de bolsonaristas.
Centenas foram condenados e Flávio Bolsonaro prometeu anistiá-los, assim como ao pai, caso vença as eleições.
Durante o terceiro mandato de Lula, a inflação se manteve sob controle e o desemprego caiu, mas os brasileiros reclamam do alto custo de vida e se mostram cansados da criminalidade.
Também houve uma redução drástica do desmatamento na Amazônia, embora a mudança climática tenha ficado ausente da campanha, apesar da multiplicação de eventos extremos como secas e inundações no país.
O cacique indígena Bepdjo Mekragnotire, de 45 anos, da Aldeia Baú, na Amazônia, disse apoiar Lula. Sua preocupação, afirmou à AFP, é com o aumento do garimpo ilegal e da exploração madeireira no caso de uma vitória de Flávio.
Sob Jair Bolsonaro, os povos indígenas sofreram um aumento da destruição da floresta.
- Programas sociais x impostos -
Trump ainda não declarou explicitamente apoio a Flávio Bolsonaro até agora. Mas vem usando tarifas e sanções para pressionar Brasília, desde que seu aliado Jair Bolsonaro foi julgado por tentativa de golpe. Nos comícios de Flávio Bolsonaro, alguns de seus simpatizantes agitavam bandeiras americanas e imagens de Trump.
Em poucos meses, o discreto senador conseguiu alcançar Lula nas pesquisas, mesmo sendo investigado por corrupção no financiamento de um filme biográfico sobre seu pai.
Ele prometeu pulso firme contra a insegurança, assim como austeridade fiscal em meio ao aumento da dívida pública.
Carlos Roberto dos Santos, pecuarista de 62 anos de Barretos, disse à AFP estar cansado do gasto público descontrolado que atribui aos governos de esquerda.
"Eles têm muitos programas sociais... Para pagar dívida tem que subir juros, tem que criar imposto. E isso, de uma maneira ou de outra, acaba afetando todos os setores, não só do agro", disse o bolsonarista.
H.Au--ThChM