Confrontos decisivos nas eleições de meio de mandato nos EUA
Um seminarista contra um procurador envolvido em escândalos; um médico ídolo da esquerda enfrenta um ex-agente do FBI: os duelos mais aguardados nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro.
- Todos de olho no Texas -
Nenhum democrata vence uma eleição há mais de 30 anos no Texas, onde a esquerda voltou a sonhar com James Talarico, ex-professor e seminarista presbiteriano de 37 anos, candidato ao Senado.
Ele ficou conhecido no ano passado após vídeos que viralizaram, nos quais recorria à fé para criticar republicanos e seus ataques à laicidade, especialmente nas escolas.
Em outros vídeos, emitiu opiniões mais controversas em um estado conservador, como a natureza "não binária" de Deus e elogios a transexuais em seus comícios. Essas declarações foram amplamente usadas por seu adversário, o procurador-geral do Texas e republicano, Ken Paxton.
Apoiador declarado do presidente Donald Trump, Paxton é fiel à sua agenda ultraconservadora, especialmente contra o aborto e direitos LGBT+.
Escândalos financeiros o levaram a ser investigado em 2015, a ser destituído pela Câmara de Representantes do Texas em 2023 (arquivada pelo Senado estadual) e a enredos extraconjugais.
- O antigo cinturão industrial em disputa -
Por muito tempo ligados aos democratas, estados industriais começaram a se inclinar à direita. Após terem votado no democrata Joe Biden em 2020, os eleitores do Michigan se voltaram para Trump em 2024.
Para senador, os republicanos apostam no ex-deputado e ex-agente do FBI Mike Rogers, enquanto os democratas escolheram Abdul El Sayed. O médico da ala socialista defende a ampliação da cobertura universal da saúde pública e o corte do financiamento da polícia migratória de Trump.
Em Ohio, o senador republicano Jon Husted tentará conservar sua cadeira diante do ex-senador Sherrod Brown. Pesquisas apontam um equilíbrio entre os dois.
Ohio também escolhe seu governador: Vivek Ramaswamy, ex-aspirante à candidatura presidencial republicana em 2024, enfrentará a democrata Amy Acton.
- Peixe e lagosta no cardápio -
"Peixe, família, liberdade" é o slogan de campanha de Mary Peltola, candidata democrata ao Senado pelo Alasca. Donald Trump venceu neste estado com 13 pontos de vantagem em 2024, mas o contexto atual dá uma oportunidade a essa ex-juíza de se impor diante do senador republicano em fim de mandato, Dan Sullivan.
No Alasca, os eleitores podem ordenar seus candidatos preferidos na cédula. Este ano, além de Mary Peltola e Dan Sullivan, também figurará Dan Sullivan, homônimo do senador republicano em fim de mandato. Isso levou o governo Trump a apresentar uma ação preventiva diante do risco de "confusão".
O Maine também assiste a uma campanha acirrada entre a senadora republicana em fim de mandato Susan Collins — considerada moderada e às vezes crítica a Trump — e o democrata Troy Jackson, um lenhador.
Ambos apoiam o setor da pesca da lagosta, que movimenta mais de um bilhão de dólares anuais. Mas se enfrentam principalmente pelo custo de vida e, em especial, o preço dos combustíveis.
Embora o Maine tenha votado nos democratas em todas as presidenciais desde 1992, a republicana Collins vem sendo reeleita sem interrupção desde 1996.
- A batalha no coração do país -
Os agrícolas Iowa e Kansas são redutos republicanos. Porém, as pesquisas dão aos democratas a esperança de conquistar pelo menos uma cadeira no Senado, especialmente no Kansas, onde o pastor Adam Hamilton assombra o republicano em fim de mandato Roger Marshall.
Em Iowa, o democrata Rob Sand está bem posicionado para se tornar o próximo governador, enquanto Josh Turek, bicampeão paralímpico de basquete, espera se tornar senador frente à republicana Ashley Hinson.
B.Carter--ThChM