Flávio Bolsonaro tem passaportes cancelados em meio a dúvidas sobre seu paradeiro
Os passaportes de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foram cancelados após ele não entregá-los, conforme determinado pela Justiça, informou uma fonte policial à AFP nesta terça-feira (27) enquanto o paradeiro do senador permanece desconhecido.
A Justiça havia determinado que ele entregasse seus documentos, após a derrota nas eleições de domingo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio, de 45 anos, é investigado por suposta corrupção e lavagem de dinheiro no financiamento de um filme sobre seu pai, entre outras investigações em curso.
"Os passaportes de Flávio Bolsonaro estão cancelados" após descumprimento da ordem judicial, disse a fonte, acrescentando que não "há registro formal" de que o senador tenha saído do Brasil.
As autoridades argentinas, por sua vez, desmentiram versões divulgadas pela imprensa local, segundo as quais Flávio teria tentado sair do Brasil através da Argentina.
Nesta terça-feira, o portal argentino Infobae informou que a companhia aérea Baires Fly teria preparado um voo fretado para o senador, partindo de território argentino rumo aos Estados Unidos.
"É tudo falso, ele nunca entrou", disse à AFP uma fonte do Ministério da Segurança da Argentina.
O paradeiro do senador é desconhecido, enquanto seu entorno mantém silêncio a respeito.
A AFP constatou que uma comitiva saiu, nesta terça-feira, de sua residência em Brasília, sem que fosse possível determinar se Flávio estava dentro de algum dos veículos.
- "Tentar intimidá-lo" -
Flávio Bolsonaro, que não reconheceu sua derrota eleitoral, disse na segunda-feira que foi proibido de deixar o país, em uma "tentativa de me intimidar".
"Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração", disse em um vídeo.
Após perder as eleições, o ex-candidato conservador afirmou que pediria a anulação do segundo turno, argumentando que a decisão judicial de prorrogar a votação em duas horas beneficiou Lula.
O presidente, de 81 anos, venceu o segundo turno com quase 52% dos votos, contra 48% do conservador, uma diferença de mais de 4 milhões de votos.
Flávio era o favorito para vencer o segundo turno, após ter saído na frente no primeiro.
Ele havia prometido que, caso vencesse, sua primeira medida de governo seria libertar o pai, Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar aplicar um golpe de Estado contra Lula após perder as eleições de 2022.
Paralelamente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira que a Polícia Federal investigue um possível financiamento estrangeiro à campanha do senador.
Flávio Dino solicitou a investigação da "eventual origem, circulação e destinação de recursos estrangeiros" e de outras formas de suposta interferência eleitoral, como "manipulações" em redes sociais, segundo a decisão consultada pela AFP.
K.Leung--ThChM